Babur
Babur foi o fundador do Império Mogol no subcontinente indiano. Ele era um descendente de Tamerlão e de Gêngis Cã por parte de pai e por parte de mãe, respectivamente. Ele também recebeu o nome póstumo de Firdaws Makani.
As memórias de Babur formam a fonte principal de detalhes sobre a sua vida. Elas são conhecidas como Baburnama e foram escritas na língua chagatai, sua língua materna. De acordo com Dale, "sua prosa em turco é altamente persianizada em sua estrutura de frase, morfologia e na formação de palavras e de vocabulário." O Baburnama foi traduzido em persa durante o reinado do neto de Babur, Aquebar. Babur nasceu em 14 de fevereiro de 1483 na cidade de Andijã, no Vale de Fergana, no atual Uzbequistão. Ele era o filho mais velho de Umar Xaique Mirza II, governante do Vale de Fergana, o filho de Abuçaíde Mirza (que era neto de Mirã Xá, um filho de Tamerlão) e sua esposa Cutluque Nigar Canum, filha de Iunus Cã, governante do Mogulistão e um descendente direto de Gêngis Cã. Babur veio do clã túrquico dos Barlas, que eram de origem mongol e tinham abraçado a tradição turco-persa. Eles também se converteram ao Islã séculos antes e moravam no Turquestão e em Coração.
Como regente timúrida de Fergana
Em 1494, Babur tornou-se o governante timúrida de Fergana, no atual Uzbequistão, depois que seu pai Umar Xaique Mirza morreu "enquanto criava pombos em um pombal mal-construído que desmoronou para baixo da ravina abaixo do palácio". Nesta época, dois de seus tios dos reinos vizinhos, que eram hostis ao seu pai, e um grupo de nobres que queriam que seu irmão mais novo Jaanguir reinasse, ameaçavam a sucessão de Babur ao trono. Seus tios foram impiedosos em suas tentativas de destroná-lo e de eventualmente impedi-lo de tomar outras posses territoriais mais tarde. Babur foi capaz de assegurar o seu trono graças a ajuda de sua avó, Aisã Daulate Begum, apesar de que a sorte também estava envolvida.
Em Cabul
Cabul era governada pelo tio paterno de Babur, Ulugue Begue II, que morreu deixando como herdeiro apenas uma criança. A cidade foi tomada por Muquim Begue, que era considerado um usurpador e recebia oposição da população local. Em outubro de 1504, Babur foi capaz de cruzar as montanhas nevadas do Indocuche e capturar Cabul de seus adversários, que recuaram para Candaar. Com isto, ele ganhou um novo reino, restabeleceu suas fortunas e continuou a reinar o território até 1526. Em 1505, devido a baixa remuneração gerada por seu novo reino nas montanhas, Babur começou sua primeira expedição a Índia; em suas memórias, ele escreveu, "Meu desejo pelo Hindustão tem sido constante. Foi no mês de Xabã, com o Sol em Aquário, que nós saímos de Cabul para o Hindustão".
Desde a época do venerado profeta até agora, três homens deste lado conquistaram e reinaram o Hindustão. Mamude Gazi foi o primeiro, e ele e seus descendentes por muito tempo se assentaram no trono do governo do Hindustão. Xabadim de Gor foi o segundo, cujos escravos e vassalos pastorearam este reino por vários anos. Eu sou o terceiro. Babur ainda desejava escapar dos uzbeques, e ele escolheu a Índia como refúgio invés do Badaquexão, que estava ao norte de Cabul. Ele escreveu, "Na presença de tamanho poder e potência, tínhamos que pensar em algum lugar para nós mesmos e, nesta crise e no tempo em que nos sobrava, criar uma maior distância entre nós e o forte adversário." Após sua terceira perda de Samarcanda, Babur deu atenção total a conquista do norte da Índia e lançou uma campanha; ele alcançou o Rio Chenab, agora no Paquistão, em 1519. Até 1524, seu objetivo era expandir seu reino até Panjabe, principalmente para sustentar o legado de seu ancestral Tamerlão, já que Panjabe fazia parte de seu Império Timúrida. Naquela época as partes do norte da Índia estavam sob domínio do Sultanato de Deli, cujo governante era Ibraim Lodi da dinastia Lodi, mas o sultanato estava desmoronando e havia muitos desertores. Babur recebeu convites de Daulate Cã Lodi, governante de Panjabe, e de Alaudim, tio de Ibraim. Ele enviou um embaixador para Ibraim, clamando ser o herdeiro ao trono, mas o embaixador foi detido em Laore, e liberado meses depois.
Primeira batalha de Panipate
Em novembro de 1525, Babur recebeu notícias em Pexauar de que Daulate Cã Lodi havia trocado de lados, e Babur afastou-se de Alaudim. Babur então marchou para Laore para confrontar Daulate Cã Lodi, apenas para ver o exército de Daulate se desestruturar perante sua aproximação. Daulate se rendeu e foi perdoado. Então, em três semanas cruzando o Rio Indo, Babur tornou-se o mestre de Panjabe. Babur marchou para Deli através de Sirinda-Fategar. Ele chegou em Panipate em 20 de abril de 1526, e lá encontrou o exército numericamente superior de Ibraim Lodi que contava com 100 mil soldados e mil elefantes. Na batalha que começou no dia seguinte, Babur usou a tática de Tulugma, que consistiu em cercar o exército de Ibraim Lodi e forçá-lo a dar de cara com fogo de artilharia diretamente, o que também resultou no descontrole de seus elefantes de guerra. Ibraim Lodi morreu durante a batalha, o que deu um fim a dinastia Lodi.
Babur era um escritor aclamado que tinha um amor profundo pela literatura. Sua biblioteca era uma de suas possessões mais amadas e ele sempre a levava com ele, e livros eram tesouros que ele buscava em terras recém conquistadas. Em suas memórias, quando ele listava soberanos e nobres de uma terra conquistada, ele também mencionava poetas, músicos e outros intelectuais. Apesar de ter morrido aos 47 anos, Babur deixou para trás uma herança científica e literária abundante. Ele escreveu suas famosas memórias, o Bāburnāma, bem como trabalhos líricos e gazéis, tratados sobre a jurisprudência muçulmana, e uma caligrafia especial, conhecida como Baburi. O seu Bāburnāma é uma coleção de memórias, escrito na língua chagatai e depois traduzido em persa, a língua literária da corte mogol, durante o reinado do imperador Aquebar. Babur escreveu a maioria dos seus poemas em chagatai, que para ele era conhecido como a língua túrquica, mas ele também fazia composições em persa. Ele era, entretanto, mais aclamado pelos seus trabalhos literários escritos em chagatai, que são comparados com a poesia de Alicher Navoi.
Babur morreu em Agra em 26 de dezembro de 1530 e foi sucedido por seu filho mais velho, Humaium. Ele foi enterrado em Agra, mas como desejava, ele depois foi levado para Cabul e reenterrado lá em algum momento entre 1539 e 1544. É de acordo geral que, como timúrida, Babur foi não só significantemente influenciado pela cultura persa, mas seu império também levou a ascensão do caráter persa no subcontinente indiano. Ele emergiu como herdeiro do Renascimento Timúrida e deixou na Índia partes da literatura e da arte islâmica. Como diz F. Lehmann na Encyclopædia Iranica: Sua origem, seus arredores, seu treinamento e cultura eram fundados na cultura persa e por isso que Babur foi tão responsável pela expansão desta cultura por parte de seus descendentes, os mogóis da Índia, e pela expansão da influência cultural persa no subcontinente indiano, com resultados literários, artísticos, e historiográficos brilhantes.


