Cosac Naify
Cosac Naify é uma editora brasileira fundada por Charles Cosac e Michael Naify em 1996 em São Paulo, que publicava livros de arte, arquitetura, cinema, dança, design, fotografia, infantojuvenil, literatura, moda, música, antropologia, sociologia, e teatro. Era conhecida por suas edições de luxo.
A história da Cosac Naify começou em junho de 1997, quando as livrarias brasileiras receberam o volume Barroco de Lírios, de Tunga. Com mais de dez tipos de papéis e 200 ilustrações, o livro criado por um dos principais artistas contemporâneos do mundo tinha recursos como a fotografia de uma trança que, desdobrada, chegava a um metro de comprimento. Primeiro, vieram as artes plásticas, área na qual a editora publicou mais de cem títulos, incluindo 50 monografias sobre artistas brasileiros e títulos da crítica de arte nunca antes traduzidos para o português, como os três volumes de História da arte italiana, de Giulio Carlo Argan, e Piero della Francesca, de Roberto Longhi, com introdução de Carlo Ginzburg. A editora também publicou ficção, em edições de títulos como Os Miseráveis, Anna Kariênina e Moby Dick, além de nomes da literatura moderna como o americano William Faulkner e o brasileiro João Antônio. Também publica o espanhol Enrique Vila-Matas, os russos Dostoiévski, Gontcharov e Turguêniev, o argentino Alan Pauls, o alemão Ingo Schulze, o mexicano Mario Bellatin, o francês J. M. G. Le Clézio (Prêmio Nobel de 2008), entre outros. Editou obras de Murilo Mendes, Glauber Rocha e Manuel Bandeira. A editora também publicou ensaístas recentes (que viveram ou vivem até o século XXI), tais como: Bento Prado Jr., Fernando Novais, Davi Arrigucci Jr., Ismail Xavier, Eduardo Viveiros de Castro e Ferreira Gullar.
Imagem: Cosac Naify · BY · Openverse
Em 30 de novembro de 2015, Charles Cosac anuncia o encerramento das atividades da editora. Dentre as causas do fechamento da Cosac Naify, Charles elencou a crise econômica brasileira, a alta do dólar, o aumento da inflação e a burocrática legislação vigente no país. A Amazon e a Cosac Naify fecharam um acordo para que todos os livros disponíveis no estoque da editora, bem como possíveis reimpressões do catálogo e lançamentos anteriormente previstos até 2017, sejam disponibilizados exclusivamente na Amazon.com.br.
Imagem: polentafria · BY · Openverse
Oito anos depois o encerramento das atividades da Cosac & Naify, Charles Cosac, radicado novamente em São Paulo, reativou o CNPJ de sua extinta editora e a reformulou sob o nome "Cosac" – Michael Naify, seu sócio original, deixou o mercado editorial e voltou-se a uma carreira como fotógrafo. Em entrevista publicada no dia 22 de novembro de 2023 pela Folha de S.Paulo, ele declarou que a nova editora operará em menor escopo, com foco majoritariamente voltado para livros fotográficos sobre joias, artes plásticas e publicações de cunho acadêmico. O primeiro lançamento da nova empreitada é um livro do artista plástico Siron Franco, e entre os demais projetos em andamento estão uma caixa com dois volumes de livros fotográficos que exploram a temática da joalheria afro-brasileira na Bahia dos séculos XVIII e XIX, com foco no trabalho de Florinda Anna do Nascimento, alforriada que tornou-se uma reconhecida ourives. Entre os planos, estão eventuais reedições de trabalhos originalmente publicados pela antiga Cosac & Naify, como coletâneas de ensaios de Ismail Xavier. Na entrevista à Folha, Cosac ressaltou que a nova editora não participará de eventos literários de maior porte, e apontou que a distribuição dos novos lançamentos será restrita a um número seleto de livrarias e ao varejo digital, em uma abordagem que busca distância do mercado editorial tradicional.


