Ciclo de vida de uma tecnologia
O ciclo de vida de uma tecnologia compreende o período que vai desde o surgimento do artefato tecnológico até a sua total decadência, quando é substituído por outra tecnologia.
No ciclo de vida de uma tecnologia podemos identificar sete estágios distintos, onde cada estágio do ciclo representa uma série de circunstâncias pelas quais toda tecnologia tem que passar no período de sua existência. A seguir estão descritos cada estágio em particular: Como exemplo, a tabela abaixo apresenta o ciclo de vida da tecnologia de gravação fonográfica: Apesar de alguns benefícios, a fita cassete, se comparada ao LP, sofria uma perda de fidelidade sonora e impossibilitava o usuário de poder tocar as faixas na ordem desejada. Então o CD se revelou seu verdadeiro substituto, pois conservava esses atributos e até os aprimorava. Se comparado com o seu substituto, nota-se que, enquanto o fonógrafo levou aproximadamente 150 anos para completar seu ciclo de vida, o CD já começou a entrar no estágio de obsolescência em meados de 2010, ou seja, em aproximadamente 30 anos, e será considerado antiguidade muito em breve. É notável o encurtamento do ciclo de vida das tecnologias através dos anos, e para explicar isso, Ray Kurzweil desenvolveu a teoria das mudanças aceleradas, onde ele descreve que o processo de evolução Tecnológica é semelhante a um processo evolucionário de crescimento exponencial.
A aceleração da evolução tecnológica e, consequentemente, o encurtamento do ciclo de vida de uma tecnologia, torna-se ainda mais notável quando observado o campo da computação. Peter Diamandis, em um artigo discorrendo sobre a Lei das Mudanças Aceleradas descrita por Ray Kurzweil, mostra que o crescimento exponencial da computação passou por 5 paradigmas durante o século: A conhecida Lei de Moore, que descreve o crescimento exponencial dos circuitos integrados, pertence ao 5º paradigma. Isso mostra que a Lei das Mudanças Aceleradas possui um domínio muito maior, e que a Lei de Moore nada mais é do que um subconjunto dela no campo da computação. É importante notar que Ray Kurzweil já mencionou que 6º paradigma do crescimento computacional está a caminho: o circuito integrado tridimensional. De acordo com Peter Diamandis, existe algumas razões básicas que esclarecem o porquê da aceleração do desenvolvimento tecnológico. Dentre eles estão:
Enquanto para Ray Kurzweil e Peter Diamandis o processo de evolução tecnológica se assemelha à evolução biológica, no sentido de que o indivíduo melhor capacitado substitui o menos capacitado, há outras pessoas que acreditam que o fato de uma tecnologia se apresentar melhor do que outra não significa necessariamente que irá substituí-la. Há outros fatores que competem para que essa transição ocorra ou não de fato, e eles podem ser de ordem social, moral, política ou econômica. No entanto, é neste último em que aparecem os exemplos mais notórios, onde empresas tentam barrar o desenvolvimento de novas tecnologias para manter sua posição dominante perante o mercado ou tentam acelerar o processo de substituição de seus produtos tecnológicos por versões mais novas, fazendo com que não reste outra saída aos consumidores a não ser comprar a nova tecnologia. Um primeiro exemplo que nos chama a atenção é o caso do motor rotativo Wankel, concebido por volta de 1924 como alternativa aos motores com cilindro e pistão. O motor Wankel possui um estrutura muito simples, sendo seu bloco formado basicamente por três peças: o rotor, a caixa do rotor e o eixo de excêntricos. Não há molas, válvulas, comando de válvulas e outras coisas móveis. Entre as vantagens do motor Wankel se destacam: não existem vibrações, pois só há um movimento rotativo, o que leva a menos desgaste e maior tempo de durabilidade; pela sua simplicidade ele é menor e mais compacto, possibilitando modelar automóveis com melhor aerodinâmica automotiva; e gera mais potência e mais torque do que um motor convencional de mesma cilindrada. A desvantagem mais patente é que o motor Wankel consome mais combustível que os de cilindro e pistão. Também possuía no início algumas outras desvantagens que foram eliminadas por novas versões de motores derivados dele, como é o caso do Quasiturbine. No entanto, podemos perceber a pouca expressividade que esse modelo de motor teve industrialmente, sendo apenas a Mazda que o produziu por um tempo determinado. Devido a interesses comerciais e a padronização do mercado, o motor Wankel nunca conseguiu espaço perante seus concorrentes.


