Bahia
Bahia é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Banhada pelo Oceano Atlântico na costa mais extensa do país, está situada na Região Nordeste, onde representa a maior extensão territorial, a maior população, o maior produto interno bruto e o maior número de municípios. A capital estadual é Salvador. Além dela, há outros municípios influentes na rede urbana baiana, como as capitais regionais, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras, o bipolo Itabuna-Ilhéus e Juazeiro do bipolo com o município pernambucano de Petrolina.
O topônimo "Bahia" é uma referência à Baía de Todos os Santos, a qual deu o nome, originalmente, à Capitania da Baía de Todos os Santos. A capitania foi transformada, em 1821, em província. Em 1889, a Província da Bahia tornou-se o atual Estado da Bahia. "Bahia" é a grafia antiga para "baía", a qual se conservou, no Brasil, por uma questão de tradição. No entanto, na variante europeia da língua portuguesa, escrita em Portugal, a grafia também correta e usual é "Baía"; os dicionários portugueses como o da Porto Editora, o da Texto Editores e o da Academia de Ciências de Lisboa, que é o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, definem a palavra baiano como alguém que é originário do estado brasileiro da Baía, utilizando essa grafia. O gentílico "baiano", já supracitado, não conserva a ortografia antiga. Embora a grafia Bahia siga as regras gerais da atual ortografia da língua portuguesa, está registrada na quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia já estava consagrada como exceção no ponto 42 do Formulário Ortográfico de 1943:
Povos indígenas
Diversos estudos genéticos confirmam que os povos ameríndios descendem diretamente de grupos de caçadores-coletores asiáticos no leste da Sibéria que migraram para a América do Norte há cerca de 25 mil a 15 mil anos, e depois se espalharam por todo o continente americano, povoando-o. Na época da chegada dos europeus ao Brasil, em 1500, o que é hoje a Bahia era habitada por uma diversidade de povos indígenas. O litoral baiano e regiões próximas eram habitados pelos tupiniquins e tupinambás, cujos ancestrais chegaram ali, vindos da Amazônia, não muitos séculos antes. Já o interior semiárido e o oeste eram habitados por povos falantes de línguas macro-jê, como os cariris.
Período colonial
Em 22 de abril de 1500, a frota portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral desembarcou na região de Porto Seguro, no litoral sul baiano, sendo a primeira vez que, oficialmente, os europeus chegaram ao Brasil. Em 1º de novembro de 1501, a Baía de Todos-os-Santos foi avistada pelos europeus pela primeira vez, pela expedição portuguesa de Américo Vespúcio. Nos trinta anos seguintes, a região foi explorada por outros europeus, ao mesmo tempo que Portugal não dava importância ao território baiano, extraindo dali apenas o pau-brasil. O primeiro europeu a se fixar de forma definitiva no território brasileiro e a prosperar em uma comunidade indígena no Brasil foi o português Diogo Álvares Corrêa, apelidado de “Caramuru” pelos ameríndios, sobrevivente de um naufrágio na costa do recôncavo da Bahia em 1509. Caramuru tornou-se uma espécie de chefe indígena na região, casando-se com Catarina Paraguaçu, filha do Cacique Taparica. Em 1511, já havia uma feitoria na Baía de Todos-os-Santos; não somente o Caramuru, como alguns outros degredados, náufragos e desertores ibéricos e franceses se casaram com as indígenas e deram origem às mais antigas famílias da Bahia e do Brasil. O pau-brasil também movimentou contrabandistas franceses, que chegaram a conquistar a credibilidade dos indígenas.
Império
Em 1798, com inspiração nas ideias iluministas, Revolução Francesa e Inconfidência Mineira, eclodiu em Salvador a Conjuração Baiana, a qual lutava pela independência da Bahia e o fim da escravidão e da colonização, contando com forte apoio e participação popular. A repressão por parte da Coroa Portuguesa foi muito dura.. Em janeiro de 1808, fugindo das Guerras Napoleônicas, a Corte Portuguesa se transferiu para o Brasil, inicialmente se fixando em Salvador, onde decretou a abertura dos portos às nações amigas. Em março, a corte se dirigiu para o Rio de Janeiro. Em fevereiro de 1822, as cortes portuguesas trocaram o baiano Freitas Guimarães, governador das Armas da Bahia, pelo português Madeira de Melo. Com isso, os baianos se insurgiram, iniciando as lutas pela independência da Bahia, que envolveram Salvador, Recôncavo e o interior e foram concluídas em 2 de julho de 1823, quando as tropas portuguesas se renderam e, assim, a Bahia se integrou ao Brasil.
República
Em 16 de novembro de 1889, apesar da resistência monarquista, a República foi proclamada na Bahia pelo coronel Frederico Cristiano Buys, comandante do forte de São Pedro, e a Bahia se tornou um Estado dentro de um Brasil regido por uma república federal. Os primeiros anos de República na Bahia foram marcados por administrações estaduais curtas – o primeiro governador, Virgílio Clímaco Damásio, governou por apenas cinco dias – e uma situação politicamente instável e agitada. Em 1891, foi promulgada a primeira constituição estadual e, no ano seguinte, tomou posse o primeiro governador escolhido pelo eleitorado baiano, Rodrigues Lima, que governou até 1896.
O relevo do estado se individualiza pela existência de planícies e mangues, na costa (Planícies e Tabuleiros Costeiros); depressão, nas partes norte e oeste (Depressão Sertaneja e do São Francisco); chapadas (como a Diamantina) e planaltos, no centro; e serras, a sul e a oeste (Planaltos e Serras de Leste-Sudeste). A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco compreende o oeste baiano e nela se encontra implantada a enorme represa de Sobradinho. Os rios da porção leste do estado correm diretamente para o mar, pertencendo às Bacias Costeiras do Nordeste Oriental. Além do São Francisco, os rios das Contas, Capivari, Paraguaçu, Itapicuru e Jequitinhonha incluem entre os mais importantes da Bahia. O clima baiano oscila conforme a região do estado, sendo majoritariamente tropical, com inverno seco e verão úmido. Na costa, predomina o clima tropical litorâneo úmido, cujas chuvas estão concentradas no inverno. No norte, tem um clima tropical semi-árido, tendo propensão a seco pela má distribuição da ação das massas de ar. O índice pluviométrico oscila muito em toda a Bahia. No cinturão costeiro e no oeste, se encontra de 1 500 mm a 2 000 mm ao ano. Em boa parte do interior, varia entre 750 mm e 1 500 mm anuais. No norte, a precipitação média não ultrapassa 750 mm anuais. A temperatura média anual também se modifica muito, sendo mais cálido no norte e na costa. Nessas regiões, a média anual varia de 24ºC a 28ºC; no resto do estado, prevalecem temperaturas de 18ºC a 24ºC.
Localização, limites, área territorial e pontos extremos
Situada no sul da Região Nordeste, a Bahia limita-se com outros oito estados brasileiros — é o estado brasileiro que mais faz divisas: com Minas Gerais a sul, sudoeste e sudeste; com o Espírito Santo a sul; com Goiás a oeste e sudoeste; com Tocantins a oeste e noroeste; com o Piauí a norte e noroeste; com Pernambuco a norte; e com Alagoas e Sergipe a nordeste. A leste, é banhada pelo Oceano Atlântico por 1 183 quilômetros, o que torna seu litoral o mais extenso de todos os estados do Brasil. Ocupa uma área de 564 760,429 km², sendo pouco maior que a França e o quinto estado brasileiro em extensão territorial. Com tal dimensão, possui 36,334% da área total da Região Nordeste do Brasil e 6,632% do território nacional. E de sua área total, cerca de 70 por cento situam-se na região do semiárido e 57,19% de seu território, dentro do polígono das secas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Geomorfologia
Cerca de setenta por cento do território do estado se localizam de 300 a 900 m e 23% inferiores a 300 m. O quadro morfológico abrange três unidades: a baixada litorânea, o rebordo do planalto e o planalto. A baixada litorânea é um bloco de terras localizadas aquém de 200 m de altitude. Elevam-se aí, predominando as praias e os areões da orla litorânea, solos de aspecto tabular, os denominados tabuleiros areníticos. Para o interior, esses terrenos dão lugar a um cinturão de colinas e morros argiláceos, de terreno maciço, razoavelmente produtivo, principalmente no Recôncavo, onde se localiza o conhecido massapê baiano. Tanto o cinturão dos morros e colinas como a dos tabuleiros são atravessadas diagonalmente pelos rios que correm do planalto; no decorrer deles prolongam-se grandes planícies aluviais (várzeas) vulneráveis a cheias que lhes revitalizam diariamente os terrenos com o assentamento de novos aluviões.
Clima, hidrografia, flora e fauna
Três tipos climáticos aparecem na Bahia: o clima cálido e chuvoso sem estação seca, o clima tórrido e orvalhado com estação seca de inverno e o clima semi-árido quente, reconhecidos no sistema de Köppen pelos símbolos Af, Aw e BSh, nesta ordem. O primeiro predomina no decorrer do litoral, com temperaturas médias anuais de mais de 23 °C e totais pluviométricos acima de 1.500 mm. O segundo identifica todo o interior, exceto a porção norte e do vale do São Francisco. Possui temperaturas médias anuais que oscilam entre 18 °C nas regiões mais altas e 22 °C nas zonas mais rebaixadas, e totais pluviométricos similares a mil milímetros. O terceiro tipo climático se encontra no norte do estado e no vale do São Francisco. As temperaturas médias anuais ultrapassam 24 °C e mesmo 26 °C, no entanto, a pluviosidade está abaixo de 700 mm.
Conservação ambiental
Segundo dados de 2002, existiam 128 unidades de conservação (UC) cadastradas no estado, que são instituídas por legislações federais, estaduais ou municipais. Dessas, destaca-se a quantidade de áreas de proteção ambiental (APA), 36 ao todo, por ser uma categoria de UC em que a adequação e orientação às atividades humanas são mais flexíveis. Há, ainda, a categoria de reserva particular do patrimônio natural (RPPN), que aparece como opção de preservação em propriedade privada e totaliza 46 unidades. As áreas preservadas baianas cobrem os diferentes biomas presentes no estado: cerrado, caatinga e floresta (Mata Atlântica). Esta última conta com maior percentual de unidades de conservação, devido ao divulgado estado de fragmentação e degradação.
A população estimada da Bahia em 2024 pelo IBGE era de 14 850 513. Já no censo demográfico de 2022, a população do estado era de 14 141 626 habitantes, o que lhe conferia uma densidade demográfica de 25,04 hab./km², sendo a Unidade Federativa mais populosa da Região Nordeste do Brasil e a quarta mais populosa do Brasil, abrigando 6,96% da população brasileira. Ainda segundo o censo 2022, a população baiana é composta por 51,66% de mulheres e 48,34% de homens e, quanto à situação de residência, 76,72% da população residia em zonas urbanas e 23,28% em zonas rurais. O Índice de Desenvolvimento Humano da Bahia é considerado médio conforme o PNUD. Segundo o último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em 2013, com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,660, estando na 22.ª colocação ao nível nacional e na quinta ao regional. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,663 (4.º), o do valor de renda é 0,663 (22.º) e o de educação é de 0,555 (25.º). O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,49 e a incidência da pobreza de 43,47%. A taxa de fecundidade da Bahia é de 2,05 filho por mulher, uma das mais baixas do Brasil.
Religião
Segundo o censo 2022, da população baiana com 10 anos ou mais de idade, 7 002 933 (56,98%) se declararam como católicos, 2 869 362 (23,35%) como evangélicos, 1 586 137 (12,91%) como sem religião, 123 375 (1%) como espíritas, 123 322 (1%) como umbandistas e candomblecistas, 25 173 (0,2%) não souberam ou não declararam sua fé e 559 166 (4,55%) como outras religiões. O catolicismo é a religião dominante no estado. Em Salvador, foi erguida a primeira igreja católica em solo brasileiro, graças a Catarina Paraguaçu, onde hoje é o bairro da Graça. A capital baiana possui centenas de templos católicos, sendo, a cidade, a sede do governo católico no país, morada do Arcebispo Primaz. A padroeira do estado é Nossa Senhora da Conceição da Praia, cujo templo é alvo de culto. Apesar disso, o mais famoso culto no estado é o culto ao Senhor do Bonfim, que é considerado popularmente como padroeiro. Possui, ainda, o centro de peregrinação de Bom Jesus da Lapa, alvo de romarias anuais, além das igrejas seculares do Recôncavo, com suas novenas. Possui a Arquidiocese de São Salvador da Bahia, a Arquidiocese de Vitória da Conquista, Arquidiocese de Feira de Santana. Dentro do catolicismo baiano, as figuras das freiras Joana Angélica, Irmã Dulce (primeira santa nascida no Brasil) e Irmã Lindalva.
Composição étnica, migração e povos indígenas
Segundo o censo 2022, a população baiana assim declarou sua cor ou raça: 57,31% pardos, 22,38% pretos, 19,61% brancos, 0,59% indígenas e 0,11% amarelos. A Bahia é o estado com a maior porcentagem de população autodeclarada preta do Brasil. Segundo o censo de 2010, da população baiana, 99,93% eram brasileiros (99,91% natos e 0,02% naturalizados) e 0,07% estrangeiros. Dentre os brasileiros, 0,25% naturais do Sul, 96,34% do Nordeste (93,64% do próprio estado), 2,64% do Sudeste, 0,28% do Centro-Oeste e 0,10% do Norte. Entre os estados de origem dos imigrantes, o Distrito Federal possuía o maior percentual de residentes (5,11%), acompanhado por Espírito Santo (4,42%), São Paulo (4,13%), Goiás (3,64%), Sergipe (3,39%) e Rondônia (2,43%).
Hierarquia urbana e regiões metropolitanas
Além de suas funções de capital político-administrativa porto e pólo industrial a cidade de Salvador também atua como megalópole regional de um grande território abrangendo quase todo o território baiano e também todo o estado de Sergipe e o extremo sul do Piauí. Somente as regiões norte e sul ligadas a Recife, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, nessa ordem, ficam fora do domínio da influência econômica de Salvador. No entanto, sob sua influência direta está somente o Recôncavo. As cidades mais importantes do estado atuam como outros vários pólos econômicos, principalmente no sertão. Constituem elas: Feira de Santana, nos arredores do Recôncavo; Itabuna e Ilhéus, na região cacaueira; Jequié e Vitória da Conquista, no altiplano; e Juazeiro, à beira meridional do São Francisco. Demais cidades principais constituem Alagoinhas, Paulo Afonso, Itamaraju, Camaçari, Bom Jesus da Lapa, Jacobina e Valença.
Integrante da federação brasileira, é uma unidade federativa autônoma, sob os limites da constituição federal, com os três poderes próprios (executivo, judiciário e legislativo), além do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), eleições diretas periódicas para cargos do executivo e legislativo, símbolos oficiais e data magna estabelecidas na Constituição estadual de 1989. A capital estadual é o município de Salvador, e Cachoeira é a segunda capital do estado, de acordo com a Lei Estadual 10.695 de 2007, que estabeleceu que todos os anos, no dia 25 de junho, o governo estadual é transferido para a cidade, em reconhecimento histórico pelas lutas na Independência da Bahia. A história da política no estado brasileiro da Bahia confunde-se, muitas vezes, com a política do país — e boa parte dela equivale à mesma, uma vez que Salvador, por muitos anos, foi a capital da Colônia. Contando sempre com expoentes no cenário político nacional, a Bahia é um dos mais representativos estados da federação. Durante o período imperial, contou com diversos primeiros-ministros; na fase republicana, estiveram à frente de vários movimentos nacionais baianos como Rui Barbosa, Cezar Zama, Aristides Spínola e outros.
Governo
O Poder Executivo baiano é exercido pelo governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto pela população para mandatos de até quatro anos de duração, podendo ser reeleito para mais um mandato. A atual sede é o Palácio de Ondina, situado no bairro de Ondina, desde 1967. Antigamente, a sede do governo baiano era o Palácio Rio Branco, localizado na Praça Municipal, e foi construída em 1549 (ano da fundação da cidade de Salvador, em 1549) tornando-se sede do governo e residência oficial do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa. Em janeiro de 1908, foi transformada em residência oficial dos governadores do estado. Depois do Palácio Rio Branco, a sede do governo baiano foi o Palácio da Aclamação, localizado no bairro do Campo Grande, até ser estabelecida a atual sede.
Eleições e partidos
O sistema eleitoral na Bahia repete o nacional. Os mandatos eletivos duram quatro anos, e as eleições estaduais e federais alternam com as municipais a cada dois anos. O eleitorado baiano é composto por 10 110 100 votantes, segundo dados referentes às eleições de 2012, o que representa o quarto maior colégio eleitoral do país. Sua capital, Salvador, é o município com maior número de eleitores (1 881 544), seguido de Feira de Santana (373 753) e Vitória da Conquista (215 299). O município com menor número de eleitores é Lajedinho, com 3 027. Tratando-se sobre partidos políticos, todos os partidos políticos brasileiros possuem representação no estado. Conforme informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base em dados de abril de 2016, o partido político com maior número de filiados na Bahia é o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), com 94 518 membros, seguido do Democratas (DEM), com 90 106 membros e do Partido dos Trabalhadores (PT), com 84 525 filiados. Completando a lista dos cinco maiores partidos políticos no estado, por número de membros, estão o Partido Progressista (PP), com 73 386 membros; e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com 64 477 membros. Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o Partido Novo (NOVO) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) são os partidos políticos com menor representatividade na unidade federativa, com 24 e 275 filiados, respectivamente.
A Bahia, assim como todos os outros estados brasileiros, está politicamente dividida em municípios. Ao total, existem 417 municípios baianos, o que torna a Bahia o quarto maior estado segundo a quantidade de municípios. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divide as unidades federativas do Brasil em regiões geográficas intermediárias e regiões geográficas imediatas para fins estatísticos de estudo, agrupando os municípios conforme aspectos socioeconômicos. As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões. A divisão de 2017 teve o objetivo de abranger as transformações relativas à rede urbana e sua hierarquia ocorridas desde as divisões passadas, devendo ser usada para ações de planejamento e gestão de políticas públicas e para a divulgação de estatísticas e estudos do IBGE. Deste modo, há 10 regiões geográficas intermediárias e 35 regiões geográficas imediatas no estado.
A Bahia responde por quase trinta por cento do produto interno bruto do Nordeste brasileiro e por mais da metade das exportações da região. É o sétimo estado brasileiro que mais produz riqueza. A economia do estado baseia-se na indústria (química, petroquímica, informática, automobilística e suas peças), agropecuária (mandioca, grãos, algodão, cacau e coco), mineração, turismo e nos serviços. Existe o importante Polo petroquímico de Camaçari, onde funciona, entre outros empreendimentos, a montadora Ford, estando o complexo industrial localizado na cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, e que foi a primeira indústria automobilística a se instalar na região, em 2001. As atividades agropecuárias ocupam cerca de setenta por cento da população ativa do estado. Um bom indicador de suas atividades econômicas é sua pauta de exportação, composta, no ano de 2012, principalmente por petróleo refinado (18,77%), pastas químicas de madeira à soda ou sulfato (10,82%), soja (8,33%), algodão cru (6,32%) e farelo de soja (4,36%).
Setor primário
No setor primário, a agricultura está dividida em grande lavoura comercial, a pequena lavoura comercial e a agricultura de subsistência. O estado se destaca na produção de algodão, cacau, soja e frutas tropicais como coco, mamão, manga, banana e guaraná, além de também produzir cana-de-açúcar, laranja, feijão e mandioca, entre outros. A grande lavoura está baseada há décadas nas culturas da cana-de-açúcar (onde é integrada com modernas usinas) e cacau, e mais atualmente, na soja e no algodão. Entre as pequenas culturas comerciais, a mandioca, o coco-da-baía, o fumo, o café, o agave, a cebola, dendê (e consequente azeite de dendê) são as produções em destaque. As culturas de subsistência estão em todo o território, sendo que a cultura da mandioca é a mais importante, seguida pelo feijão, o milho, o café e a banana. O estado é conhecido por ter uma baixa qualidade nas condições de trabalho, por usar sistemas arcaicos de produção (extrativistas e semiextrativistas) e por explorar excessivamente a mão de obra.
Setor secundário
A Bahia tinha em 2018 um PIB industrial de R$ 54,0 bilhões, equivalente a 4,1% da indústria nacional e empregando 364.603 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: Construção (23,3%), Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (17,5%), Derivados de Petróleo e Biocombustíveis (16,2%), Químicos (10%) e Alimentos (4,5%). Estes 5 setores concentram 71,8% da indústria do estado. A indústria é relativamente bem distribuída, abrigando os mais mais variados segmentos desse setor. Representa uma grande força econômica no estado. Está voltado para os setores da química e petroquímica, agroindústria, informática, automobilística e suas peças, alimentos, mineração, borracha e plástico, metalurgia, couro e calçados, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, energia eólica, celulose e papel e bebidas. Na região Metropolitana de Salvador, estão concentradas a maioria das indústrias no Polo Industrial de Camaçari, maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul e que já nasceu planejado na década de 1970, cujo foco inicial era o setor petroquímico e com o passar dos anos diversificou sua produção. Em relação ao valor de transformação industrial, a Bahia saltou da nona para a sexta posição no ranqueamento nacional em 2005. Há municípios do interior que se destacam por ser um grande polo produtivo, como de bebidas em Alagoinhas; papel e celulose em Eunápolis e Mucuri; calçados em Itapetinga, Serrinha e Amargosa; agroindústria em Juazeiro etc.
Setor terciário
O turismo é uma destacada atividade econômica baiana, uma vez que o setor é responsável por 7,5% do produto interno bruto (PIB) estadual e emprega uma cadeia gigantesca que engloba os estabelecimentos do setor do turismo, como hotéis, bares, restaurantes e agências de viagem. No cenário nacional, o turismo baiano tem a fatia de 13,2% do PIB turístico nacional, a segunda maior porcentagem. Foram 5,29 milhões de turistas brasileiros e 558 mil turistas estrangeiros que visitaram o estado em 2011. O estado é um dos principais destinos turísticos do Brasil, sendo o estado que mais recebe turistas na região Nordeste, com um fluxo de 11 milhões de visitantes em 2011, segundo estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Além da ilha de Itaparica e Morro de São Paulo, há um grande número de praias entre Ilhéus e Porto Seguro, na costa sul. O litoral norte, na área de Salvador, esticando para a beira com Sergipe, transformou-se num destino turístico importante, o qual ficou conhecido como Linha Verde. A Costa do Sauípe se destaca como o maior complexo de hotéis-resorts do Brasil. No ecoturismo, se destaca a Chapada Diamantina. Na região, está o melhor roteiro turístico do país, localizado no Vale do Pati (Lençóis), segundo apontou o Ministério do Turismo em 2010. Nele, cerca de 500 mil turistas, brasileiros e estrangeiros, passam anualmente.
Saúde
A saúde na Bahia não é das melhores do país: problemas típicos da saúde brasileira ocorrem no estado. Algumas doenças têm altos índices de doentes, como o câncer de mama, que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, atinge cerca de dois mil novos casos anualmente. Apesar disso, certas práticas que poderiam salvar muitas vidas não são comuns no estado, a exemplo da doação de órgãos. 60% das famílias baianas se recusam a doar órgãos de parentes, índice bem maior do que a média nacional, que é de 25%. Entre as doenças mais comuns, estão a dengue e a meningite, as quais estão alastrando-se por todo o território baiano e não apenas infectam os baianos, mas também provocam a morte.
Educação
A Bahia possui um longo histórico na área de educação, desde os primeiros jesuítas que já no século XVI instalaram escolas em Salvador, então a capital da Colônia. Educadores de renome como Abílio Cezar Borges, Ernesto Carneiro Ribeiro e Anísio Teixeira capitanearam o proscênio educacional do país. A escola pública na Bahia é basicamente estadual e municipal, sendo que o município tem uma preocupação maior com a ensino fundamental (primeira à quarta série) e o governo estadual com a educação fundamental também, mas só da quinta à oitava série, além do ensino médio. O governo federal tem pouca participação na formação direta da população, porém, muitos recursos utilizados por estas instituições escolares são provenientes dos fundos federais. Atualmente, a Bahia conta com doze universidades, sendo quatro públicas estaduais (UNEB, UEFS, UESB e UESC), seis públicas federais (UFBA, UFRB, UNIVASF, UNILAB, UFSB e UFOB) e duas privadas (UCSal e UNIFACS), além dos institutos federais, o IFBA e o IF-BAIANO.
Energia
A cachoeira de Paulo Afonso, no limite com Alagoas, cuja descarga média é de 5 000 metros cúbicos por segundo, abastece as quatro usinas da CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), Paulo Afonso I, II, III e IV. Com um potencial somado de 3.501.800kW, vendem energia para todo o Nordeste. A Usina Hidrelétrica Pedra do Cavalo (1983) está localizada no trecho superior das cidades gêmeas de São Félix e Cachoeira, a 110 quilômetros da capital, e foi erguida com dinheiro do Programa de Valorização da Água do Rio Paraguaçu. Além de produzir energia, assegura: água potável para Salvador e Feira de Santana; água bruta para complexos industriais, como Aratu e Camaçari; términos das cheias diárias em cidades ao longo dos rios; e soluções para a questão do assoreamento ― o rio antes novamente navegável. A barragem (143m) constitui uma das mais elevadas da América do Sul.
Transportes
Feira de Santana é o eixo polarizador do sistema rodoviário estadual e é por onde passam as vias principais: a BR-242, que liga Salvador ao oeste baiano e à capital federal; a BR-101, de sentido norte/sul, com traçado paralelo ao litoral; a BR-116, que liga a metrópole ao sudoeste; além da BR-324, que liga Feira de Santana a Salvador. Outras rodovias estaduais e federais atendem ao tráfego de longa distância ou atendem às sedes dos municípios, fazendo parte de um sistema combinado que se complementa a exemplo da BR-110, BR-415, BR-407, BA-052, BA-099 e BA-001 (essas duas últimas são rodovias estaduais litorâneas). A Bahia conta com quatro portos, sendo o de Aratu, o de Ilhéus e o de Salvador marítimos e o de Juazeiro fluvial. O de Ilhéus é o maior exportador de cacau do Brasil e também grande importador. Na cidade, também está em processo de construção o Porto Sul, com a expectativa de ser um dos maiores portos do Brasil em movimentação de cargas.
Serviços e comunicações
A empresa de energia elétrica, que compreende o estado da Bahia, constitui a Neoenergia Coelba e os serviços de abastecimento e venda de gás canalizado no estado da Bahia são realizados pela Companhia de Gás da Bahia. O estado conta com outros serviços básicos. Na Bahia, existem várias empresas responsáveis pelo abastecimento de água. Em boa parte dos municípios baianos, a empresa responsável por água e saneamento básico (esgoto) é a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Outros municípios são abastecidos por outras empresas ou por empresas do próprio município — um exemplo ocorre em Juazeiro, na região norte do estado, cuja empresa responsável pelo abastecimento de água é o Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE).
Segurança pública e criminalidade
As mais importantes unidades militares sediadas na Bahia são: no Exército Brasileiro, a Bahia pertence ao Comando Militar do Nordeste, se encontrando localizada em Salvador a matriz da 6.ª Região Militar, assim como o 19.° Batalhão de Caçadores; na Marinha do Brasil, em Salvador se encontra a matriz do 2.° Distrito Naval, bem como a Base Naval de Aratu, a Escola de Aprendizes de Marinheiros, dissolvida em 1973, e o Hospital Naval; Na Força Aérea Brasileira, a Bahia faz parte do Cindacta III, merecendo destaque no estado a Base Aérea de Salvador e o 1.º Esquadrão do 7.° Grupo de Aviação (São Cristóvão), em Salvador. Segundo a Constituição Federal de 1988 e a Estadual de 1989, os órgãos reguladores da segurança pública no estado da Bahia são a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Pol. Civil.
Diferentemente da satirização feita pelos grandes meios de comunicação, o dialeto falado na Bahia, segundo alguns linguistas, seria parte integrante do grupo sulista, sendo, portanto, um dialeto próprio, não fazendo parte dos dialetos do nordeste. Algumas de suas gírias soam estranhas para outras regiões do país, como os famosos oxente, massa (no sentido de coisa boa) e aonde (utilizado para negar uma frase). No campo do artesanato da Bahia, destacam-se a cerâmica decorativa, marca da influência indígena, a renda de bilros e outros tipos de bordados, bonecas de pano, os santeiros e carrancas, objetos feitos de couro, metal, pedras e os destinados à cozinha, como o pilão e gamela. Alguns museus da Bahia são: Museu Afro-Brasileiro, Museu de Arte da Bahia, Museu de Arte Moderna da Bahia, Memorial dos Governadores Bahia, Museu Carlos Costa Pinto, Museu Henriqueta Catharino, Fundação Casa de Jorge Amado e Museu Geológico da Bahia. No interior do estado, destacam-se: o Museu Histórico de Jequié, com um importante acervo sobre a história e cultura da região sudoeste; o Museu do Recolhimento dos Humildes em Santo Amaro, de arte sacra; a Fundação Hansen Bahia, em Cachoeira; e o centro cultural Dannemann, em São Félix, com sua Bienal do livro do Recôncavo.
Culinária
A culinária da Bahia é uma das mais diversificadas do Brasil, com muitas variações, desde a culinária sertaneja, até a mais conhecida, que é aquela produzida no Recôncavo e em todo o litoral da Bahia — praticamente composta de pratos de origem africana, diferenciados pelo tempero mais forte, à base de azeite de dendê, leite de coco, gengibre, frutos do mar, pimenta de várias qualidades e muitos outros que não são utilizados em outros estados do Brasil. Essa culinária, porém, não chega a representar 30% do que seus habitantes consomem diariamente. As iguarias dessa vertente africana da culinária estão reservadas, pela tradição e hábitos locais, às sextas-feiras (como por exemplo a moqueca, vatapá, caruru, xinxim de galinha) e às comemorações de datas institucionais, religiosas ou familiares. No dia a dia, o baiano alimenta-se de pratos herdados da vertente portuguesa, ou então de pratos no que se costuma chamar de "culinária sertaneja". São receitas que não levam o dendê e ingredientes como frutos do mar por exemplo, que é muito presente na culinária afro-baiana.
Entidades culturais, museus e bibliotecas
Entre as diversas instituições culturais presentes no estado estão a o Gabinete Português de Leitura, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, a Associação Baiana de Medicina, a Associação Baiana de Imprensa, as seções baianas da Associação Brasileira de Escritores e da Ordem dos Advogados. Dentre as bibliotecas da capital merecem destaque a Universidade Federal da Bahia, a Biblioteca Pública do Estado, o Mosteiro de São Bento, a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, a Biblioteca Teixeira de Freitas e a Biblioteca do Departamento Estadual de Estatística, da Petrobras e das entidades culturais supramencionadas. Muitas cidades do interior possuem pequenas bibliotecas públicas.
Arquitetura
O mais importante atrativo de Salvador está em sua arquitetura, constituída por igrejas, fortalezas, palácios e tradicionais solares. Do total de 165 igrejas, as mais notáveis são a catedral (1656); de Nossa Senhora da Conceição da Praia (1739-1765); a igreja (1708-1750) e o Convento de São Francisco (1587), Possui uma riqueza de talha dourada e azulejaria portuguesa, a igreja da Ordem Terceira de São Francisco (1703) e a igreja do Senhor do Bonfim (1745-1754). Entre as muitas fortalezas, os mais importantes de Salvador são a fortaleza e farol de Santo Antônio da Barra (1598), a de São Marcelo (século XVII), a do Barbalho ou de Nossa Senhora do Monte do Carmo (1638) e a de Monte Serrat. Entre os palácios destacam-se o paço arquiepiscopal da Sé, o do Saldanha e o solar do conde dos Arcos.
Feriados e festividades
Na Bahia, ocorrem várias festas durante o ano todo. As principais são a Lavagem do Senhor de Bonfim, o Carnaval da Bahia e as diversas micaretas que ocorrem no ano todo sendo este evento momesco fora de época uma criação baiana. Há também a Festa junina São João com destaque para a cidade de Cruz das Almas (onde acontece a tradicional guerra de espadas) e Irecê que todos os anos trazem grandes atrações da música brasileira. Ainda tem a tradicional Vaquejada de Serrinha, que acontece sempre junto ao feriado de 7 de setembro. Em Salvador, acontece sempre, no começo do ano, o Festival de Verão de Salvador. Em Vitória da Conquista, durante o inverno, acontece o Festival de Inverno Bahia.
Literatura
Escritores baianos possuem relevância histórica ao aparecerem como representantes maiores do Barroco no Brasil: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira e Frei Itaparica. Na Bahia, apareceram, também, as primeiras academias literárias no país: a Academia dos Esquecidos (1724-1725) e a Academia Brasílica dos Renascidos (1759). Cabe salientar que, na época, havia os cronistas-mor nomeados pelo rei de Portugal e que as academias eram tidas como seguidoras da moda das academias em Portugal mas também representariam algum tipo de sentimento nativista do meio intelectual, já bastante desenvolvido em território baiano. No período mais recente, temos uma Bahia pródiga de autores imortais, como Castro Alves, Adonias Filho, Jorge Amado, e João Ubaldo Ribeiro. Os dois últimos são autores excepcionais, de literatura fácil e rica de detalhes sobre a Bahia. São, ao mesmo tempo, radiografias da vida no estado. No entanto, ao se falar em romances, a "produção" está reduzida, restringe-se a pequenos versos e passagens que remontam o estilo medieval e a famosos romances, como o Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, publicado em 1958. A obra é um retorno ao ciclo do cacau, entrando no universo de coronéis, jagunços e prostitutas que desenham o horizonte da sociedade cacaueira da época.
Cinema
O cinema na Bahia é promovido e incentivado pela Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (DIMAS), além da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV / ABD-BA), membro da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas. Na Bahia, ocorrem vários festivais e encontros de cinema e cineclubismo, entre eles: Bahia Afro Film Festival, em Salvador; Encontro Baiano de Animação, em Salvador. Feira Mostra Filmes, em Feira de Santana; Festival Brasilidades, em Feira de Santana; Festival Nacional de Vídeo — A Imagem em 5 Minutos, em Salvador; FIM! — Festival da Imagem em Movimento, em Salvador; Jornada Internacional de Cinema da Bahia, em Salvador; Mostra Cinema Conquista, em Vitória da Conquista; Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, em Salvador; e Vale Curtas — Festival Nacional de Curtas-Metragens do Vale do São Francisco, em Juazeiro e Petrolina.


