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Eva mitocondrial

A Eva Mitocondrial se baseia no conceito do Ancestral Comum Mais Recente. Nos humanos, durante a fecundação, a única parte do espermatozóide que entra no ovócito é o núcleo. Portanto, em um zigoto, a contribuição genética paterna é exclusivamente nuclear, enquanto a materna não se restringe somente ao núcleo e também é extranuclear. A Teoria da Eva Mitocondrial, então, parte do princípio que seria possível traçar uma linhagem a partir das contribuições maternas, geração por geração, até esse o MRCA - que seria a mulher mais recente da qual a linhagem dos humanos viventes descende.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Fundamentos científicos

Segundo evidências do relógio molecular e da evolução dos homininis, o material mitocondrial da MRCA (também chamado de mt-MRCA ou mt-Eve) está situado no momento de divergência entre os haplogrupos L, formando os subgrupos L0 a L6, como mostra a imagem acima. Estima-se que essa separação ocorreu aproximadamente há 155 mil anos, sendo anterior à especiação dos Homo sapiens, mas mais novo do que a dispersão recente da África. Pesquisadores da Universidade da Califórnia concluíram que todos os humanos eram descendentes de um grupo relativamente pequeno de mulheres que viveram na África há cerca de 200 mil anos, que denominaram de Eva Mitocondrial. Eles se basearam na análise do DNA retirado das mitocôndrias, que difere do DNA do núcleo da célula e é transmitido apenas pela linhagem feminina. Ele sofre mutações em taxas mais rápidas do que o DNA nuclear. Comparando o DNA mitocondrial de mulheres de vários grupos étnicos, eles puderam estimar quanto tempo se passou para que cada grupo assumisse características distintas a partir de um ancestral comum. De fato, eles construíram uma árvore genealógica para o gênero humano, na base da qual estavam a Eva Mitocondrial, a grande avó de todos os humanos. Isto não significa que ela foi a única mulher existente em sua época, mas que um pequeno grupo fundador possuía o mesmo DNA Mitocondrial e produziram uma linhagem direta de descendentes por linha feminina que persiste até a presente data.

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Implicações e contrapontos

Uma das principais implicações da ideia da Eva mitocondrial é determinar quando viveu o MRCA mitocondrial humano. Isso consiste em uma etapa fundamental para a compreensão do processo evolutivo da nossa linhagem e pode fornecer dicas de diferentes aspectos e etapas da evolução humana como o momento de divisão entre as populações africanas e de saída da África. Entretanto, isso tem sido uma tarefa difícil. Uma estratégia muito utilizada é a de estimativas feitas utilizando relógio molecular. Esta técnica se baseia em assumir que o número de substituições nucleotídicas que ocorrem na molécula de DNA por unidade de tempo em uma linhagem é relativamente constante. Assim, é possível estimar o tempo de divergência entre duas entidades biológicas relacionadas, como duas espécies ou populações próximas. Entretanto, é necessário “calibrar” esse relógio, a fim de determinar uma taxa de mutação que seja verossímil. No caso da nossa espécie, a escassez de registro fóssil com datação confiável torna esse processo complicado.

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Falhas, vieses e perspectivas

A datação da Eva foi um problema para a hipótese multirregional, que era debatida na época e afirma que todas as formas humanas arcaicas, como H. erectus e H. neandertais, bem como formas modernas, evoluíram em todo o mundo para as diversas populações de humanos anatomicamente modernos (Homo sapiens). Além disso, forneceu subsídio para o modelo da origem recente, a mais aceita teoria evolutiva e que propõe uma origem humana exclusiva na África e posterior irradiação e ocupação de outras regiões. Cann, Stoneking e Wilson, autores do artigo original contendo a ideia da mais recente linhagem matrilinear comum não usaram o termo “Eva mitondrial”, eles nem mesmo citaram o nome “Eva”, que remeteria ao personagem do mito bíblico cristão. A cunhagem da expressão foi realizada no artigo da revista The Sciences, intitulado “Em busca da Eva” - em uma tradução livre do inglês. Teve ainda outra aparição em outubro do mesmo ano (1987), revista Science, escrito por Roger Lewin, e intitulado “Desmascarando a Eva mitocondrial”. A referência cristã torna-se ainda mais clara no artigo que sucede, publicado na Nature, “Fora do jardim do Éden". Um dos autores do artigo original, Wilson, afirmou ainda que preferia o termo “Mãe sortuda”, em detrimento do nome “Eva”, que seria “lamentável”. O termo bíblico tornou-se publicamente conhecido com a publicação no jornal estadunidense Time, seguido por uma publicação na Newsweek com uma capa intitulada “A busca por Adão e Eva” e uma imagem bíblica.

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Fontes consultadas

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