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Criacionismo

Criacionismo é a crença religiosa de que a humanidade, a vida, a Terra e/ou o universo são a criação de um agente sobrenatural. No entanto, o termo é mais comumente usado para se referir à rejeição, por motivação religiosa, de certos processos biológicos, particularmente a evolução. Desde o desenvolvimento da ciência evolutiva a partir do século XVIII, vários pontos de vista criados tiveram como objetivo conciliar a ciência com a narrativa de criação do Gênesis. Nessa época, aqueles que mantinham a opinião de que as espécies tinham sido criadas separadamente eram geralmente chamados de "defensores da criação", mas eram ocasionalmente chamados "criacionistas" em correspondências privadas entre Charles Darwin e seus amigos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Uso do termo

Dentro do termo criacionismo, um vasto espectro de hipóteses podem ser enquadradas, que podem vir a sustentar interpretação em diversos graus de literalidade de livros sagrados como o Gênesis ou o Corão. Na maioria das civilizações antigas, tanto como nas atuais, é possível encontrar relatos tentando explicar a origem de tudo como um ato intencional criativo, muitas vezes destacando uma figura como o originador da vida.

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Tradições criacionistas

Movimentos criacionistas existem entre pessoas de diferentes religiões como o judaísmo, hinduísmo, cristianismo e islamismo. Nas crenças chinesas, Pan Ku, o Deus-Absoluto, nasce a partir de um Ovo Primordial e o processo de criação se concretiza com um sacrifício divino. Pan Ku morre, dando então origem à vida: de seu crânio, surgiu a abóboda do firmamento e, de sua pele, a terra que cobre os campos; de seus ossos, vieram as pedras; de seu sangue, os rios e os oceanos; de seu cabelo, veio toda a vegetação. Sua respiração se transformou em vento, sua voz em trovão; seu olho direito se transformou na lua, seu olho esquerdo no sol. De sua saliva e suor, veio a chuva. E, dos vermes que cobriam seu corpo, surgiu a humanidade.

Fé bahá'í

A Fé Bahá'í sustenta a harmonia entre religião e ciência como um princípio fundamental. Os Bahá'ís se referem à narração bíblica da criação como um símbolo, embora importante e cheia de significados simbólicos. Longe de aceitar a ideia de uma Terra Jovem, a teologia Bahá'í que se refere à Terra como antiga. A humanidade, de acordo com os bahá'ís, mudou de forma física ao longo do tempo. A teologia Bahá'í sustenta que a humanidade é uma espécie de essência - uma realidade essencial e parte da criação eterna de Deus; como uma espécie biológica, no entanto, a humanidade passou por várias mudanças e adaptações físicas ao longo do tempo. A fé Bahá'í refere-se à evolução (como um progresso de forma física) e ao ato de criação divina como processos relacionados ou até mesmo como um mesmo processo visto de diferentes contextos. Entretanto, a literatura Bahá'í sustenta que a humanidade é distinta de outras partes da criação da Terra - que a humanidade só tem uma alma, e é capaz do pensamento abstrato e do desenvolvimento espiritual.

Grécia Antiga

Segundo os gregos antigos, conforme o texto antigo Teogonia, de Hesíodo, o princípio de todas as coisas está associado a um Caos Primordial, num tempo em que a Ordem não tinha sido ainda imposta aos elementos do mundo. Do Caos nasceu Gaia (a Terra) e depois Eros (o Amor). Posteriormente, Caos engendrou o Érebo (as trevas infernais) e a noite (Nix), e da união de Érebo e Nix nasceram o dia (Hemera) e o Éter. Gaia engendrou o céu (Urano), as montanhas (Óreas) e o mar (Ponto). A partir destes deuses primordiais nasceram também os Titãs, os Gigantes e as Ninfas dos Bosques, sendo os principais deuses filhos e descendentes dos Titãs. Prometeu, filho do titã Jápeto, criou artesanalmente a raça humana – homens e mulheres – moldando-os com argila e água. E então Atena, deusa da sabedoria, ao ver essas criaturas, insuflou em seu interior alma e vida.

Hinduísmo

No hinduísmo, o tempo não é linear como em outras crenças. Aqui, o tempo tem uma natureza circular, pois a criação e a evolução são repetidas eternamente, em ciclos de renovação e destruição simbolizados pela dança rítmica do deus Shiva. "Na noite do Brahma – essência de todas as coisas – a natureza é inerte e não pode se mover até que Shiva assim o deseje. Shiva desperta de seu sono profundo e através de sua dança faz aparecer a matéria à sua volta. Dançando, Shiva sustenta seus infinitos fenômenos e, quando o tempo se esgota, ainda dançando, ele destrói todas as formas por meio do fogo e se põe de novo a descansar".

Iorubá

Na crença de Iorubá, o processo de criação envolve várias divindades. Em uma das versões, Olorum – Senhor Deus Universal – criou primeiramente todos os Orixás (divindades) para habitar Orun (o Céu, mundo espiritual), com o objetivo de usá-los como auxiliares para executar todas as tarefas que estariam relacionadas com a própria criação e o posterior governo do mundo. Então, Olorum encarregou Obatalá de criar o mundo; mas este, com pressa, não rendeu a Bará os tributos devidos e, durante sua caminhada, parou para beber vinho de palmeira e, embriagando-se, adormeceu. Oduduá, a Divina Senhora, foi ao encontro de Obatalá e, ao vê-lo adormecido, pegou os elementos da criação e começou a formação física da terra. Ela mandou que cinco galinhas-d'angola começassem a ciscar a terra, espalhando-a, dando assim origem aos continentes. Oduduá soltou então os pombos brancos - símbolo de Oxalá – e assim nasceram os céus. De um camaleão fez surgir o fogo e, com caracóis, ela criou o mar.

Islamismo

O criacionismo islâmico é a crença de que o universo (incluindo a humanidade) foi criado diretamente por Deus, como é explicado no Alcorão. Ele geralmente vê o Livro do Gênesis como uma versão corrompida da mensagem de Deus. Os mitos da criação do Alcorão são vagos e permitem uma ampla gama de interpretações semelhantes aos de outras religiões abraâmicas. Os muçulmanos em geral aceitam as posições científicas sobre a idade da Terra e do universo, porém, ao contrário dos muçulmanos amaditas, não aceitam a evolução. Os muçulmanos acreditam que os humanos foram inseridos na Terra em uma data muito posterior a partir da criação da terra.[carece de fontes?]

Judaísmo e cristianismo

Na tradição judaico-cristã sobre a criação divina do mundo, que é baseada em Gênesis, um ser único e absoluto, denominado Javé ou Jeová (ou Deus), perfeito, incriado, que existe por si só e não depende da existência do Universo, é o elemento central da estrutura criacionista. Exercendo seu infinito poder criativo, ele criou o Universo em seis dias e no sétimo descansou. Sempre através de palavras, no primeiro dia, ele fez a luz e separou o dia da noite; no segundo dia, ele criou o céu; no terceiro dia, a terra e o mar, as árvores e as plantas; no quarto dia, o Sol, a Lua e as estrelas; no quinto dia, os peixes e as aves; e, no sexto dia, ele criou os animais e, por fim, ele fez o homem e a mulher (Adão e Eva) à sua imagem e semelhança.

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Conceitos

Imagem: Ponto Biologia · BY-SA · Openverse

As teorias criacionistas surgem através da fala do possível criador com o homem ou a partir da experiência humana primitiva com o objetivo de responder às indagações do homem sobre a origem do Universo – um tema sempre presente no espírito humano em todas as épocas e em todas as civilizações. Assim, na tentativa de explicar a essência de todas as coisas e estabelecer um elo entre o compreensível e o incompreensível, entre o físico e o metafísico, uma quantidade infindável de respostas foram elaboradas pelo que uns dizem ser a imaginação humana e outros dizem ser a própria vontade de suas divindades, transcritas nos textos e nos ritos sagrados de várias culturas. Algumas linhas do pensamento criacionista ambicionam oferecer um tipo de argumentação que não se restringe somente a esta convicção religiosa. Assim, buscam fundamentar a afirmação da origem divina do universo e dos seres vivos em argumentos não somente religiosos, mas também científicos e filosóficos. Tais argumentos, em alguns casos refutam completamente evolucionismo biológico, e em outros casos aceitam parcialmente, com ressalvas, o evolucionismo biológico.

Criacionismo dito científico

Dentre os criacionistas de terra antiga e clássicos figuram-se aqueles que denominam-se defensores de um criacionismo científico, que se fundamenta em supostas evidências de que houve planejamento no surgimento das espécies (no que se associa ao chamado Design Inteligente, do planeta e de todo o universo ,em suma, argumentos teleológicos). Essa posição pretendente a científica aponta para a existência de um ser criador sem identificá-lo; enquanto o criacionismo religioso afirma quem é o criador. Mas invariavelmente, os defensores deste tipo de criacionismo tenderão a associar suas afirmações com a narrativa bíblica. O problema deste tipo de afirmação é que contraria na atual definição de ciência (pela Filosofia da Ciência) o que seja o princípio de demarcação: a ciência não pode fazer afirmações com base em um suposto agente sobrenatural, que esteja além das evidências. Logo, pode-se afirmar que exista a ação de uma entidade sobrenatural, mas não se pode afirmar que esta afirmação seja científica.

Teologia evolucionista

Alguns teólogos têm procurado conciliar os textos bíblicos com a Teoria da Evolução. Teilhard de Chardin foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que logrou construir uma visão integradora entre ciência e teologia. Através de suas obras, legou-nos uma filosofia que reconcilia a ciência do mundo material com as forças sagradas do divino e sua teologia. Disposto a desfazer o mal-entendido entre a ciência e a religião, conseguiu ser mal visto pelos representantes de ambas. Muitos colegas cientistas negaram o valor científico de sua obra, acusando-a de vir carregada de um misticismo e de uma linguagem estranha à ciência. Do lado da Igreja Católica, por sua vez, foi proibido de lecionar, de publicar suas obras teológicas e submetido a um quase exílio na China.

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Críticas

Imagem: Fotografia Adventista by Rafael Fischer · BY-NC · Openverse

Científicas

A ciência é um sistema de conhecimento baseado na observação, evidências empíricas testáveis e em explicações dos fenômenos naturais. Por outro lado, o criacionismo é baseado em interpretações literais de narrativas de determinados textos religiosos. Algumas crenças criacionistas envolvem supostas forças que se encontram fora da natureza, tais como a intervenção sobrenatural, e estas não podem ser confirmadas ou refutadas por cientistas. No entanto, muitas crenças criacionistas podem ser enquadradas como previsões testáveis sobre fenômenos como a idade da Terra, sua história geológica e origens, e distribuição e relações dos organismos vivos encontrados nela. A ciência do início incorporou elementos dessas crenças, mas, como a ciência se desenvolveu, essas crenças foram sendo provadas como falsas e foram substituídas por entendimentos com base em evidências acumuladas e reprodutíveis. Alguns cientistas, como Stephen Jay Gould, consideram a ciência e a religião como dois campos compatíveis e complementares, sendo autoridades em áreas distintas da experiência humana, os chamados magistérios não-sobrepostos. Esta visão é também apoiada por muitos teólogos, que acreditam que as origens e o significado da vida são temas abordados pela religião, mas são a favor das explicações científicas dos fenômenos naturais sobre as crenças criacionistas. Outros cientistas, como Richard Dawkins, rejeitam que os magistérios não se sobrepõem e argumentam que, refutando a interpretação literal dos criacionistas, o método científico também prejudica os textos religiosos como uma fonte de verdade. Independentemente da diversidade de pontos de vista, uma vez que as crenças criacionistas não são suportadas pela evidência empírica, o consenso científico é de que qualquer tentativa de ensinar o criacionismo como ciência deve ser rejeitada.

Cristãs

Muitos cristãos discordam do ensino do criacionismo. Várias organizações religiosas, entre elas a Igreja Católica, dizem que a sua fé não está em conflito com o consenso científico a respeito do processo evolutivo. O Clergy Letter Project, que coletou mais de 13 mil assinaturas, é um "esforço desenvolvido para demonstrar que a religião e a ciência podem ser compatíveis." O próprio Papa Francisco afirmou que o evolucionismo e a teoria do Big Bang são linhas de pensamento corretas e que não entram em conflito com o catolicismo romano. No artigo "Design Inteligente como um problema teológico", George Murphy argumenta contra a visão de que a vida na Terra, em todas as suas formas, é uma evidência direta do ato da criação de Deus (Murphy cita a reivindicação de Phillip Johnson de que "um Deus que agiu de forma aberta e deixou suas impressões digitais em todas as provas."). Murphy argumenta que esta visão de Deus é incompatível com a compreensão cristã de Deus como "aquele revelado na cruz e na ressurreição de Jesus." A base dessa teologia é Isaías 45:15, "Verdadeiramente, tu és um Deus que te ocultas, ó Deus de Israel, o Salvador." Ele observa que a execução de um carpinteiro judeu por parte das autoridades romanas é em si um acontecimento comum e não exige ação divina. Pelo contrário, para a crucificação ocorrer, Deus teve de limitar ou "esvaziar" a si mesmo. Foi por esta razão que Paulo escreveu em Filipenses 2:5-8,

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Fontes consultadas

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