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Alexandre Vannucchi Leme

Alexandre Vannucchi Leme foi um líder estudantil brasileiro. Foi assassinado no contexto de sua oposição à ditadura militar.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Biografia

Imagem: Comissão da Verdade do Estado de São Paulo · BY · Openverse

Alexandre Vannucchi Leme nasceu em 5 de outubro de 1950, em Sorocaba (SP), filho dos professores José de Oliveira Leme e Egle Maria Vannucchi Leme. De família católica, sua mãe tinha um irmão padre e três irmãs religiosas, Alexandre era o mais velho dentre os seis irmãos, as meninas Maria Regina, Maria Cristina, Miriam e Beatriz, e o menino José Augusto. Teve uma vida escolar exemplar em Sorocaba e Itu (SP). Cursava o quarto ano de Geologia da Universidade de São Paulo (USP) quando foi preso pelos agentes do DOI-CODI/SP, durante o período do regime militar, conhecido como anos de chumbo. Alexandre foi morto aos 22 anos, em 17 de março de 1973. Sobrinho do então padre Aldo Vannucchi, que fora assistente da Juventude Operária Católica e preso no início da ditadura militar.

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Militância estudantil

Imagem: DCEUSP · BY · Openverse

Em 1973, Alexandre Vannucchi Leme cursava o quarto ano de Geologia na USP. Ótimo aluno, foi o primeiro colocado no vestibular, participava do movimento estudantil, era o representante dos estudantes na Congregação do Instituto de Geociências e militava no grupo clandestino Ação Libertadora Nacional (ALN). Partilhava de todas as lutas comuns aos estudantes da época: contra o ensino pago, contra a falta de verbas, contra o fechamento do CRUSP. Por outro lado, como estudante de Geologia, foi extremamente preocupado com a questão dos recursos naturais do país devastados pelo capital estrangeiro. Sobre o ciclo da exploração do ferro, editou um boletim especial do Centro Acadêmico da Escola, no qual enumerava as principais jazidas e empresas exploradoras. Tomou posição contra a Transamazônica, do modo como estava sendo feita. E passou a fazer, junto com outros colegas, exposições e palestras em outras faculdades e escolas do 2° grau.

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Prisão e morte

Imagem: Sâmia Bomfim · BY · Openverse

Alexandre Vannucchi Leme havia sido preso pela Operação Bandeirantes pela sua participação ativa no grupo armado Ação Libertadora Nacional (ALN), que combatia a ditadura militar de então. De acordo com documentos da Comissão da Verdade, Alexandre foi visto pela última vez na USP, em 15 de março de 1973, quando assistia às aulas. Foi preso pelos agentes do DOI-CODI/SP em 16 de março de 1973, por volta das 11 horas. A morte de Alexandre foi justificada pelos torturadores, diante da acusação dos demais presos políticos, como tendo sido provocada por suicídio com auxílio de uma lâmina de barbear. Tal versão foi desmentida nos depoimentos prestados na 1ª Auditoria Militar, em julho de 1973, pelos seguintes presos políticos: Luís Vergatti, César Roman dos Anjos Carneiro, Leopoldina Brás Duarte, Carlos Vítor Alves Delamônica, Walkíria Afonso Costa, Roberto Ribeiro Martins, José Augusto Pereira, Luís Basílio Rossi e Neide Richopo.

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Repercussões da morte

Uma assembleia, realizada no Instituto de Geologia em 23 de março de 1973, aprovou a proposta de realização de uma missa de sétimo dia, a formação de uma comissão para apurar as circunstâncias da sua morte e das prisões de outros estudantes e decidiu decretar luto e organizar uma paralisação simbólica de protesto com as demais faculdades da USP. Três dezenas de centros acadêmicos (dezoito da USP, três da PUC/SP e seis da PUC/RJ, além de outros do interior de São Paulo) lançaram um comunicado sobre a morte de Alexandre, lamentando o episódio e declarando luto. O jornal O Estado de S. Paulo publicou, em 29 de março de 1973, nota de falecimento de Alexandre feita pelos seus colegas do curso de Geologia e o convite para a missa de sétimo dia. A 30 de março de 1973 foi celebrada missa em sua intenção na Catedral da Sé, pelo arcebispo de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, na presença de cerca de cinco mil pessoas, que contou com artistas, autoridades, oposições sindicais, sindicatos e associações que protestavam contra a tortura e que se manifestaram contra a versão oficial da morte. Mais de cinco mil pessoas acorreram ao ato.

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Homenagens

Imagem: Sâmia Bomfim · BY · Openverse

Alexandre Vannucchi Leme é uma das 53 vitimas da ditadura homenageadas com placas em cemitérios paulistas, em 2017. A sua está localizada no cemitério Dom Bosco em São Paulo, juntamente com outros militantes, como Alex de Paula Xavier Pereira e Ângelo Arroyo. Uma escola da Prefeitura de São Paulo também leva seu nome. A EMEF Alexande Vannuchi Leme fica localizada no bairro do Conjunto Habitacional Inácio Monteiro, próximo a Guaianases, na Zona Leste da cidade. O Diretório Central dos Estudantes - Livre da Universidade de São Paulo, entidade representativa do corpo discente da instituição, homenageia Alexandre Vannucchi Leme desde de sua refundação em 1976.

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