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União Nacional dos Estudantes

União Nacional dos Estudantes (UNE) é uma organização estudantil brasileira, sendo uma das principais representantes de alunos do ensino superior do país, tendo sede em São Paulo, além de subsedes no Rio de Janeiro e Goiás. Fundada em 11 de agosto de 1937, a instituição desempenhou um papel singular em momentos importantes do Brasil desde o início do século XX, sendo uma das portas de entrada para diversos políticos brasileiros proeminentes, especialmente aqueles ligados à esquerda política.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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História

Em 1937, seria realizado o I Congresso Nacional dos Estudantes, com o objetivo de discutir temas políticos e sociais. Este congresso se organizaria na Casa do Estudante do Brasil no Rio de Janeiro com apoio do Centro acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É eleita como presidente Anna Amélia Queirós Carneiro de Mendonça. Entretanto, entre as discussões presentes na historiografia sobre as origens do movimento estudantil brasileiro, a fundação oficial da UNE seria realizada a partir do II Congresso Nacional dos Estudantes, em 22 de dezembro de 1938, cujo patrono oficial era Getúlio Vargas e os trabalhos finais coordenados pelo Ministro da Educação Gustavo Capanema. O primeiro presidente oficial da entidade seria o gaúcho Valdir Ramos Borges. A principal organização da juventude responsável pela criação da UNE foi a União da Juventude Comunista (UJC).

Década de 1940

Em 1940, a UNE defende o fim da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas e toma posição contra o nazifascismo, defendendo a ruptura do Brasil com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Em março de 1940, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a UNE dirige a sua primeira mensagem de paz "À Mocidade do Brasil e das Américas", quando realiza o Congresso Nacional dos Estudantes. Dando continuidade à campanha contra as potências do Eixo, em 1942 os estudantes tomam o prédio onde funcionava o Clube Germânia, na Praia do Flamengo número 132, no Rio de Janeiro, que passa a ser usado como sede da UNE. É realizado o primeiro recenseamento universitário. Em dezembro, instala-se, na sede da UNE, o primeiro restaurante estudantil. Em 1943, em meio à repressão exercida por Getúlio Vargas, a UNE promove mobilizações estudantis em todo o país. Em novembro desse ano, o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, localizada no Largo de São Francisco, organiza a Passeata do Silêncio contra Vargas, que acaba em repressão policial, com a morte do estudante Jaime da Silva Teles.

Década de 1950

De 1950 a 1956, a UNE foi comandada por um grupo de direita ligado à União Democrática Nacional (UDN), que tinha como braço acadêmico a Aliança Libertadora Acadêmica. A UNE organiza, em 1954, o "Mês da Reafirmação Democrática", alusivo ao 10º aniversário do assassinato do estudante Demócrito de Sousa Filho e, em 1955, realiza a campanha para a obtenção de empregos públicos. Em 5 de maio de 1956, durante o governo de Juscelino Kubitschek, estudantes realizam campanha contra o aumento da passagem de bondes no Rio de Janeiro, que engorda ao receber apoio de sindicatos operários. É criada, então, a União Operária-Estudantil contra a Carestia. No dia 30 de maio, a polícia invade o prédio da UNE em repressão ao movimento. É realizada uma tentativa de invasão ao prédio da Faculdade Nacional de Direito, onde encontravam-se abrigadas as lideranças estudantis; sendo esta contida pelo reitor Pedro Calmon.

Década de 1960

Na década de 1960, o movimento estudantil ganha mais corpo. Os estudantes se organizam e fundam seus diretórios centrais dos estudantes (DCE) e diretórios acadêmicos (DA). Com a esquerda de novo no poder, a UNE apoiou, em 1961, a campanha da legalidade a favor da posse de João Goulart, e reforçou sua ação no campo da cultura com a criação do Centro Popular de Cultura e da UNE Volante. A UNE debate a reforma universitária no país (por ocasião da discussão do projeto da Lei de Diretrizes e Bases) e realiza, em Salvador, o Seminário Nacional de Reforma Universitária, que resulta na Declaração da Bahia, considerada um dos mais importantes textos programáticos do movimento estudantil brasileiro. São criados o Centro Popular de Cultura (CPC) e a UNE Volante, ambos com o objetivo de promover a conscientização popular através da cultura. Em 1961, a UNE participa da Campanha da Legalidade, liderada por Leonel Brizola, pela posse de João Goulart. A entidade transfere provisoriamente sua sede para o Rio Grande do Sul e organiza uma greve de repúdio à tentativa golpista.

Década de 1980

Em virtude da demolição feita pelo governo Figueiredo, em junho de 1980, da sua sede na Praia do Flamengo, a UNE se instalou no antigo casarão da Rua do Catete, nº 234, em 1983. No mesmo prédio funcionou, de 1912 a 1937, a Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o Centro Acadêmico Candido Oliveira, entidades cruciais para a fundação da UNE, antes da mudança da Faculdade para o antigo prédio do Senado, no Largo do CACO, em 1937. Outra motivação foi o fato que o prédio pertencia desde 1943 à Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, instituição de ensino vinculada ao governo estadual oposicionista de Leonel Brizola (1983-1987). Na qual o casarão na Rua do Catete, nº 234 passou em 2013, por um processo de restauro e retrofit totais para abrigar um campus de tecnologia altamente moderna.

Década de 1990

Em 1993, o presidente Itamar Franco devolveu a escritura do terreno da Praia do Flamengo, 132, onde funcionou a sua sede histórica que havia sido atacada por soldados e demolida ao longo da ditadura militar. O ato de entrega foi comemorado em um restaurante do Rio de Janeiro, tendo a participação de Itamar Franco, em 17 de maio de 1994, porém uma disputa judicial entre a UNE e os donos de um estacionamento que havia se instalado no terreno, acabou travando qualquer tentativa de retomada da sede. No ano de 2004, por determinação da Uerj, a UNE saiu do antigo casarão que serviu como sua sede por duas décadas, localizado na Rua do Catete. O imbróglio em relação à sede histórica da UNE durou até 2007, quando ocorreram grandes protestos estudantis que contaram com a ocupação do terreno da praia do Flamengo, ao passo que o Poder Judiciário decidia por dar ganho de causa à UNE, bem como o Congresso Nacional, de forma unânime, decidia pela indenização a ser paga pelo Estado brasileiro à entidade.

Década de 2000

Em 2007, por ocasião dos 70 anos da entidade, é lançado um documentário de dois episódios de 50 minutos, dirigido por Silvio Tendler, contando a sua história. Em 15 de julho de 2009, foi realizada uma sessão solene na Câmara dos Deputados que reuniu integrantes e ex-dirigentes da entidade para comemorar os 30 anos da reconstrução da UNE. A UNE voltou à legalidade em 1979, após ter sido perseguida e considerada uma organização clandestina durante o regime militar.

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UNE e Cultura

A UNE foi precursora de importantes movimentos culturais brasileiros. O Centro Popular de Cultura é o mais famoso deles que nos anos 1960 animou a cena artística brasileira com novas e ousadas experiências no campo da pesquisa e da produção cultural. O CPC tinha uma produção artística própria e não se limitava a aglutinar grupos de artistas já existentes: chegou a fundar um selo de discos, uma editora de livros, além de realizar produtos culturais importantes como o filme Cinco Vezes Favela. Participaram do CPC nomes como Arnaldo Jabor, Cacá Diegues, Ferreira Gullar, Geraldo Vandré, Vianinha, entre outros. A partir de 1999, o trabalho cultural da entidade foi retomado durante as Bienais de Cultura e Arte da UNE. A primeira Bienal ocorreu em Salvador, Bahia. Nesses eventos foram lançadas as bases do projeto que culminou na criação do Circuito Universitário de Cultura e Arte, os CUCAs.

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Controvérsias

A UNE recebeu críticas por seu apoio aos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), especialmente tendo em vista a concessão de verbas do Governo Federal à instituição mediante a instituição da Lei nº 12260, aprovada pelo Congresso Nacional em 2010, que confere à entidade uma indenização pelos danos causados pelo governo da Ditadura Militar à UNE no dia 1º de abril de 1964 - quando sua sede foi metralhada, incendiada e demolida por militares do governo da época. A reconstrução desta sede localizada na Praia do Flamengo, nº 132, para a qual parte da verba se destinou, teve sua pedra fundamental lançada em dezembro de 2010 e foi prevista para ser entregue em 2016, ano em que o Brasil sediou os Jogos Olímpicos. Outro ponto controverso na atuação recente da União Nacional dos Estudantes é o monopólio de facto das carteirinhas de estudante decorrente do Estatuto da Juventude, sancionado pela presidente Dilma Rousseff, que foi apoiada pela instituição ao longo de sua campanha para reeleição.

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