Antonio Benetazzo
Antonio Benetazzo foi um líder estudantil e artista plástico ítalo-brasileiro, que participou da luta armada contra ditadura militar brasileira.
Imagem: Comissão da Verdade do Estado de São Paulo · BY · Openverse
Antonio Benetazzo nasceu em Verona, no dia 1 de novembro de 1941. Filho de Pietro Benetazzo e Giulietta Sguazzardo Benetazzo, o ex-militante se mudou para o Brasil em 1950, ainda criança, aos nove anos de idade. Na cidade de Caraguatatuba e São Sebastião, ambas no litoral norte paulista, fez seus estudos ginasianos. Benetazzo cursou o colegial na cidade de Mogi das Cruzes e lá já fez parte do grêmio estudantil da escola, o que mostrou, portanto, grande interesse e engajamento por assuntos políticos. Quando completou 21 anos (1962) ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nessa época, Benetazzo cursava Arquitetura e Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e era considerado muito inteligente por seus colegas de faculdade. Na instituição educacional, o adolescente comandou o Centro Acadêmico do curso de filosofia. No partido, o jovem estudante começou a participar do setor estudantil, onde se destacou quando atuou nos movimentos políticos e culturais. Agiu, sobretudo, nos movimentos promovidos pelo Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Imagem: Núcleo de Preservação da Memória Política · CC0 · Openverse
Não é a toa que Antonio Benetazzo foi professor de artes e história. Além de política, o militante também passou a se dedicar às artes. A pintura e a fotografia eram suas paixões. Na área cultura, Benetazzo também participava e promovia diversas atividades. O jovem também era conhecido como Benê, um dos criadores de O Amanhã, uma publicação alternativa que nasceu durante a ditadura militar brasileira. O jornal também foi um dos precursores da imprensa nanica. A sétima arte também foi um de seus fortes. Benê participou do filme Menina Moça, de Franscisco Ramalho Júnior, como ator. Além disso, ele foi cenógrafo em Anuska, Manequim e Mulher, de 1968. Francisco Cuoco, Jairo Arco e Flecha, Ruthinéia de Moraes e Marília Branco fizeram parte do elenco. Antonio também foi responsável por fazer a capa do primeiro livro de Mário Prata, o Morto que Morreu de Rir. A obra foi publicada no ano de 1969. A revista Teoria e Debate, do Partido dos Trabalhadores (PT) teve uma capa com uma das pinturas de Benê.
Imagem: Comissão da Verdade do Estado de São Paulo · BY · Openverse
No dia 28 de outubro de 1972, Antonio Benetazzo foi preso. Isso porque ele entrou na casa de um amigo, o militante político Rubens Carlos Costa, que morava na Vila Carrão, na zona leste da cidade de São Paulo. Segundo as autoridades brasileiras, aquela residência era uma espécie de sede do Molipo. Depois de preso, Benê foi levado ao Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna DOI-CODI/SP, onde foi torturado por dois dias seguidos (28 e 29 de outubro). A morte, no dia 30, foi consequência das agressões sofridas por ele. Apesar disso, o Exército brasileiro deu outra versão. No dia 2 de novembro de 1972, o motivo da morte de Antonio foi publicado no Diário da Noite. Nela, as autoridades públicas alegaram que Benê foi se encontrar companheiros guerrilheiros do Molipo no bairro do Brás, em São Paulo. Por esse motivo, os agentes decidiram prendê-lo e levarem à rua João Boemer, onde teriam outros guerrilheiros, mas ele teria fugido e sido atropelado por um caminhão.


