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Alicher Navoi

Nizamadim Ali-Xir Heraui, Alicher Navoi ou Ali-Xir Navai, conhecido como autor literário principalmente como Nava'i, foi um poeta, escritor, político, linguista, pintor e místico sufista do ramo maturidita do hanafismo que é considerado um maior expoente da literatura em língua chagatai, embora também tenha escrito algumas obras em persa, sob o pseudónimo de Fāni e em árabe. Era de etnia turca e acreditava que o chagatai e outras línguas turcas eram superiores ao persa para fins literários, um ponto de vista incomum no seu tempo, que defendeu na sua obra “Muhakemetü'l-Lugateyn”, baseando a sua opinião na maior riqueza e maleabilidade do léxico turco em relação ao persa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Biografia

Alicher Navoi nasceu em Herate, quando esta cidade, que atualmente se encontra no noroeste do Afeganistão, era a capital do Império Timúrida. Sob o governo dos timúridas, Herate tornou-se um dos principais centros de cultura e erudição do mundo islâmico. Alicher pertencia à classe dos emires (em persa: mīr) chagatais da elite timúrida. O seu pai, Ghiyāth ud-Din Kichkina ("o Pequeno") foi um oficial superior no corte de Xaruque Mirza (r. 1405–1447), que sucedeu ao seu pai Tamerlão no trono imperial timúrida. A sua mãe foi governanta dum príncipe no palácio imperial. Ghiyāth ud-Din Kichkina foi governador de Sabzawar durante algum tempo. Após a morte do pai, quando Alicher ainda era jovem, Babur ibne Baiçungur, neto de Xaruque e governador de Coração, tomou-o a seu cargo. O jovem Navoi foi colega de escola de Huceine Baicara, que depois seria o monarca timúrida entre 1469 e 1506. A família de Alicher foi forçada a abandonar Herate em 1447, devido à instabilidade política que se seguiu à morte de Xaruque nesse ano. A família regressou a Coração após a ordem ter sido restabelecida em 1450. Seis anos mais tarde, quando tinha 15 anos, Alicher e Huceine Baicara foram para Mexede (atualmente no Irão oriental) com Babur ibne Baysunghur. No ano seguinte Babur morreu e Alicher e Baicara separaram-se. O segundo empenhou-se em ganhar poder político, enquanto Alicher continuou os seus estudos em Mexede, Herate e Samarcanda. Após a morte do imperador Abuçaíde Mirza em 1469, Huceine Baicara tomou o poder em Herate e chamou Alicher para o seu serviço. Alicher abandonou então Samarcanda para voltar a Herate, ficando ao serviço do seu colega de estudos e imperador timúrida até à sua morte em 1501. Foi sepultado em Herate. Huceine Baicara foi ao seu funeral e ficou três dias de luto em casa, chorando o seu amigo de toda a vida. Para que os cidadãos de Herate prestassem homenagem coletivamente ao seu poeta falecido, foi organizado um banquete.

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Obras

Pouco se sabe sobre as obras de Alicher antes de, em 1469, ter entrado ao serviço do imperador timúrida Huceine Baicara, seu companheiro de estudos na juventude. O especialista em história islâmica e da Ásia Central Barry Hoberman distingue quatro facetas de Alicher, que ele refere como "quatro Mir Ali Shir Nava'is": a do político e administrador público, a do promotor e administrador de obras públicas e privadas, a do mecenas do ensino, artes e letras e finalmente a de escritor. Como político e oficial superior da corte imperial timúrida, Alicher foi sobretudo um conselheiro e confidente de Huceine, com quem manteve uma amizade muito próxima, apesar de por vezes complicada. Embora alguns historiadores europeus notem que ele nunca foi vizir nem teve cargos do tipo ministerial, foi alguém que deteve muito poder de facto, que esteve muito envolvido na alta política, chegou a ter alguns cargos oficiais e em algumas ocasiões a sua autoridade era comparável à dum vizir. Pelo menos uma vez, em 1479, foi governador de Herate enquanto Huceine esteve ausente. Apesar de ser certo que as atividades políticas e administrativas lhe roubavam tempo à sua óbvia paixão pelas artes e ensino, aparentemente Navoi sempre teve um sentimento genuíno de dever tanto em relação ao seus soberano como ao bem do estado.

Impulsionador da literatura turca

Apesar da sua relevância noutros campos, Navoi é célebre e reverenciado sobretudo pelo seu papel primordial no impulso que deu à literatura em língua turca. Alicher está longe de ter sido o inventor da literatura turca, que quando ele nasceu já existia há pelo menos sete séculos, mas que antes dele era vista pelos literatos seus contemporâneos como rude e plebeia. Navoi teve um papel fundamental na padronização da língua chagatai, uma língua literária, resultante dos idiomas vernaculares turcos falados na Ásia Central e em Coração. De forma semelhante ao que ocorreu com o inglês no século XIV graças a Geoffrey Chaucer, o chagatai tornou-se uma língua literária nacional ao nível do árabe e do persa com Navoi, que foi o primeiro escritor com grande notabilidade a escrever grande parte das suas obras em turco.

Principais obras literárias

Os poemas mais célebres de Nava'i encontram-se nos seus quatro divãs (em persa: divân; coleções de poemas): Ghara'ib al-Sighar ("Maravilhas da Infância"), Naivadir al-Shabab ("Testemunhos da Juventude"), Bada'i' al-Wasat ("Maravilhas da Idade Média") e Fawi'id al-Kibar ("Vantagens da Velhice"). Outros trabalhos importantes foram de índole técnica, que seriam úteis para outros poetas turcos, como o Mizan al-Awzan ("A Medida das Métricas"), um tratado detalhado sobre métricas poéticas. Foi também autor do Majalis al- Nafa'is ("Conjuntos de Homens Distintos"), uma monumental compilação composta por mais de 450 esboços biográficos de poetas mais ou menos seus contemporâneos, que é uma fonte importantíssima para os historiadores modernos da cultura timúrida.

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Legado

Quase imediatamente após a morte de Navoi, outros escritores começaram a usar o turco nas suas obras. Um século mais tarde, Babur (1483–1530), o fundador do Império Mogol indiano e descendente de Tamerlão, escreveu a sua famosa autobiografia em língua chagatai, onde refere a sua admiração por Navoi. O poeta azerbaijano Fuzuli de Bagdade (c. 1483–1556), que desde há vários séculos é um dos poetas mais apreciados do mundo turcófono, foi um fortemente influenciado por Navoi. No Império Otomano, era frequente os escritores em turco otomano estudarem as obras de Nava'i e tomarem os seus poemas como modelo. Apesar de ter usado uma variante diferente de turco, é inquestionável que o grande poeta de Herate serviu como catalisador da evolução da poesia otomana. O sultão otomano Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566), foi outro admirador de Navoi e adquiriu os livros Divan-i Neva'i, Khamsa e Muhakamat para a sua biblioteca pessoal. Com o surgimento dos grandes poetas otomanos e azeris, a posição do turco como terceira língua clássica do islão foi consolidada.

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Fontes consultadas

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