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Caso Escola Base

O caso Escola Base ocorreu em 1994, em São Paulo, no qual os proprietários de uma escola infantil foram acusados injustamente de abuso sexual, causando danos irreparáveis à sua reputação devido à cobertura precipitada da imprensa e à conduta da polícia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Caso

O caso Escola Base envolve o conjunto de acontecimentos ligados a essa acusação, tais como a cobertura parcial por parte da imprensa e a conduta precipitada e muito questionada por parte do delegado de polícia Edélcio Lemos, responsável pelo caso, que, supostamente, teria agido pressionado pela mídia televisionada e pelas manchetes de jornais. O caso foi arquivado pelo promotor Sérgio Peixoto Camargo por falta de provas. Em março de 1994, o ano letivo havia acabado de começar. Tudo corria normalmente até o dia em que Lúcia Eiko Tanoue e Cléa Parente de Carvalho notaram comportamentos estranhos em seus filhos, estudantes da instituição, e se dirigiram à delegacia para prestar queixa contra seis pessoas relacionadas ao colégio. De acordo com as mães, os donos da escola, Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, a professora Paula Milhim Alvarenga e seu esposo, Maurício Monteiro Alvarenga, o motorista da Kombi que levava as crianças para a escola, faziam orgias com as crianças de quatro anos de idade no apartamento de Saulo e Mara Nunes, pais de um dos alunos.

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Consequências

Imagem: abraji_ · BY-NC · Openverse

Até hoje, o caso é tema de estudos de faculdades e seminários de jornalismo, direito, psicologia, psiquiatria e ciências sociais como exemplo de calúnia, difamação, injúria e danos morais.

Vítimas

As pessoas acusadas no caso passaram a sofrer de doenças como estresse, fobia e cardiopatia, além de se isolarem da comunidade e perderem seus empregos. Em 1995, Icusiro, Maria, Paula e Maurício moveram uma ação por danos morais contra a Fazenda Pública do Estado. Eles ganharam as duas primeiras instâncias. O processo está em Brasília, aguardando a sentença final. Em 2007, Maria Aparecida Shimada, diretora da escola, morreu de câncer. Em 2014, seu marido e um dos proprietários da escola, Icushiro Shimada, morreu de infarto, em sua casa em São Paulo. Ele já tinha sofrido um infarto do miocárdio em 1994. Eles ainda aguardavam o pagamento de algumas indenizações.

Imprensa

Os órgãos de imprensa processados por danos morais são os seguintes: Em 2014, o STJ reduziu a condenação do SBT.

Imóvel

Logo após o ocorrido, o imóvel foi alugado com o objetivo de abrigar meninas da Fundação Casa até pouco tempo depois da virada do século. A casa foi demolida em 2008 junto com outras construções ao redor para dar lugar a um condomínio de edifícios residenciais.

Livros

Dois livros foram escritos narrando os acontecimentos e analisando os fatos. O primeiro foi lançado em 1995 com o título Caso Escola Base: os abusos da imprensa, tendo ganho o Prêmio Jabuti em 1996. O segundo, lançado em 2017, recebeu o título Escola Base. Um novo livro chamado O Filho da Injustiça escrito por Ricardo Shimada, filho de Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, foi lançado em 2023 e aborda, além das investigações, detalhes da sua vida com os pais antes, durante e após todo o ocorrido.

Documentários

Em 2004, o documentário Escola Base – Marco Histórico da Irresponsabilidade da Imprensa Brasileira foi produzido por então estudantes de jornalismo Paulo Ranieri, Thiago Domenici e Gustavo Brigatto, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em novembro de 2022, a Globoplay lançou o documentário Escola Base – Um Reporter Enfrenta o Passado, conduzido pelo repórter Valmir Salaro, que fez a cobertura do caso na época. O documentário foi elogiado pelo mea-culpa que o repórter fez 27 anos após o acontecido. Uma série documental com produção do Canal Brasil e disponibilizada no Globoplay foi lançada no dia 2 de junho de 2023.

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Fontes consultadas

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