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Aderval Alves Coqueiro

Aderval Alves Coqueiro foi um guerrilheiro brasileiro, militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) e operário da construção civil de profissão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Biografia

Imagem: Comissão da Verdade do Estado de São Paulo · BY · Openverse

Filho de José Augusto Coqueiro e Jovelina Alves Coqueiro, Aderval Alves Coqueiro, de origem operária, ingressou ainda jovem no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Desde 1961 viveu em São Paulo, onde trabalhava como operário da construção civil e participou da construção do atual Distrito Federal. Depois do seu desligamento com o PCB, integrou o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Tendo em foco suas atividades na zona rural, Coqueiro também participou da Ala Vermelha, organização de esquerda e de orientação marxista, influente no Brasil entre os anos 1960 e 1980. No dia 29 de maio de 1969, foi preso na 2ª Companhia da Polícia do Exército (PE), em São Paulo. Posteriormente, foi transferido para o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS/SP) e torturado pelo delegado Sérgio Fleury, que ficou conhecido por sua pertinácia ao perseguir os opositores do regime da ditadura. Em junho de 1970, Coqueiro foi banido do território brasileiro, quando foi dado o sequestro do embaixador da Alemanha no Brasil, Ehrenfried von Holleben, que foi sequestrado no Rio de Janeiro pelos grupos guerrilheiros Ação Libertadora Nacional (ALN) e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), em troca de 40 presos presos políticos, enviados para a Argélia, sendo Aderval Alves Coqueiro um deles. Deslocou-se para Cuba, onde obteve treinamento de guerrilha, e retornou ao Brasil como integrante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), sendo o primeiro banido a conseguir voltar para o seu país.

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Morte

Imagem: Desconhecidos · BY · Openverse

Retornando ao Brasil no dia 31 de Janeiro de 1971, Coqueiro foi morar em um apartamento no bairro de Cosme Velho no Rio de Janeiro, onde foi localizado e morto a tiros alguns dias depois (6 de fevereiro). Nesse dia, uma grande parte do bairro foi tomada e cercada pelos agentes policiais, com a finalidade de evitar a sua fuga. Logo que os policiais do DOI-CODI/RJ invadiram o apartamento, começou o tiroteio. Aderval tentou fugir, mas foi morto pelas costas, no pátio do prédio. Na época o Jornal do Brasil, de 8 de fevereiro de 1971 noticiou a morte de Coqueiro com o título “Banido Retorna, é Descoberto e Morto a Tiros”, publicando: "O informe distribuído ontem às 16 horas pelos órgãos de segurança, esclarecia: “Cerca das 13h30m de hoje, dia 6 de fevereiro de 1970, foi localizado na Rua Cosme Velho nº 1061 – apartamento 202 – o terrorista Aderval Alves Coqueiro, banido do território nacional pelo Decreto número 66716, de 15 de junho de 1970, por haver sido trocado pelo Embaixador alemão von Holleben”.

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O Caso

Imagem: Comissão da Verdade do Estado de São Paulo · BY · Openverse

O corpo de Aderval Alves Coqueiro entrou no IML com guia sem número do DOPS. O óbito foi firmado pelo Dr. João Guilherme Figueiredo e teve como declarante Reinaldo da Fonseca Mota e foi entregue à sua família, que o enterrou no Cemitério de Inhaúma (RJ), no dia 14 de fevereiro de 1971. A fim de estabelecer a verdade, 25 anos depois da sua morte a Comissão de Familiares retornou ao prédio onde ocorreu o assassinato de Aderval e ouviu a versão de Francisco Soares, antigo zelador do prédio: "(...) nesse mesmo dia, após algumas horas, cheguei à janela e vi que o prédio estava cercado por uma centena de policiais civis e a Polícia do Exército, logo depois, o prédio foi invadido por vários homens armados, e foram direto para o apartamento 202. Nesse momento, um oficial mandou que eu saísse da janela. Posteriormente, escutei um militar gritar 'atira e mata'. Logo depois escutei uma grande gritaria nos fundos do prédio e vários disparos de armas, que durou somente alguns segundos. Escutei uma pessoa falar 'temos presunto fresco'. (...) quando eu cheguei nos fundos, onde encontra-se a piscina, vi o rapaz do apartamento 202 estirado no chão, perguntaram se eu o conhecia, disse que era a pessoa que estava limpando o apartamento 202, me responderam que ele era um perigoso subversivo chamado 'Baiano Coqueiro'. Observei várias marcas de tiros, não sabendo dizer quantas, estando ele somente de calção, sem camisa e desarmado. Também ouvi o policial dizer 'bota a arma do lado dele'..."

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