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Mozi

Mozi, também latinizado como Micius, foi um filósofo chinês do período das cem escolas de pensamento, durante o período dos Reinos Combatentes, antes da unificação da China.[carece de fontes?]

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Nome

Imagem: 上条ジョー · BY-SA · Openverse

Muito se discute sobre o nome de Mozi. Acredita-se que o nome "Mo" tenha sido herdado de um ancestral, senhor Guzhu (chinês: 孤竹君, pinyin: Gūzhú Jūn), um descendente de Shennong, famoso imperador. Os descendentes do senhor Guzhu adotavam, como nome do clã, "Motai" (chinês: 墨胎, pinyin: Mòtāi), posteriormente encurtado para "Mo". Mas alguns estudiosos argumentam que "Mo", na verdade, não é o nome de clã de Mozi, já que o nome de sua família e clã não são encontrados em documentos do Período das Primaveras e Outonos e dos Reinos Combatentes. Como "Mo" também é o nome da escola Moísta, ele pode ter derivado do nome da pena capital usualmente aplicada em escravos, quando se tatuava a testa dos criminosos com o caracter para "tinta", que é "mo". Era um sinal que identificava os moístas quando foram perseguidos. O nome verdadeiro do clã de Mozi não é conhecido. Pode ser que ele nem mesmo tenha tido um nome de clã ou de família, por ter nascido em uma classe baixa da sociedade. Na antiguidade chinesa, a grande maioria do povo chinês não tinha relação com famílias aristocráticas, portanto não tinha direito a sobrenomes e nomes de clãs.

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Vida pessoal

Imagem: JeepersMedia · BY · Openverse

Estudiosos acreditam que Mozi eram membro de uma classe inferior de artesãos que conseguiu ascender na sociedade para um posto de oficial. Sabe-se que seus pais não se gostavam e que lhe dispensaram pouco amor durante a vida. Mozi era do estado de Lu, hoje Tengzhou, na província de Shandong. Como Confúcio, Mozi era conhecido por manter uma escola para aqueles que desejavam tornar-se funcionários servindo nos diferentes tribunais governantes dos Reinos Combatentes. Mozi provavelmente foi carpinteiro, sendo habilidoso em criar mecanismos como relógios e escadas móveis usadas para sitiar cidades com muros. Mesmo não tendo uma posição oficial no governo, ele era consultado por governantes a respeito de fortificação e armas de sítio. Mozi estudou os ensinamentos de Confúcio quando jovem, mas acredita-se que tenha se revoltado com sua filosofia fatalista e que enfatizava demais as elaboradas celebrações e rituais em detrimento da qualidade de vida e produtividade do povo. Ao se contrapor a Confúcio, Mozi conseguiu agregar seguidores que também rivalizavam com os ensinamentos confucionistas. Eram basicamente artesãos, pedreiros, ferreiros, gente simples que se organizou de maneira disciplinada ao redor de Mozi.

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Filosofia

Os principais ensinamentos de Mozi enfatizavam a autorreflexão e autenticidade, ao invés da cega obediência aos rituais elaborados. Ele observou que as pessoas aprendem sobre o mundo através da adversidade. Ao refletir sobre o sucesso e o fracasso, uma pessoa obtém o verdadeiro autoconhecimento ao invés de apenas se conformar com rituais. Mozi exaltava as pessoas que levavam uma vida simples, asceta, de renúncia à extravagância material e espiritual. Tal como Confúcio, Mozi idealizava a Dinastia Xia e os antigos personagens da mitologia chinesa, mas criticava as crenças confucionistas de que a vida moderna deveria ser padronizada seguindo os preceitos dos antigos, pois o que pensamos como "antigo" era na verdade o mais arrojado de sua época e ele não deveria servir de padrão para a inovação presente. Mozi acreditava que as pessoas eram capazes de mudar as circunstâncias e direcionar suas próprias vidas. E podiam fazer isso se aplicassem seus sentidos para observar o mundo, julgar objetos e eventos por suas causas, funções e bases históricas. Este era seu método de três vias, recomendado para testar a verdade ou não das afirmações. Seus seguidores posteriormente expandiram o método para a Escola dos Nomes.

Amor universal

Mozi tentou substituir o que ele considerada uma longa relação de apego dos chineses com o conceito de estruturas familiares e de clãs pelo conceito de "cuidado imparcial" ou "amor universal" (兼愛, jiān ài). Com isso, ele argumentava diretamente contra os confucionistas, que achavam que o cuidado com os outros devia variar de pessoa e de nível. Mozi, ao contrário, argumentava que as pessoas, por princípios, deveriam cuidar e amar uns aos outros igualmente, uma noção que filósofos de outras escolas consideraram um absurdo, interpretando as afirmações de Mozi como falta de cuidado com parentes e a família. O ato de amar e cuidar de todos deve começar com aquele que está mais próximo. O princípio fundamental é que a benevolência, bem como a malevolência, é necessária, e que uma será tratada enquanto tratamos uns aos outros. Enquanto cuidamos dos familiares do outro, alguém está cuidando de nossos familiares. Como ele diz no Livro das Odes:

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Sua influência

Imagem: SCWebster · BY-NC-ND · Openverse

"Mozi" é o nome do texto filosófico compilado por moístas segundo o que Mozi pensava. Como o moísmo desapareceu como uma tradição praticada na China, seus textos não foram bem preservados, e muitos de seus capítulos foram perdidos ou danificados. O moísmo foi suspenso durante o período de Dinastia Qin e morreu como um movimento sob o domínio da Dinastia Han, que adotou o confucionismo como doutrina oficial. No entanto, muitas de suas ideias foram absorvidas na corrente principal do pensamento chinês e foram reexaminadas nos tempos modernos. Alguns estudiosos chineses, sob o regime comunista, tentaram reabilitar Mozi como um "filósofo do povo", destacando tanto a sua abordagem racional-empírica como sua origem "proletária". Alguns apoiadores atuais do moísmo defendem que o moísmo e o comunismo têm muitos ideais comuns referentes à vida comunitária. A partir de uma perspectiva moderna, a filosofia de Mozi era mais avançada em alguns aspectos e de outras formas não tão avançada como a de Confúcio. Por exemplo, o seu conceito de jian'ai (兼愛, "amor universal) se referia a relações igualitárias e orientadas para a comunidade entre os indivíduos, enquanto a noção boai (博愛, "amor universal") de Confúcio se referia a relações, ainda que mutuamente benéficas, diferenciadas entre os indivíduos segundo sua condição social. Por outro lado, mostrou-se menos tolerante do que a de Confúcio, ao condenar tudo que não é diretamente "útil", ignorando as funções de humanização da arte e da música por exemplo. Zhuangzi, que criticou tanto os confucionistas como os moístas, levou isso em conta ao fazer suas parábolas sobre a "inutilidade da utilidade".

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O moísmo e a ciência

Imagem: daniel.edwins · BY-SA · Openverse

De acordo com Joseph Needham, o "Mozi" (escrito filosófico) contém a seguinte declaração: A cessação do movimento é devido à força de oposição ... se não houver nenhum força oposta ... nunca parar de se mover. Isto é tão verdadeiro quanto o fato de que um boi não é um cavalo. Needham disse que essa afirmação é um precursor para a primeira lei de Newton. O Mozi também contém especulações sobre óptica e mecânica bastante originais, mas, infelizmente, as suas ideias não foram consideradas pelos filósofos posteriores chineses. A tradição moísta também é bastante incomum como parte do pensamento chinês devido ao tempo dedicado ao desenvolvimento de um início de lógica.

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