Bruno Munari
Bruno Munari foi um artista e designer italiano, que contribuiu com fundamentos em muitos campos das artes visuais e também com outros tipos de arte, com a investigação sobre o tema do jogo, a infância e a criatividade.
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Bruno Munari nasceu em Milão, mas passou a infância e a adolescência em Badia Polesine. Em 1925, voltou a Milão, onde começou a trabalhar com um tio que era engenheiro. Em 1927 começou a seguir Filippo Tommaso Marinetti e o movimento futurista, mostrando o seu trabalho em várias exposições. Três anos mais tarde associou-se a Riccardo Castagnedi (Ricas), com quem trabalhou como designer gráfico até 1938. Poucos trabalhos de Munari existem deste período, já que a maioria eram feitas de materiais transitórios. Uma obra existente em têmpera de 1932 sugere que Munari tinha adotado integralmente a estética futurista. Vários outros exemplos de 1930, no entanto, mostram uma clara dívida para com o Surrealismo. Durante uma viagem a Paris, em 1933, encontrou-se com Louis Aragon e André Breton. De 1939 a 1945 trabalhou como designer gráfico para o editor Mondadori, e como diretor de arte da revista Tempo. Ao mesmo tempo começa a criar livros para crianças, originalmente pensados para o seu filho Alberto.
Imagem: n e o g e j o · BY-NC-ND · Openverse
O conceito de livro ilegível e pré livro foi desenvolvido por Bruno Munari, no ano de 1981, quando publicou o livro Das Coisas Nascem as Coisas. A intenção do pré livro é incentivar as crianças a experimentarem o livro de forma diferente, ampliando sua concepção sensorial e desconstruindo o conceito do objeto livro. Munari percebeu em seu trabalho com as crianças, que muitos adultos não se tornam leitores devido à má experiência que tiveram com os livros na infância. Durante muito tempo, os livros foram marcados pelos mesmos formatos de páginas, pela encadernação padrão, textos e algumas imagens tradicionais, que nunca trouxeram tanto interesse além da informação registrada nas páginas. A solução encontrada por Munari foi explorar o conceito livro de forma inovadora. “ Sabe-se que as pessoas de idade têm uma enorme dificuldade em modificar o seu pensamento, justamente porque aquilo que se aprende nos primeiros anos de vida permanece como regra fixa para sempre; ter de mudar, para muitos, é como perder a segurança para aventurar-se numa situação que não se conhece. A solução deste problema, de aumentar o conhecimento e de formar pessoas com mentalidade mais elástica e menos repetitiva, está em nos ocuparmos com os indivíduos enquanto se formam. Sabemos também que nos primeiros anos de vida as crianças conhecem o ambiente que as rodeia por meio de todos os seus receptores sensoriais e não apenas da vista e do ouvido, percebendo sensações táteis, térmicas, matériais, sonoras, olfativas... Pode-se projetar um conjunto de objetos parecidos com livros, mas todos diferentes para informação visual, tátil, matérial, sonora, térmica [...].”


