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Bertha Lutz

Bertha Maria Júlia Lutz foi uma ativista feminista, bióloga, educadora, diplomata e política brasileira. Era filha de Adolfo Lutz, cientista e pioneiro da medicina tropical. Foi uma das figuras mais significativas do feminismo e da educação no Brasil do século XX.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Primeiros anos

Bertha Lutz nasceu em São Paulo no dia 2 de agosto de 1894, filha de Adolfo Lutz, cientista de origem suíça e pioneiro nas áreas de medicina tropical, epidemiologia e na pesquisa de doenças infecciosas, e de Amy Marie Gertrude Fowler, uma enfermeira britânica. Além de Bertha, o casal teve como filhos Guálter Adolfo Lutz e Laura Bertha Lutz, a última nascida na Suíça.

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Carreira

Trajetória acadêmica

Bertha fez o ensino superior na Europa, formando-se em ciências naturais pela Universidade de Paris (Sorbonne) em 1918, com especialização em anfíbios anuros. Durante sua permanência na universidade, tomou contato com o movimento feminista inglês. No dia 3 de setembro de 1919, foi aprovada em um concurso e nomeada secretária do Museu Nacional. Tornou-se, então, a segunda mulher a fazer parte do serviço público do país. Mais tarde, foi promovida a chefe do departamento de Botânica do Museu, posição que ocupou até se aposentar, em 1964. Em 1943, foi ao estado do Rio de Janeiro para observar batráquios. No ano seguinte, foi até Teresópolis para recolher material herpetológico e fazer observações no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Em 1945, voltou à cidade para coletar material embriológico, quando foi designada para representar o Brasil como delegada na Conferência Internacional das Nações Unidas, na Califórnia. Ao retornar, em outubro, focou-se em estudos de herpetologia no interior do Mato Grosso. Em 1947, coletou batráquios em Itatiaia, Teresópolis e outros municípios. Em 1949, viajou pelos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul para observar sobre anuros, além de também ter representado o Museu Nacional na reunião da Sociedade Brasileira de Biologia, em Salvador, na Bahia.

Feminismo

Em 1919, Bertha fundou no Rio de Janeiro a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, formada por um grupo de mulheres de classe média e alta escolaridade. Em 1922, organizou o I Congresso Feminista do Brasil e representou as mulheres brasileiras na Assembleia Geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos Estados Unidos, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana das Mulheres. Após retornar ao Brasil, ajudou a fundar a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), da qual foi presidente até 1942 e cuja principal bandeira era a reivindicação do voto feminino. A Federação é considerada a principal instituição coletiva de mulheres no país até a década de 1970, e de onde derivaram diversas outras associações.

Política

A carreira política de Bertha Lutz começou efetivamente em 1934, quando se candidatou à Câmara dos Deputados pela legenda do Partido Autonomista do Distrito Federal, representando a Liga Eleitoral Independente, criada por ela em 1932 e ligada à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Ela conseguiu 16.423 votos, resultado com o qual obteve a primeira suplência e tomou posse em 28 de junho de 1936, após a morte do deputado titular Cândido Pessoa. Ela foi a segunda mulher a ocupar o cargo de deputada no Brasil, na primeira legislatura com presença feminina após a primeira Constituição a dar direito de voto às mulheres Depois de eleita deputada, Bertha percebeu que os partidos políticos, em sua maioria comandados por homens, deixavam as mulheres para ocupar posições marginais na arena política, o que "não deixou boas lembranças em Bertha" A tradição clientelista da política brasileira também desagradou Bertha. A decretação do Estado Novo por Getúlio Vargas, em novembro de 1937, e o consequente fechamento do Congresso Nacional puseram fim ao seu mandato.

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Impacto cultural

Lutz é considerada uma das figuras mais significativas do feminismo e da educação no Brasil do século XX. Ela foi homenageada de várias maneiras. Seu nome foi usado em várias espécies de anfíbios, nomes de logradouros, escolas e premiações. O Laboratório de Análise Internacional ‘Bertha Lutz’ da Universidade de São Paulo (LAI-USP), também foi nomeado em homenagem à cientista brasileira. Ele foi criado por alunos do curso de relações internacionais da instituição com o objetivo de estimular as atividades de graduação. Lutz é homenageada no nome de duas espécies de lagartos brasileiros, Liolaemus lutzae e Phyllopezus lutzae, assim como em seis espécies de sapos, Paratelmatobius lutzii, Pristimantis lutzae, Dendropsophus berthalutzae, Megaelosia lutzae, Scinax berthae e Aplastodiscus lutzorum. Em 2020, seu nome foi escolhido para uma nova espécie de raia, a Hypanus berthalutzea. Em 2021, Lutz foi homenageada no nome de uma nova espécie de dinossauro terópode brasileiro, Berthasaura leopoldinae.

Diploma Bertha Lutz

O Diploma Bertha Lutz foi instituído pelo Senado Federal do Brasil para agraciar mulheres que tenham oferecido relevante contribuição na defesa dos direitos da mulher e questões do gênero no Brasil. O diploma homenageia Bertha e foi instituído com base em projeto de 1998 apresentado pela senadora Emília Fernandes. É conferido, anualmente, em sessão do Senado especialmente convocada para esse fim, a realizar-se durante as atividades do Dia Internacional da Mulher, e premia cinco mulheres de diferentes áreas de atuação. A apreciação das indicações e a escolha das agraciadas é feita pelo Conselho do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, composto por um representante de cada partido político com assento no Senado Federal.

Documentário

Em 2021, a HBO lançou o documentário Bertha Lutz — A mulher na carta da ONU, sobre o importante papel da bióloga e feminista brasileira em assegurar que questões de gênero fossem contempladas nas bases da Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia do documentário surgiu a partir das pesquisas da argelina Fatima Sator e da norueguesa Elise Luhr Dietrichson, que estudavam na Universidade de Londres quando encontraram uma série de cartas escritas por Bertha Lutz.

Quadrinhos

Em 2022, o selo OH! Outra História, da Editora Veneta, lançou uma biografia em quadrinhos de Bertha Lutz. O álbum foi criado por Angélica Kalil e Mariamma Fonseca e baseia-se em um texto de memórias escrito pela própria Lutz. Bertha Lutz e a Carta da ONU é uma HQ (história em quadrinhos) criada a partir do texto Reminiscences of the San Francisco Conference that founded the United Nations, de autoria da Bertha. O documento, originalmente redigido em língua inglesa e até a publicação dessa história emquadrinhos inédito em língua portuguesa, está salvaguardado na Fawcett Library, London Guildhall University, no fundo Margery Corbett Ashby (caixa 483), na Inglaterra. Trata-se das lembranças escritas de Bertha Lutz, sobre sua participação na Conferência de São Francisco, ocorrida entre abril e junho de 1945, mas, segundo a historiadora e professora da Universidade de Brasília, Teresa Cristina de Novaes Marques, elaboradas somente na década de 1970. Já aposentada e longe de suas atividades profissionais, Lutz anotou a sua experiência como plenipotenciária, ou seja, como delegada que tinha direito ao voto naquela conferência que prepararia a Carta das Nações Unidas.

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Fontes consultadas

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