Culto de personalidade
O culto de personalidade, ou culto à personalidade, é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes - reais e/ou supostas - do governante, bem como da divulgação positiva de sua figura. Cultos de personalidade são frequentemente encontrados em ditaduras, embora também existam em democracias. Historicamente, ela foi desenvolvida por meio de técnicas como a manipulação da mídia de massa, a disseminação de propaganda, a encenação de espetáculos, a manipulação das artes, a instilação do patriotismo e manifestações e comícios organizados pelo governo. Um culto à personalidade é semelhante à apoteose, exceto que é estabelecido por meio do uso de técnicas modernas de engenharia social; geralmente, é estabelecido pelo Estado ou pelo partido em Estados de partido único e Estados de partido dominante. Cultos à personalidade frequentemente acompanham os líderes de governos totalitários ou autoritários. Também podem ser observados em algumas monarquias, teocracias, democracias falidas e até mesmo em democracias liberais.
O termo "culto à personalidade" foi utilizado pela primeira vez em 1956 por Nikita Khrushchov no Discurso secreto para denunciar Josef Stalin, apesar desta ideia aparecer sem este nome desde a Revolução Francesa quando os líderes políticos deixaram de ser vistos como representantes de terceiros para serem vistos como representantes de si mesmos. Em inglês, o termo "culto à personalidade" provavelmente surgiu por volta de 1800-1850, juntamente com as versões francesa e alemã do termo. Inicialmente, não tinha conotações políticas, mas estava intimamente relacionado ao "culto ao gênio" romântico. O primeiro uso político conhecido da expressão apareceu em uma carta de Karl Marx ao político alemão Wilhelm Blos, datada de 10 de novembro de 1877: Nenhum de nós se importa com a popularidade. Permita-me citar uma prova disso: tamanha era minha aversão ao culto à personalidade [orig. Personenkultus] que, na época da Internacional, atormentada por inúmeras mudanças... para me conceder honraria pública, nunca permiti que nenhuma delas entrasse no domínio da publicidade...
Ao longo da história humana, monarcas e outros chefes de Estado foram frequentemente tratados com enorme reverência e também eram considerados dotados de qualidades sobre-humanas. Através do princípio do direito divino dos reis, notadamente na Europa medieval, dizia-se que os governantes ocupavam cargos pela vontade de Deus ou pela vontade dos deuses. O Egito Antigo, o Japão Imperial, os incas, os astecas, o Tibete, o Sião (atual Tailândia) e o Império Romano são especialmente notáveis por sua redefinição de monarcas como "reis-deuses". Além disso, o culto imperial da Roma Antiga identificava os imperadores e alguns membros de suas famílias com a autoridade divinamente sancionada (auctoritas) do Estado Romano. A disseminação de ideias democráticas e seculares na Europa e na América do Norte nos séculos XVIII e XIX tornou cada vez mais difícil para os monarcas preservarem essa aura, embora Napoleão III e a Rainha Vitória apreciassem sua perpetuação em seus retratos carte-de-visite que proliferaram, circularam e foram colecionados no século XIX.
Regimes totalitários que praticaram culto à personalidade de seus líderes incluem Stalin, Hitler, Franco, Mussolini, Mao, Ceauşescu, Kim Il-Sung, Kim Jong-Il e Rafael Leónidas Trujillo. Na União Soviética retratos de Stalin eram sempre colocados ao lado de outros símbolos comunistas, por exemplo, na parada esportiva anual de Moscou, retratos enormes de Stalin e outros líderes soviéticos eram usados. Stalin era chamado de Vozhd (em russo: Вождь, Líder), e deveria ser admirado pelo povo. A natureza precisa deste culto, ou mesmo se era incentivado por Stalin, é objeto de controvérsia. Na Alemanha nazista houve um fortíssimo culto à personalidade de Hitler, a saudação de Hitler que consistia em levantar-se o braço e dizer Heil Hitler (em português Salve Hitler) era comum, especialmente por oficiais do exército, que a usavam como continência. Muitas vezes ao atender ao telefone em vez de dizer de Alô, dizia-se Heil Hitler. Hitler era considerado o "übermensch" (super-homem) e chamado de Führer (Líder).
China
Na República Popular da China ocorreu um forte culto ao Presidente Mao Tsé-Tung que permanece até a atualidade. Dizia-se "Viva o Presidente Mao", em 1949 o retrato de Mao foi exposto na entrada da Cidade Proibida, na Praça da Paz Celestial e permanece lá até a atualidade. As Citações do Presidente Mao Tsé-Tung, um livro que expunha as ideias de Mao, o "Maoísmo", era uma exigência não oficial para todo cidadão chinês conhecê-lo e possuí-lo, especialmente durante a Revolução Cultural, tornando-se o segundo livro mais vendido na história, atrás apenas da Bíblia, teve aproximadamente 900 milhões de cópias impressas.
Coreia do Norte
O jornalista Bradley Martin documentou os cultos à personalidade dos líderes da Coreia do Norte, Kim Il-sung (chamado de "Eterno (ou Antigo, ou ainda Grande) Líder" e "Grande (ou Querido ou ainda Caro) Líder" Kim Jong-il. Quando visitou a Coreia do Norte em 1979, observou que diversos aspectos culturais, tal como a música, arte e escultura glorificavam o "Grande Líder" Kim Il-sung, culto à personalidade este que foi estendido para o seu filho, o "Querido Líder" Kim Jong-il. Kim Il-Sung negou que que ele tinha criado um culto em torno de si próprio. Um pesquisa confirmou que na Coreia do Norte nas escolas os alunos aprenderam a agradecer a Kim Il-sung por todas as bênçãos que possuem, de uma forma quase religiosa.
Espanha
Na Espanha ocorreu um forte culto ao ditador Francisco Franco; um exemplo de propaganda usada para criar um culto à personalidade de Franco, foram os panfletos com o rosto do ditador, distribuídos para os cidadãos em toda a Espanha. Franco também inventou seu próprio folclore, na forma de poemas, hinos e canções que foram impostas à população civil.


