Modelo de Kübler-Ross
O modelo de Kübler-Ross refere-se a cinco estágios discretos que constituem o processo de lidar com a perda, o luto e a tragédia. Segundo este modelo, pacientes com doenças terminais tendem a entrar em estado de autodepreciação e, como tal, precisam se apoiar em alguns conceitos de conscientização do seu estado.
Kübler-Ross originalmente aplicou esses estágios a qualquer forma de perda pessoal catastrófica, desde a morte de um ente querido até o divórcio. Também alega que os estágios nem sempre ocorrem nessa ordem e nem todos são experimentados por todos os pacientes, mas afirmou que qualquer pessoa sempre experimentará pelo menos dois. Outros notaram que qualquer mudança pessoal significativa pode levar a esses estágios. Por exemplo, advogados criminalistas de defesa experientes estão cientes de que réus que estão enfrentando a possibilidade de punições severas, com pouca possibilidade de evitá-las, frequentemente experimentam esses estágios, sendo desejável que atinjam o estágio de aceitação antes de se declararem culpados. Kübler-Ross identificou estágios adicionais de resposta emocional, além dos cinco estágios amplamente reconhecidos do luto, ilustrados em um gráfico de página inteira na página 251 da edição do 50º aniversário de On Death and Dying. Junto com os estágios bem conhecidos de negação, raiva, negociação, depressão e aceitação, Kübler-Ross detalhou outros estágios como choque, negação parcial, luto preparatório (também conhecido como luto antecipatório), esperança e decatexia, que se refere ao processo de retirada do investimento emocional de objetos ou relacionamentos externos. Ela também reconheceu outras respostas emocionais, incluindo culpa, ansiedade e entorpecimento.
As críticas ao modelo de cinco estágios do luto se concentram principalmente na falta de pesquisas e evidências empíricas que apoiem os estágios descritos por Kübler-Ross e, inversamente, no apoio empírico a outros modos de expressão do luto. Além disso, foi sugerido que o modelo de Kübler-Ross é produto de uma cultura específica em uma época específica e pode não ser aplicável a pessoas de outras culturas. Esses pontos de vista foram expressos por muitos especialistas, incluindo Robert J. Kastenbaum (1932-2013), reconhecido especialista em gerontologia, envelhecimento e morte. Em seus escritos, Kastenbaum levantou os seguintes pontos: Um estudo amplamente citado, de 2003, com pessoas enlutadas, conduzido por Maciejewski e colegas da Universidade Yale, obteve alguns resultados consistentes com a hipótese dos cinco estágios, mas outros foram inconsistentes. Várias cartas também foram publicadas, na mesma revista, criticando essa pesquisa e argumentando contra a ideia de "estágio". Foi apontado, por exemplo, que, em vez de a "aceitação" ser o estágio final do luto, os dados mostraram que, na verdade, este foi o item endossado com mais frequência no primeiro e em todos os outros momentos medidos; que o viés cultural e geográfico na população da amostra não foi controlado; e que, do número total de participantes originalmente recrutados para o estudo, cerca de 40% foram excluídos da análise por não se enquadrarem no modelo de estágios. Em trabalhos posteriores, Prigerson e Maciejewski concentraram-se na aceitação (emocional e cognitiva) e se afastaram dos "estágios", escrevendo que seus resultados anteriores "poderiam ser descritos com mais precisão como ‘estados’ de luto".


