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Eliana Calmon

Eliana Calmon Alves GOMM é uma jurista e magistrada brasileira, primeira mulher a compor o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no qual ocupou o cargo de ministra no período de 1999 a 2013. Também foi corregedora-geral de Justiça e diretora-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados ministro Sálvio de Figueiredo (Enfam).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
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Biografia

Imagem: Coordenadoria de Comunicação Instituiconal da Enfam · BY-SA · Openverse

É filha de Almiro Petronilho Alves e Elisabete Calmon Alves e é natural de Salvador, Bahia. Graduou-se em direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1968 e na mesma instituição concluiu especialização em Processo Civil em 1982. Em 1974, foi aprovada no concurso público para o cargo de procuradora da República, tendo exercido a função no estado de Pernambuco. Em 1976, foi promovida para a Subprocuradoria Geral da República. Tornou-se juíza federal após aprovação em concurso público em 1979 e atuou na seção judiciária da Bahia, integrando o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia entre 1983 e 1984 e sendo promovida ao cargo de desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em 1989. Em 30 junho de 1999, assumiu vaga como ministra do STJ pelo terço da magistratura, tornando-se a primeira mulher a ocupar um posto neste tribunal. Foi corregedora nacional de justiça e diretora da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados ministro Sálvio de Figueiredo (Enfam), entidade vinculada ao STJ que capacita juízes em todo o país. Aposentou-se em 18 de dezembro de 2013.

Atuação no STJ

Primeira mulher a ocupar uma cadeira no STJ, se destacou pela sua atuação firme e pela alta produção, tendo superado cem mil processos julgados, entre decisões monocráticas e levadas a sessão de julgamento. Algumas de suas declarações polêmicas chegaram a gerar críticas como a do presidente do STJ entre setembro de 2010 e outubro de 2012, Ari Pargendler, quando Calmon afirmou haver "bandidos de toga" no Judiciário. Entre seus casos de maior repercussão, está o processo no qual a ministra aumentou a indenização para um dos atingidos pelas calúnias no episódio do caso Escola Base em São Paulo. Outra questão relevante foi o pagamento de honorários de sucumbência para o Ministério Público. A ministra entendeu que o MP não deve receber os honorários em ações civis públicas, já que o órgão não paga esses valores no caso de ser a parte derrotada.

Corregedoria Nacional de Justiça

Entre setembro de 2010 e setembro de 2012, atuou como Corregedora-Geral da Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A atuação da magistrada foi marcada por denúncias contundentes, especialmente quando afirmou haver “bandidos de toga” na magistratura. Segundo Calmon, haveria uma infiltração de criminosos no Judiciário, que se escondiam atrás de suas posições. A ministra iniciou diversas investigações sobre evolução patrimonial de juízes e para esclarecer acusações de improbidade. Nesse período, ocorreu a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu várias liminar interrompendo medidas corretivas em andamento. O então presidente do STF e do CNJ, ministro Cezar Peluso, chegou a criticá-la publicamente numa moção de repúdio às declarações de Calmon. Entretanto, diversos grupos de magistrados, entidades políticas e setores da sociedade civil apoiaram a magistrada, como a Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados e o Tribunal de Justiça da Bahia.

Política

Após aposentar-se como ministra do STJ, foi candidata ao Senado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) da Bahia nas eleições de 2014. Recebeu 502.928 votos, porém não foi eleita, ficando em terceiro lugar na disputa. Em 2018, ingressou na Rede Sustentabilidade (REDE), mas deixou o partido no mesmo ano para apoiar o candidato Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições de 2018. Antes do segundo turno das eleições, assinou um manifesto a favor da campanha de Bolsonaro. Em maio de 2020, foi convidada pelo vereador bolsonarista Cezar Leite (PRTB), pré-candidato a prefeito de Salvador, para ser candidata na chapa como vice-prefeita, porém declinou do convite alegando razões profissionais.

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Homenagens e premiações

Imagem: STJNoticias · BY · Openverse

É cidadã honorária de diversos municípios e estados brasileiros, como a Paraíba e Sergipe. Também é cidadã honorária de Macapá (AP) e São Carlos (SP). Ela foi eleita pela revista Forbes a mulher mais influente do Brasil no segmento judiciário em 2005 e “A Mulher do Ano”, em 2006, pelo International Women´s Club da Bahia. A magistrada já recebeu diversas comendas e medalhas. Em 2010, recebeu a Comenda Maria Quitéria, concedida pela Câmara de Vereadores de Salvador (BA). Nesse mesmo ano, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)-Seccional Pará e a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ) a homenagearam pelos serviços prestados aos direitos do cidadão. Em 1997, Calmon foi admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Dama especial, sendo promovida em 2002 pelo mesmo ao grau de Comendadora. Em 2005, foi promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao grau de Grande-Oficial.

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Atividade literária

Imagem: STJNoticias · BY · Openverse

É cooautora com Uadi Lammêgo Bulos do livro "Direito Processual: Inovações e Perspectivas". O volume discute diversos temas como a reforma do Código de Processo Civil Brasileiro e controle externo da magistratura. Ela também colabora com artigos sobre temas jurídicos com várias revistas especializadas e jornais brasileiros de grande circulação. Além das atividades como magistrada, professora e diretora-geral da Enfam, a ministra Eliana Calmon é famosa por ser apaixonada por gastronomia e é tida como uma grande cozinheira. É autora do livro “REsp - Receitas Especiais” que já teve nove edições. O título faz um trocadilho com o instituto processual do Recurso Especial (REsp), que é um dos principais recursos de competência do STJ. Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos livros é revertido para obras sociais.

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