Anna Amélia Carneiro de Mendonça
Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça foi uma poetisa feminista brasileira.
Imagem: Oieusouary · BY · Openverse
Anna Amélia Mendonça nasceu em 1896 na então Capital Federal brasileira, filha de Laura Palhares Machado e do engenheiro e colecionador José Joaquim de Queiroz Júnior. Anna Amélia Mendonça passou a infância no interior de Minas Gerais e foi educada por preceptoras brasileiras, inglesas e alemãs. Ao retornar ao Rio, passa a viver com a família na Estrada Nova da Tijuca. Casou-se com Marcos Carneiro de Mendonça, goleiro da seleção e do Fluminense FC e historiador. A partir de 1944 o casal passou a residir em um palacete do século 19 no bairro do Cosme Velho, conhecido como "Solar dos Abacaxis", por conta dos adornos em ferro fundido que ainda hoje decoram a balaustrada das janelas frontais do solar. A mansão foi erguida em 1843 pelo bisavô de Anna Amélia, o comendador Borges da Costa. Anna Amélia Mendonça gostava de futebol, chegando a ensinar o jogo aos operários da fábrica de seu pai e dando instruções preciosas durante as partidas. Desde muito jovem era entusiasta do esporte: no seu 12º aniversário, pediu aos pais como presente, uma bola, uma botina de sola grossa e começou a treinar.
Anna Amélia Carneiro de Mendonça foi diretora no suplemento feminino do Diário de Notícias. Além disso, foi colaboradora em diversos jornais do Rio de Janeiro, como O Globo, O Jornal, A Noite e na Revista O Cruzeiro. Anna Amélia Mendonça foi a primeira mulher a integrar o Tribunal Superior Eleitoral, fazendo parte da mesa apuradora das eleições de 1934. Em 1929, fundou a Casa do Estudante do Brasil. Em 1922, em seu segundo livro "Alma", a poetisa introduziu o tema do futebol na literatura brasileira e colaborou para difundir e popularizar esse esporte com a poesia O Salto. Em 1931, foi vice-presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) onde lutou pelo direito ao voto feminino. Em 1935, representou oficialmente o Brasil no XII Congresso Internacional de Mulheres em Istambul. Entre 1941 e 1942, foi presidente da Associação Brasileira de Educação e secretária do Hospital Pró-Matre, cuja finalidade era amparar a mãe carente.
Anna Amélia Carneiro de Mendonça teve atuação destacada no movimento feminista brasileiro das primeiras décadas do século XX, especialmente nas campanhas em defesa do sufrágio feminino, da educação das mulheres e de sua inserção na vida pública. Durante as décadas de 1920 e 1930, integrou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), principal organização sufragista do país, fundada por Bertha Lutz. Na entidade, Anna Amélia ocupou o cargo de vice-presidente e participou de campanhas voltadas para a ampliação dos direitos civis e políticos das mulheres brasileiras. Sua atuação esteve associada ao chamado feminismo liberal da Primeira República, caracterizado pela defesa da instrução feminina, do acesso ao trabalho intelectual e da participação das mulheres na política institucional. Ao lado de outras intelectuais da época, participou de conferências, associações culturais e iniciativas educacionais voltadas para a valorização da presença feminina na sociedade brasileira.
Anna Amélia Carneiro de Mendonça teve participação destacada em iniciativas ligadas à educação, à assistência estudantil e à organização do movimento estudantil brasileiro nas primeiras décadas do século XX. Sua atuação esteve associada à defesa da formação intelectual da juventude e à ampliação do acesso estudantil à vida cultural e universitária do país. Em 1929, ao lado de Pascoal Carlos Magno, participou da fundação da Casa do Estudante do Brasil (CEB), instituição criada no Rio de Janeiro com o objetivo de oferecer apoio material, assistência social e atividades culturais para estudantes oriundos de diferentes regiões do país. A Casa do Estudante do Brasil tornou-se um importante espaço de sociabilidade intelectual e formação política da juventude brasileira ao longo do século XX. A instituição também exerceu papel relevante na promoção de atividades artísticas, literárias e educacionais, funcionando como ponto de encontro de estudantes, escritores, músicos e intelectuais ligados à vida cultural carioca. A atuação de Anna Amélia na entidade foi marcada pela defesa da educação como instrumento de modernização social e ampliação da participação cidadã.
Anna Amélia e Marcos tiveram quatro filhos: Márcia Claudia (1918 – 2012), Eliana Laura (1920 – 1920), José Joaquim (1921 – 1999) e Bárbara Heliodora (1923 – 2015). A filha mais nova, Bárbara Heliodora, se tornou professora, crítica e tradutora, e herdou da mãe Anna Amélia Mendonça o gosto por Shakespeare.
Ao longo do século XX, Anna Amélia Carneiro de Mendonça consolidou-se como uma das principais intelectuais femininas ligadas ao movimento sufragista e à vida cultural brasileira da Primeira República e da Era Vargas. Sua atuação em defesa da educação, dos direitos políticos das mulheres e da participação feminina na esfera pública foi destacada em estudos sobre a história do feminismo brasileiro e sobre a presença feminina nas instituições republicanas. Como vice-presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), Anna Amélia participou das campanhas em favor do sufrágio feminino e da ampliação da presença das mulheres nos espaços educacionais e políticos do país. Sua participação na entidade a inseriu entre as principais representantes do feminismo liberal brasileiro das décadas de 1920 e 1930. Em 1934, tornou-se a primeira mulher a integrar uma mesa apuradora da Justiça Eleitoral brasileira, sendo frequentemente mencionada em pesquisas sobre a participação feminina na política nacional após a conquista do voto feminino em 1932.


