Carlos Eugênio Paz
Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz foi um músico, escritor e ex-guerrilheiro que participou da luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Ele foi o último comandante militar da organização de extrema-esquerda Ação Libertadora Nacional (ALN), após a morte de Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, aos 21 anos de idade. Um dos quatro brasileiros condenados à morte in absentia pelo regime autoritário, foi também um dos poucos integrantes da luta armada que sobreviveu sem nunca ter sido preso ou torturado, exilando-se na Europa em 1973 após o desmantelamento da resistência armada contra a ditadura pelas forças de repressão do governo. Foi um dos últimos brasileiros anistiados, em maio de 1982.
Guerrilha
Quando chegou ao Rio de Janeiro com a família vindo de Alagoas, foi estudar no Colégio Andrews, onde seu sotaque nordestino era debochado, o que levava a brigas diárias do lado de fora da sala de aula. Começou a fazer política em 1966, aos 16 anos e no ano seguinte, estudante do Colégio Pedro II, deixou a escola para ingressar na ALN de Carlos Marighella, por quem foi instruído a servir o Exército no Forte de Copacabana, de maneira a receber treinamento militar, a ter treinamento contraguerrilha, aprender a obedecer para no futuro aprender a comandar e entender o pensamento dos militares de maneira a se tornar um comandante militar da guerrilha armada. Bom soldado e bom atirador, chegou a ser condecorado e homenageado pelo comandante do quartel, medalha que jogou fora num bueiro de Copacabana em 1969, após sua irmã ser torturada pelos militares.
Vida posterior
Graduado em Harmonie et Composition - Schola Cantorum, École Superieur de Musique, de Danse et d' Art Dramatique em 1981 na França, em sua volta ao Brasil trabalhou como professor de música em uma creche em Botafogo, deu aulas na Escola Parque e abriu um curso de música em Ipanema. Em 1988 teve um infarte mas foi salvo por uma angioplastia. Foi professor da UFRJ e ouvidor da Secretaria de Estado do Trabalho e Renda do Rio de Janeiro no período de 2000 a 2002. Considerado desertor pelo Exército, requereu, junto à Comissão de Anistia, a reintegração nas Forças Armadas, sendo reintegrado pelo Ministério da Justiça em fevereiro de 2010, com o posto de terceiro-sargento da reserva. No mesmo ano foi candidato a deputado federal pelo PSB, recebendo apenas 567 votos e não conseguindo se eleger. Seu último trabalho foi como assessor da Presidência Nacional do PSB.
Carlos Eugênio morreu em Ribeirão Preto, em 29 de junho de 2019. Estava casado com a historiadora Maria Cláudia Badan Ribeiro, pesquisadora da atuação das mulheres na ALN.


