Andrew Jackson
Andrew Jackson foi um fazendeiro, mercador de escravos, militar e estadista americano que foi o sétimo presidente dos Estados Unidos de 1829 a 1837. Antes de ser eleito para a presidência, ganhou fama como general do Exército dos EUA e ocupou cargos em ambas as casas do Congresso dos EUA. Sua Presidência é lembrada pelo que apresentava como a defesa do "homem comum", em oposição a uma "aristocracia corrupta", pela defesa da unidade nacional e por políticas racistas, especialmente em relação aos povos nativos.
Andrew Jackson nasceu em 15 de março de 1767, na região de Waxhaws, nas Carolinas. Seus pais eram os colonos escoceses-irlandeses Andrew Jackson e Elizabeth Hutchinson, presbiterianos que emigraram de Ulster, Irlanda, em 1765. O pai de Jackson nasceu em Carrickfergus, condado de Antrim, por volta de 1738, e seus ancestrais haviam cruzado para a Irlanda do Norte vindo da Escócia após a Batalha de Boyne em 1690. Jackson tinha dois irmãos mais velhos, que vieram da Irlanda com seus pais, Hugh (nascido em 1763) e Robert (nascido em 1764). Não se sabe o local exato do nascimento exato de Jackson. Seu pai morreu aos 29 anos em um acidente madeireiro enquanto limpava terras em fevereiro de 1767, três semanas antes do nascimento de Andrew. Depois disso, Elizabeth e seus três filhos foram morar com sua irmã e cunhado, Jane e James Crawford. Jackson afirmou, mais tarde, que nasceu na plantação de Crawford, que fica no condado de Lancaster, Carolina do Sul, mas evidências de segunda mão sugerem que ele possa ter nascido na casa de outro tio, na Carolina do Norte.
Jackson e seus irmãos mais velhos, Hugh e Robert, prestaram serviço militar contra os britânicos durante a Guerra Revolucionária. Hugh serviu com o coronel William Richardson Davie, e acabou morrendo de exaustão devido ao calor após a Batalha de Stono Ferry em junho de 1779. Depois do Massacre de Waxhas, no dia 29 de maio de 1780, quando o sentimento antibritânico se intensificou, Elizabeth encorajou Andrew e Robert a participarem dos treinamentos da milícia. Eles serviram como mensageiros e batedores, e participaram com Davie na Batalha de Hanging Rock em 6 de agosto de 1780. Andrew e Robert foram capturados em abril de 1781, quando os britânicos ocuparam a casa de um parente de Crawford. Um oficial britânico exigiu que suas botas fossem engraxadas. Andrew recusou-se, e o oficial cortou-o com uma espada, deixando-o com cicatrizes na mão esquerda e na cabeça. Robert também recusou-se e levou um golpe na cabeça. Os irmãos foram levados para um campo de prisioneiros em Camden, onde passaram fome e contraíram varíola. Ao final da primavera, os irmãos foram entregues à mãe em uma troca de prisioneiros. Robert morreu dois dias depois de chegar em casa, mas Elizabeth conseguiu cuidar de Andrew. Assim que ele se recuperou, Elizabeth ofereceu-se para cuidar de prisioneiros de guerra americanos alojados em navios-prisão britânicos no porto de Charleston. Ela contraiu cólera, morreu logo depois e foi enterrada em uma vala comum. A guerra não apenas tornou Jackson órfão aos 14 anos, mas o levou a desprezar os valores que ele associava à Grã-Bretanha, particularmente a aristocracia e os privilégios políticos.
Carreira jurídica e casamento
Após a Guerra Revolucionária Americana, Jackson trabalhou como seleiro, retornou brevemente à escola e ensinou leitura e escrita para crianças. Em 1784, deixou a região de Waxhaws e foi para Salisbury, Carolina do Norte, onde estudou direito com o advogado Spruce Macay. Ele completou seu treinamento com John Stokes, e foi aprovado no exame para advogados da Carolina do Norte em setembro de 1787. Pouco tempo depois, seu amigo John McNairy o ajudou a ser nomeado promotor público no Distrito Ocidental da Carolina do Norte, que mais tarde se tornaria o estado do Tennessee. Enquanto viajava para assumir seu novo cargo, Jackson parou em Jonesborough. Enquanto estava lá, comprou sua primeira escrava, uma mulher que tinha mais ou menos a sua idade. Ele também travou seu primeiro duelo, acusando outro advogado, Waightstill Avery, de contestar seu caráter. O duelo terminou com os dois homens atirando para o ar, tendo feito um acordo secreto anteriormente.
Início da carreira pública
Jackson tornou-se membro do Partido Democrata-Republicano, o partido dominante no Tennessee. Ele foi eleito delegado para a convenção constitucional do Tennessee em 1796. Quando o Tennessee alcançou a condição de Estado naquele ano, Jackson foi eleito para representá-lo na Câmara dos Representantes dos EUA. Nesta posição, aproximou-se da facção mais radical, favorável à França e contrária ao Reino Unido. No Congresso, ele se opôs ao Tratado de Jay, criticou George Washington por supostamente remover os Democratas-Republicanos de cargos públicos, e juntou-se a vários outros congressistas Democratas-Republicanos na votação contra uma resolução de agradecimento a Washington. Ele defendeu o direito dos tennessianos de se oporem militarmente aos interesses dos nativos americanos. A legislatura estadual o elegeu senador em 1797, mas ele, em desgosto com o trabalho e com a administração de John Adams, renunciou após servir apenas seis meses,.
Carreira de agricultor e escravidão
Jackson renunciou ao cargo de juiz em 1804. Ele quase faliu quando o crédito que usou para especulação imobiliária entrou em colapso após um pânico financeiro. Ele teve que vender Hunters Hill, bem como 10 mil hectares de terras que ele havia comprado para especular, e comprou uma área menor de 170 hectares perto de Nashville, que ele chamaria de Hermitage. Concentrou-se em recuperar-se de suas perdas, tornando-se um fazendeiro e comerciante de sucesso. O Hermitage cresceria para 400 hectares, tornando-a uma das maiores plantações de algodão do estado. Como a maioria dos proprietários do Sul dos Estados Unidos, Jackson utilizou trabalho escravo. Em 1804, Jackson tinha nove escravos afro-americanos; em 1820, ele tinha mais de 100; e no momento de sua morte em 1845, ele tinha mais de 150. Considera-se que Hermitage oferecia uma qualidade média de vida melhor do que o que era normal na época para os escravizados. Jackson provia os escravos com armas, facas e equipamentos de pesca para auxiliá-los a obter comida, bem como às vezes os pagava com moedas. Ele eventualmente permitia que os escravizados fossem chicoteados, se considerasse que haviam cometido ofensas graves. Várias vezes, ele divulgou panfletos pela captura de fugitivos de sua plantação. Jackson também participou do comércio local de escravos. Com o tempo, seu acúmulo de riqueza, na forma de escravizados e terras, o colocou entre as famílias da elite do Tennessee.
Duelo com Dickinson e envolvimento com Burr
Em maio de 1806, Jackson travou um duelo com Charles Dickinson. Eles discutiram por causa de uma corrida de cavalos, e Dickinson supostamente proferiu uma calúnia contra Rachel. Durante o duelo, Dickinson, conhecido por sua pontaria, atirou primeiro, e a bala atingiu Jackson no peito. O ferimento não foi fatal porque a bala atingiu seu esterno. Sob as regras de duelos, Dickinson deveria permanecer parado, e enquanto isso Jackson mirou, atirou de volta e matou Dickinson. O assassinato manchou a reputação de Jackson, com muitos dos homens do Tennessee considerando-o frio e cruel. Mais tarde naquele ano, Jackson envolveu-se no plano do ex-vice-presidente Aaron Burr de conquistar a Flórida espanhola e expulsar os espanhóis do Texas. Jackson havia conhecido Burr pela primeira vez em 1805, quando ele se hospedou com os Jacksons no Hermitage, durante uma viagem pelo que era então o Oeste dos Estados Unidos, na qual Burr havia embarcado após ferir mortalmente Alexander Hamilton em duelo. Ele finalmente convenceu Jackson a participar de seu empreendimento. Em outubro de 1806, Jackson escreveu a James Winchester que os Estados Unidos "podem conquistar não apenas as Flóridas [naquela época havia uma Flórida Oriental e uma Flórida Ocidental], mas também toda a América do Norte espanhola". Ele informou à milícia do Tennessee de que deveria estar pronta para marchar a qualquer momento "em que o governo e a autoridade constituída de nosso país assim o exigirem", e concordou em fornecer barcos e provisões para a expedição. Jackson enviou uma carta ao presidente Thomas Jefferson dizendo-lhe que o Tennessee estava pronto para defender a honra da nação.
Guerra de 1812
Em 18 de junho de 1812, os Estados Unidos declararam guerra ao Reino Unido. As crescentes hostilidades com a Espanha e com a França não se materializaram, mas as tensões com a Grã-Bretanha haviam crescido por diversas razões. Embora as principais causas da Guerra de 1812 fossem sobre questões marítimas, estava entre elas o desejo de muitos americanos por mais terras, incluindo o Canadá britânico e a Flórida, ocupada pelos espanhóis, aliados britânicos. Jackson imediatamente ofereceu-se para recrutar voluntários para a guerra, mas só foi chamado ao serviço depois que os militares federais foram repetidamente derrotados no Noroeste americano. Após essas derrotas, em janeiro de 1813, Jackson alistou mais de 2 000 voluntários, que receberam a ordem de ir a Nova Orleans para defendê-la de um ataque britânico. Quando suas tropas chegaram a Natchez, foram ordenadas a parar pelo general Wilkinson, o comandante em Nova Orleans e o homem que Jackson acusou de traição após o empreendimento de Burr. Um pouco mais tarde, Jackson recebeu uma carta do Secretário da Guerra, John Armstrong, afirmando que seus voluntários não eram necessários, deveriam ser dispensados, e quaisquer suprimentos deveriam ser entregues a Wilkinson. Jackson recusou-se a dispersar suas tropas; em vez disso, ele os liderou na difícil marcha de volta a Nashville, ganhando o apelido de "Hickory" (uma espécie de árvore), mais tarde "Velho Hickory", por sua resistência.
Primeira Guerra Seminole
Após a guerra, Jackson permaneceu no comando das tropas na metade sul dos Estados Unidos e foi autorizado a instalar seu quartel-general em Hermitage. Jackson continuou com deslocamentos forçados de nativos americanos em áreas sob seu comando. Apesar da resistência do Secretário do Tesouro William Crawford, que tentou ajudar os nativos americanos a reter suas terras, Jackson assinou cinco tratados entre 1816 e 1820, incluindo o Tratado de Tuscaloosa e o Tratado de Doak's Stand, nos quais os Creek, Choctaw, Cherokee e Chickasaw cederam dezenas de milhões de hectares de terra aos Estados Unidos. Jackson logo se veria envolvido em conflitos na Flórida. O antigo posto britânico em Prospect Bluff, que ficou conhecido pelos americanos como "o forte dos Negros", permanecia ocupado por mais de mil ex-soldados da Marinha Real e Colonial britânica, escravos fugitivos e vários povos indígenas. Tornou-se um ímã para fugitivos e era visto como uma ameaça aos direitos de propriedade dos escravizadores americanos, até mesmo como uma razão de uma potencial insurreição de pessoas escravizadas. Jackson ordenou que o coronel Duncan Clinch capturasse o forte em julho de 1816. Ele destruiu-o e matou muitos membros da guarnição. Alguns sobreviventes foram escravizados e outros fugiram para áreas desabitadas da Flórida.
Eleição de 1824
Em 1819, a má gestão do Segundo Banco dos Estados Unidos levou a um pânico financeiro e, consequentemente, à primeira depressão financeira prolongada dos EUA. O governo reduziu as forças armadas, e Jackson foi forçado a aposentar-se de seu cargo de major-general. Em compensação, Monroe fez dele o primeiro governador territorial da Flórida em 1821. Ele trabalhou como governador por dois meses, retornando a Hermitage devido a problemas de saúde. Durante sua recuperação, Jackson, que era maçom desde pelo menos 1798, tornou-se o Grão-Mestre da Grande Loja do Tennessee entre 1822 e 1823. Nessa época, ele também concluiu negociações para que o Tennessee comprasse terras dos chickasaws. Isso ficou conhecido como a Compra de Jackson. Ele, Overton e outro colega especularam com algumas das terras e usaram suas partes para fundar a cidade de Memphis.
Eleição de 1828 e morte de Rachel Jackson
Após a eleição, os apoiadores de Jackson formaram um novo partido para prejudicar Adams e garantir que ele cumprisse apenas um mandato. A presidência de Adams foi ruim, e o seu comportamento prejudicou-a. Ele era visto como parte de uma elite intelectual que ignorava as necessidades da população. Não conseguiu realizar nada, pois o Congresso bloqueava suas propostas. Em sua Primeira Mensagem Anual ao Congresso, Adams afirmou que "estamos paralisados pela vontade de nossos constituintes", o que foi interpretado como uma posição contrária à democracia representativa. Jackson respondia defendendo as necessidades dos cidadãos comuns e declarando que "a voz do povo [...] deve ser ouvida".
Algumas semanas após sua posse, Jackson começou a planejar como poderia substituir o Segundo Banco dos Estados Unidos. O Banco havia sido fundado pelo presidente Madison em 1816 para restaurar a economia dos Estados Unidos após a Guerra de 1812. Monroe nomeou Nicholas Biddle como executivo do Banco. A instituição era um repositório das divisas públicas do país, que também pagavam a dívida nacional; foi constituída como uma entidade com fins lucrativos que cuidava dos interesses de seus acionistas. Sob a administração do Banco, o país estava economicamente saudável e a moeda era estável, mas Jackson via o Banco como um quarto ramo do governo, dirigido por uma elite, o que ele chamava de "dinheiro do poder", que buscava controlar o trabalho e os rendimentos das "pessoas reais", que dependiam de seus próprios esforços para terem sucesso: os proprietários, agricultores, mecânicos e trabalhadores. Além disso, a quase falência de Jackson em 1804, devido à especulação imobiliária alimentada pelo crédito, o inclinou contra o papel-moeda e em direção a uma política metalista.
Filosofia
O nome de Jackson tem sido associado à mudança e à expansão da democracia com a transferência de algum poder político das elites estabelecidas para os eleitores comuns baseados em partidos políticos. A "Era de Jackson" moldou a agenda nacional e a política americana. A filosofia de Jackson como presidente era semelhante à de Jefferson, defendendo os valores republicanos mantidos pela geração da Guerra Revolucionária. Jackson adotou um tom moral, acreditando que afeições agrárias e uma visão limitada dos direitos estaduais e do governo federal resultariam em menos corrupção. Ele temia que interesses monetários e comerciais corrompessem os valores republicanos. Quando a Carolina do Sul se opôs à lei de tarifas, ele adotou uma postura forte a favor do nacionalismo e contra a secessão.
Posse
Jackson chegou a Washington em 11 de fevereiro. Sua primeira preocupação foi formar seu gabinete. Ele escolheu Van Buren como Secretário de Estado, seu amigo John Eaton como Secretário da Guerra, Samuel D. Ingham como Secretário do Tesouro, John Branch como Secretário da Marinha, John M. Berrien como Procurador-Geral e William T. Barry como chefe de correspondências. Jackson foi empossado em 4 de março de 1829, tornando-se o primeiro presidente eleito a prestar juramento no Pórtico Leste do Capitólio dos Estados Unidos. Amargurado com sua derrota, Adams recusou-se a comparecer. Em seu discurso inaugural, Jackson prometeu proteger a soberania dos estados, respeitar os limites da presidência, reformar o governo removendo nomeados desleais ou incompetentes e manter uma política justa em relação aos nativos americanos. Jackson convidou o público para a Casa Branca, que foi prontamente invadida por simpatizantes e sofreu pequenos danos ao seu mobiliário. O espetáculo lhe rendeu o apelido de “King Mob” ("Rei da Multidão", em português).
Reformas e rotação no cargo
A administração de Jackson acreditava que Adams era corrupto, e um de seus primeiros atos na presidência foi iniciar investigações em todos os departamentos executivos. As investigações revelaram que 280 mil dólares (equivalentes a 7,7 milhões de dólares em 2022) haviam sido roubados do Tesouro, e a redução de custos no Departamento da Marinha economizou um milhão de dólares (equivalentes a 27,5 milhões de dólares em 2022). Uma das pessoas presas em sua investigação foi Tobias Watkins, um auditor do Tesouro e amigo pessoal de Adams considerado culpado de peculato. No primeiro ano de seu mandato, Jackson pediu ao Congresso que endurecesse as leis sobre peculato, revisasse as leis para reduzir a evasão fiscal e pressionasse por um melhor sistema de contabilidade governamental.
Petticoat affair (Caso das Anáguas)
Jackson passou grande parte de seu tempo durante seus primeiros dois anos e meio no cargo lidando com o que veio a ser conhecido como o "Caso Petticoat" ou "Caso Eaton". O caso girava ao redor de Margaret, esposa de Eaton, o Secretário de Guerra. Ela tinha a reputação de ser promíscua e, como Rachel Jackson, foi acusada de adultério. Ela e Eaton eram próximos antes da morte de seu primeiro marido, John Timberlake, e casaram-se nove meses após o falecimento. Com exceção da esposa de Barry, Catherine, as esposas dos membros do gabinete seguiam o exemplo da esposa do vice-presidente Calhoun, Floride, e recusavam-se a socializar com os Eatons. Embora Jackson tenha defendido Margaret, sua presença dividiu o gabinete, que estava sendo tão ineficaz que ele raramente o convocava para sessão, e o desacordo contínuo levou a sua dissolução.
Indian Removal Act
A presidência de Jackson marcou o início de uma política nacional de remoção de nativos americanos. Antes de Jackson assumir o cargo, a relação entre os estados do Sul e as tribos nativas americanas que viviam dentro de suas fronteiras era tensa. Os estados sentiam que tinham jurisdição total sobre os seus territórios; as tribos nativas se viam como nações autônomas que tinham direito às terras onde viviam. Porções significativas das cinco principais tribos da área então conhecida como Sudoeste — os Cherokee, Choctaw, Chickasaw, Creek e Seminoles — começaram a adotar a cultura branca, incluindo educação, técnicas agrícolas, um sistema rodoviário e manufatura rudimentar. No caso das tensões entre o estado da Geórgia e os Cherokee, Adams tentou resolver a questão encorajando a emigração de cherokees para Oeste do Mississippi por meio de incentivos financeiros, mas a maioria recusou.
Crise da nulificação
Jackson teve que enfrentar outro desafio que se agravando desde o início de seu primeiro mandato. A tarifa de 1828, que foi aprovada no último ano da administração de Adams, estabeleceu uma tarifa protecionista a uma taxa muito elevada para evitar que as indústrias manufatureiras nos estados do Norte tivessem que competir com produtos importados britânicos, que tinham preços mais baixos. A tarifa reduziu a renda dos agricultores de algodão do sul: elevou os preços para o consumidor, mas não os preços do algodão, que haviam caído fortemente na década anterior. Imediatamente após a aprovação da tarifa, a Exposição e Protesto da Carolina do Sul foi enviada ao Senado dos EUA. Este documento, que foi escrito anonimamente por John C. Calhoun, afirmava que a constituição era um pacto de estados individuais e quando o governo federal fosse além de seus deveres delegados, como ao promulgar uma tarifa protecionista, um estado tinha o direito de declarar esta ação inconstitucional e tornar o ato nulo e sem efeito nas suas fronteiras.
Em 1837, Jackson retirou-se para Hermitage e imediatamente começou a colocar seus negócios em ordem, pois haviam sido mal administrados em sua ausência. Embora estivesse com a saúde debilitada e tivesse perdido parte de sua popularidade por ter sido responsabilizado pelo Pânico de 1837, ele permaneceu influente na política nacional e estadual. Jackson defendia o sistema de Indepedent Treasury (Tesouro independente) como solução para o pânico, no qual este manteria os saldos monetários do governo na forma de ouro ou prata e seria impedido de imprimir papel-moeda para evitar pressões inflacionárias. Esse sistema foi implementado em 1846. A recessão continuou e Van Buren tornou-se impopular. O Partido Whig nomeou o herói de guerra William Henry Harrison e o ex-democrata John Tyler para as eleições presidenciais de 1840. Eles usaram um estilo de campanha semelhante ao dos democratas: Van Buren foi retratado como um aristocrata insensível, enquanto o histórico de guerra de Harrison foi glorificado e ele foi retratado como um homem do povo. Jackson, lealmente, fez campanha por Van Buren no Tennessee. Ele defendeu James K. Polk como candidato a vice-presidente, mas nenhum candidato para esse cargo foi escolhido.
Família
Jackson e Rachel não tiveram filhos, mas adotaram Andrew Jackson Jr., filho do falecido irmão de Rachel, Severn Donelson. Os Jacksons atuaram como guardiões dos outros filhos de Donelson: John Samuel, Daniel Smith e Andrew Jackson. Eles também eram guardiões de Andrew Jackson Hutchings, sobrinho-neto órfão de Rachel, e dos filhos órfãos de seu amigo Edward Butler: Caroline, Eliza, Edward e Anthony, que viveram com os Jackson depois que seu pai morreu. Jackson também tinha três filhos Creek morando com eles: Lyncoya, um órfão que Jackson adotou após a Batalha de Tallushatchee, e dois meninos que eles chamaram de Theodore e Charley. Pela única vez na história dos EUA, duas mulheres atuaram simultaneamente como primeira-damas não oficiais do viúvo Jackson. A sobrinha de Rachel, Emily Donelson, era casada com Andrew Jackson Donelson (que atuou como secretário particular de Jackson), e trabalhou como anfitriã na Casa Branca. O presidente e Emily separaram-se por mais de um ano durante o caso Petticoat, mas eventualmente se reconciliaram e ela retomou suas funções como anfitriã da Casa Branca. Sarah Yorke Jackson, esposa de Andrew Jackson Jr., tornou-se co-anfitriã da Casa Branca em 1834 e assumiu a função exclusivamente depois que Emily morreu de tuberculose em 1836.
Temperamento
Jackson tinha a reputação de ser mal-humorado e violento, o que aterrorizava seus oponentes. Ele era capaz de usar seu temperamento estrategicamente para conseguir o que queria. Ele poderia mantê-lo sob controle quando necessário: seu comportamento foi amigável e educado quando foi a Washington como senador durante a campanha que antecedeu a eleição de 1824. Segundo Van Buren, ele permaneceu calmo em momentos de dificuldade e tomou suas decisões de forma deliberada. Ele tinha a tendência de levar as coisas para o lado pessoal. Se alguém o opusesse, ele muitas vezes ficava obcecado em esmagá-lo. Por exemplo, no último dia de sua presidência, Jackson declarou que tinha apenas dois arrependimentos: "não ter enforcado Henry Clay ou atirado em John C. Calhoun. Ele também tinha um forte senso de lealdade. Ele considerava as ameaças aos amigos como ameaças a si mesmo, mas exigia em troca uma lealdade inquestionável.
Fé religiosa
Em 1838, Jackson tornou-se membro oficial da Primeira Igreja Presbiteriana em Nashville. Tanto sua mãe quanto sua esposa foram presbiterianas devotas durante toda a vida, mas Jackson afirmou que adiou a entrada oficial na igreja até depois de sua aposentadoria para evitar acusações de que o tivesse feito por razões políticas.
O legado de Jackson é controverso e polarizado. O contemporâneo de Jackson, Alexis de Tocqueville, o descreveu como o porta-voz da maioria e de suas paixões. Ele foi descrito várias vezes como um homem da fronteira que personifica a independência do Oeste americano, um proprietário de escravos membro da nobreza rural sulista, e um populista que promoveu a fé na sabedoria do cidadão comum. Ele foi representado como um estadista que avançou substancialmente o espírito da democracia e defendeu os fundamentos do constitucionalismo americano, e também como um demagogo autocrático que esmagava a oposição política e desprezava a lei. Na década de 1920, a ascensão de Jackson ao poder passou a ser associada à ideia do "homem comum". Esta ideia definiu a época como uma rejeição populista das elites sociais e uma reivindicação do valor de cada pessoa, independente de classe e status. Jackson era visto como sua personificação, um indivíduo livre de restrições sociais que pode realizar grandes coisas. Em 1945, o influente Age of Jackson de Arthur M. Schlesinger Jr. redefiniu o legado de Jackson por meio das lentes do New Deal de Franklin D. Roosevelt, descrevendo o homem comum como um membro da classe trabalhadora lutando contra exploração por empresas.


