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Aluísio Palhano Pedreira Ferreira

Aluísio Palhano Pedreira Ferreira foi um bancário, sindicalista e militante do grupo de luta armada Vanguarda Popular Revolucionária, desaparecido na ditadura militar brasileira. É um dos casos investigados e identificados por exame de DNA, após 47 anos de seu desaparecimento, pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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Vida

Imagem: Comissão da Verdade do Estado de São Paulo · BY · Openverse

Aluísio Palhano Pedreira Ferreira nasceu no dia 5 de setembro de 1922, na cidade de Pirajuí, em São Paulo. Era o segundo filho do fazendeiro João Alves Pedreira Ferreira e de sua mulher Henise Palhano Pedreira Ferreira. Com apenas 7 anos de idade foi internado junto com seu irmão, Honésio, no Colégio Mackenzie em São Paulo, o qual fugiu de volta para sua cidade depois de três meses pois não havia se adaptado ao internato. Em 1932, com 10 anos, após o falecimento do seu pai, Aluísio e sua família se mudaram para a casa da avó materna em Niterói, no Rio de Janeiro, onde foi internado, novamente, no Colégio Salesiano tendo se rebelado outra vez. Nesse mesmo período trabalhou no Cine Royal, propriedade de sua avó, como bilheteiro para ajudar no sustento da família enquanto terminava os estudos no Colégio Plínio Leite em Niterói. Após se formar em Direito pela UFF (Universidade Federal Fluminense), foi aprovado em um concurso público e iniciou a carreira de bancário trabalhando no Banco do Brasil aos 21 anos. Em 1947, com 25 anos, casou-se com Leda Pimenta, com quem teve dois filhos, Márcia e Honésio.

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Ditadura

Sendo o líder sindical bancário mais proeminente da época, em 1964 após a implementação do Ato Institucional n°1, Aluísio foi demitido do Banco do Brasil e teve seus direitos políticos cassados sofrendo perseguição direta do regime militar, situação que o fez deixar o Brasil. Em maio do mesmo ano, pediu asilo na Embaixada do México, país onde permaneceu até o final de 1964 como editor do jornal dos exilados, Correio Brasiliense e foi posteriormente para Cuba. Lá, trabalhou na Rádio de Havana e foi eleito o representante brasileiro na Organização Latino-Americana de Solidariedade em 1966, em Havana. Ficou no país até 1970, quando voltou clandestinamente para o Brasil, como militante da organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), tendo sido preso no dia 9 de maio do ano seguinte em São Paulo, cinco meses depois do seu retorno, sob o codinome de João Alves Pedreira Ferreira, identidade de seu falecido pai. Há a probabilidade que Aluísio tenha sido entregue pelo cabo José Anselmo dos Santos, um agente infiltrado, que era um intermediário com os seus contatos no Brasil.

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Sequestro

Em 1975, alguns presos políticos denunciaram a prisão e morte do ex-bancário a partir de uma carta-denúncia enviada para o presidente do Conselho Federal da OAB. O documento conhecido como "Bagulhão" atestou que o seu sequestro ocorreu no dia 9 de maio de 1971, na cidade de São Paulo. Aluísio foi levado para o Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo, onde ficou por seis dias sendo duramente torturado. Depois teria sido encaminhado para a sede do Cenimar no Rio de Janeiro e por fim, do dia 15 de maio retornou para São Paulo onde sofreu com a tortura ininterrupta até que os presos perderam seu contato. Inês Etienne Romeu foi uma sobrevivente da ditadura, ela confirmou que conviveu com Aluízio na Casa da Morte, em Petrópolis, durante esse período relatou o estado debilitado de Aluísio, e as sessões repetidas de tortura que sofria. Sua morte ocorreu no dia 13 de maio, quando retornou ao DOI-CODI/SP, onde ficou por pouco mais de uma semana, até ser assassinado. Ela declarou:

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Denúncia

O caso de Aluízio Palhano vinha sendo oficialmente tratado como um caso de comum de desaparecimento quando em 2012, o Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal em São Paulo Carlos Alberto Brilhante Ustra e Dirceu Gravina, que ainda encontrava-se na ativa na Polícia Civil de São Paulo, pelo crime de sequestro qualificado, que, por ser permanente, não pode ser contemplado pela Lei da Anistia de 1979. A ação criminal pode ser encontrada no Tribunal Regional Federal (SP) pelo número 0004204.32.2012.4036181. A denúncia foi rejeitada pela 10ª Vara Criminal de São Paulo, que tomou o fato como prescrito. O MPF entrou com recurso na 2ª Turma do TRT da 3ª região e aguarda decisão. O procurador da República Sérgio Suiama em depoimento à Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, em 25 de fevereiro de 2013 juntamente com outros sete procuradores relatou fontes e dados levantados pelo MPF o que corroborou as informações dadas pelos depoimentos Inês Etienne Romeu e Altino Dantas Jr e ainda fez um adendo de que documentos dos arquivos públicos tanto do estado de São Paulo quanto federais comprovam que os órgãos de repressão monitoravam as atividades de Palhano desde 1964 até 1970.

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Desfecho

Em dezembro de 2018, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), do Ministério dos Direitos Humanos (MDH), anunciou durante o 1º Encontro Nacional de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas, em Brasília que foi identificado os restos mortais do sindicalista depois de 47 anos de seu desaparecimento. A coordenadora-geral de Direito à Memória e à Verdade do MDH, Amarilis Tavares, declarou por meio da assessoria que a possibilidade de identificação de Ferreira era considerada viável mais, contudo só foi possível quando houve a inclusão do caso de Ferreira no processo de investigação e identificação das ossadas não identificadas em uma vala clandestina no cemitério clandestino Dom Bosco, em Perus, conhecido por ser o cemitério planejado para o enterro de pessoas desconhecidos e indigentes o que o tornou um lugar ideal para a ocultação de cadáveres de vítimas das torturas dos agentes da repressão durante o período da ditadura. O local fica afastado da região central e também não tem nenhuma organização de suas sepulturas. A vala foi descoberta na década de 1990 onde haviam sido identificados as primeiras partes de seus restos mortais.

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Homenagens

Em 1986, o Grupo Tortura Nunca Mais inaugurou uma rua com o nome de Aluísio Palhano, no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro. Posteriormente, uma rua em São Paulo também foi renomeada em sua homenagem. Em 1994, recebeu a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, proposta pelo vereador Adilson Pires. Em 2000, recebeu a Medalha Chico Mendes de Resistência outorgada pelo Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, por indicação do Sindicato dos Bancários.

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