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São Carlos (São Paulo)

São Carlos é um município brasileiro localizado no interior do estado de São Paulo, na região Centro-Leste, e a uma distância rodoviária de 231 quilômetros da capital paulista. Sua população estimada pelo IBGE para 1.º de julho de 2022 era de 254.857 habitantes, distribuídos em uma área total de 1 136,907 km², correspondente a uma densidade populacional de 224.17 habitantes/km². A cidade é formada pela sede e pelos distritos de Água Vermelha, Bela Vista São-carlense, Santa Eudóxia e Vila Nery.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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História

Povos indígenas e caboclos

Originalmente, o território era habitado por indígenas, provavelmente guaianases, os quais foram exterminados ou expulsos e são possivelmente os responsáveis pela introdução de pinhais de araucária na região. Entretanto, existe também a hipótese de a espécie ser de ocorrência natural. O território seria ocupado no século XIX por posseiros, pequenos proprietários de terra, então chamados "caboclos". Dentre estes, talvez o mais ilustre tenha sido um certo Gregório que, por volta de 1831, residia à beira de um riacho que corta a cidade e herdou seu nome, o córrego do Gregório.

Sesmarias

O atual município engloba terras das antigas sesmarias do Pinhal, do Monjolinho e do Quilombo. A sesmaria do Pinhal, ao sul do município, originou-se de uma doação de terras, em 1781, ao cirurgião-mor do Regimento de Voluntários Reais de São Paulo, o qual as vendeu em 1786 a Carlos Bartholomeu de Arruda. No entanto, a sesmaria só seria demarcada em 1831, a pedido de seu filho, Carlos José Botelho, pai do futuro Conde do Pinhal. Já as sesmarias do Monjolinho, ao noroeste, e do Quilombo, a leste, foram demarcadas em 1810 e 1812, respectivamente, a pedido de sucessores de Miguel Alberto de Vasconcelos e de Manuel Joaquim do Amaral Gurgel.

Fundação

Com a ocupação das sesmarias por grandes fazendeiros, que utilizavam mão-de-obra escrava, os antigos posseiros, com poucas condições de legalizar suas terras, foram expulsos ou absorvidos às novas propriedades. Esses latifundiários, mais tarde, se autoidentificariam com o "espírito bandeirante", o que se reflete no lema da cidade, A bandeirantibus venio, idealizado pelo Visconde de Taunay. Apesar desta referência anacrônica ao bandeirantismo, a ocupação inicial da região por não indígenas foi feita, de fato, pelos posseiros acima referidos, e não por bandeirantes. São Carlos foi fundada na segunda metade da década de 1850, por iniciativas de Antônio Carlos de Arruda Botelho (Conde do Pinhal) e Jesuíno José Soares de Arruda, localizada num caminho que levava às minas de ouro de Cuiabá e Goiás, saindo de Piracicaba. As povoações mais próximas neste caminho eram, à época, Rio Claro, na depressão periférica e, subindo as escarpas das encostas do planalto, Araraquara.

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Geografia

Geologia

O município está incluído na província geomorfológica das cuestas basálticas e de arenito, entre as províncias do planalto Ocidental (ao norte) e a Depressão Periférica Paulista (ao sul). Em São Carlos, incluído na Bacia do Paraná, são encontrados afloramentos das seguintes formações geológicas: Bauru (Grupo Bauru), no reverso das cuestas (Planalto de São Carlos), onde se localiza a maior parcela do núcleo urbano, mais ao norte; Serra Geral (Grupo São Bento), na estreita região das cuestas onde ocorre quebra de relevo (encostas); Botucatu (Grupo São Bento), que contém a parte baixa das cuestas, mais ao sul, além de incluir o Aquífero Guarani. O solo do município é constituído principalmente por, em ordem decrescente: latossolo vermelho-amarelo (LV); latossolo roxo (LR); areia quartzosa profunda (AQ); latossolo vermelho-escuro (LE); terra roxa estruturada (TE); solo litólico (Li); solo hidromórfico (Hi) e solo podzólico (PV).

Vegetação

A vegetação original do município, e os respectivos remanescentes, correspondem respectivamente a: cerrado de fisionomia florestal (cerradão; 16% e 2%); cerrado de fisionomias savânicas (cerrado s.s., campo cerrado, campo sujo) e campestres (campo limpo úmido); 27% e 2%); mata atlântica do interior (florestas semidecíduas e ripárias; 54% e 1%); mata de araucária (floresta semidecídua com araucária; 1% e 0%) e capoeiras (matas degradadas; 0% e 1%). Atualmente, boa parte da vegetação foi substituída por plantações, pastos e florestamentos de silvicultura.

Hidrografia

O município está inserido entre duas Unidades Hidrográficas de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI): a nº 9, Mogi-Guaçu, e a nº 13, Tietê-Jacaré. A área urbana encontra-se, principalmente, na bacia hidrográfica do rio Monjolinho, incluída, serialmente, nas bacias dos rios Jacaré-Guaçu, Tietê, Paraná e rio da Prata. A área urbana é cortada pelos rios Monjolinho, Gregório e Santa Maria do Leme, e pelos córregos Tijuco Preto, Simeão, Água Quente e Água Fria, dentre outros. A bacia do rio Mojiguaçu, que conta com o rio do Quilombo, ribeirão das Araras, córrego Cabaceiras, córrego Guabirobas, córrego Jararaca, córrego Água Branca, córrego Brejo Grande ou Água Vermelha, córrego Matinha, ribeirão dos Negros, ribeirão do Pântano, córrego Cachoeira.

Meio ambiente

Parte de São Carlos está incluída na Área de Proteção Ambiental (APA) Corumbataí. Proximamente, encontram-se outras unidades de conservação: a Estação Ecológica (EE) de Itirapina, a EE Mata do Jacaré, e a EE Jataí. Em áreas rurais, há também fragmentos de vegetação nativa importantes em algumas Reservas Legais (RL) privadas, como a da Fazenda Canchim, da Embrapa. A cidade apresenta percentual de propriedades regularizadas, quanto a RLs, acima da média calculada para o estado. Quanto às Áreas de Preservação Permanente (APPs) dos rios, muitas das que ocorrem na área urbana foram irregularmente ocupadas por vias marginais e edificações. Entretanto, pouco foi feito para compensar a construção destas marginais, como aumentar a proporção mínima de área permeável nos terrenos adjacentes. Além disso, muitos rios foram retificados ou canalizados, obras essas hoje consideradas inadequadas. Estes fatores, em conjunto, são determinantes para a ocorrência de enchentes nas baixadas da cidade.

Clima

O clima de São Carlos é considerado subtropical (do tipo Cwa de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger). A temperatura média anual é de 21 °C; o verão é morno com precipitação e o inverno é fresco com pouca precipitação. Ao longo do ano, normalmente, a temperatura mínima nos meses mais frios é de 12 °C e a temperatura máxima nos meses mais quentes é de 28 °C e raramente são inferiores a 7 °C ou superiores a 33 °C. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1961 São Carlos registrou mínimas negativas em duas ocasiões, a primeira em 18 de julho de 1975 (−0,1 °C) e a segunda em 17 de julho de 2000 (−1 °C). Por outro lado, os dias mais quentes foram 7 de outubro de 2020 e 21 de setembro de 2021, com máximas de 38,7 °C e 38,2 °C, respectivamente.

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Demografia

Dinâmica populacional

O crescimento da população foi grande desde o século XIX, a partir de 1872. Em 1874 a cidade possuía 6.897 habitantes; em 1881, aproximadamente 10 mil habitantes. Com o começo da imigração italiana em 1886, a população chegou a 16.104 habitantes (tendo 1050 imigrantes italianos, ou 6,5% da população total) e, no fim do século, em 1899, contabilizava 10.396 imigrantes italianos, sendo a segunda maior imigração do estado. Por isso, era conhecida na Itália como "Piccola Italia". Até o final do século XIX, a maioria da população de São Carlos era não branca, sendo que em 1886, negros, pardos e caboclos compunham 55% da população e os brancos somente 45%. Dos 5.950 negros e pardos existentes naquele ano no município, 2.987 eram escravos e 1.277 "ingênuos", filhos livres de mães escravas que, até os 21 anos, deveriam prestar serviços aos senhores, conforme disposto na Lei do Ventre Livre, de 1871. Ou seja, 71,6% dos negros e pardos do município eram escravos ou ingênuos. O grande número de escravos e filhos de escravos em São Carlos é explicado por tratar-se de uma região de fronteira de próspera expansão da cultura do café.

Religião

Entre os principais grupos religiosos presentes na cidade, estão: católicos (65,56%); protestantes (21,15%); sem religião (6,06%); espíritas (3,73%); budistas (0,11%); umbandistas (0,26%) e judeus (0,02%). De acordo com o censo brasileiro de 2022, a composição religiosa da cidade era de 54,92% católicos, 23,78% evangélicos ou protestantes, 3,68% espíritas, 1,3% umbandistas ou candomblecistas, 0,03% de religião tradicional, 5,38% de outras religiões, 10,83% irreligiosos, 0,04% desconhecidos e 0,05% não declarados. O município é sede da Diocese de São Carlos (criada em 1 de março de 1908), abrangendo hoje, vinte e nove municípios da região central do estado paulista em cinco Regiões Pastorais. Compreende 70 paróquias, 14 quase-paróquias, duas capelas, uma diaconia e a Catedral. A Igreja local conta com os irmãos lassalistas desde 1957. Atualmente os lassalistas administram o Colégio La Salle São Carlos, referência em educação humana e cristã.

Composição étnica

Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 170.822 brancos (67,03%), 63.589 pardos (24,95%), 18.125 pretos (7,11%), 1.977 amarelos (0,78%) e 322 indígenas (0,13%). Poucos registros existem dos primeiros habitantes do território de São Carlos, os quais eram denominados pela historiografia local de "guaianases", exterminados ou expulsos durante o século XIX. Entretanto, deviam ser, na realidade, povos indígenas tupis dos grupos Tupinambá e Tupiniquim, e povos gês dos grupos Kaingang e Kaiapó. Quanto aos posseiros, chamados "caboclos", eram lavradores vindos de regiões mais a leste. Mais tarde, foram expulsos ou absorvidos pelos empreendimentos agrícolas dos grandes fazendeiros. Grande parte das famílias de fazendeiros que vieram para São Carlos no século XIX, constituindo a elite agrária, era proveniente da região do "quadrilátero do açúcar", em especial, de Piracicaba, Campinas, Itu e Porto Feliz. Algumas também partiram da capital paulista e de Minas Gerais.

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Governo e política

Poder executivo

Durante os períodos colonial e imperial, a administração das cidades brasileiras era feita pela Câmara Municipal, escolhida por meio de eleições diretas. Com a República, surgiu uma nova divisão do poder municipal, separando-se o poder executivo e administrativo, exercido pelo prefeito, e o poder legislativo da Câmara. No entanto, ainda em 1905, São Carlos não possuía um prefeito, e sim um intendente, que não era soberano em relação à Câmara, a qual ainda administrava, de fato, a cidade. Em 1908 foi nomeado o primeiro prefeito da cidade. Em 1929, com um novo código de posturas, houve o fortalecimento do poder executivo centrado no prefeito, transferindo-se muitas das atribuições antes da Câmara para a prefeitura. Em 1948, é eleito de forma direta o primeiro prefeito. Em 1953, a estrutura administrativa municipal se tornou mais complexa, com a divisão de tarefas entre novas repartições. Nas décadas seguintes, a prefeitura passou por sucessivas reformas administrativas: em 1960, 1967, 1971, entre outras.

Poder legislativo

O poder legislativo é representado pela câmara municipal, composta por vinte e um vereadores, com mandato de quatro anos. Cabe aos vereadores, na Câmara Municipal de São Carlos, especialmente fiscalizar o orçamento do município, além de elaborar projetos de lei fundamentais à administração, ao executivo e, principalmente, para beneficiar a comunidade. Desde a sua criação, a Câmara teve várias sedes: Residências diversas (1865–1884); Edifício do Largo Municipal (1884–1921, demolido em 1926); Palacete Conde do Pinhal (1921–1952) e Edifício Euclides da Cunha (desde 1952). A cidade contou com algumas iniciativas pioneiras no campo da contabilidade pública brasileira, no final do século XIX, com a vinda do polonês Estanislau Kruszynski, que atuou na Câmara.

Poder judiciário

Em 1882 foi instalada a comarca de São Carlos, independente da de Rio Claro, sendo o primeiro juiz o Dr. Joaquim Ignácio de Moraes. Dentre alguns importantes caso judiciais e policiais, ocorridos ainda no século XIX, estão o da quadrilha Mangano, composta por bandidos calabreses. e o de Dioguinho, morto no rio Mogi Guaçu. Quanto à sede do fórum, inicialmente (1882-1900) as atividades jurídicas ocorriam no Casarão Mattos, na esquina da rua Conde do Pinhal com a Dona Alexandrina, imóvel esse que também abrigaria um parque infantil, ligado à vizinha Delegacia de Saúde. Anos depois (1900-anos 1950), foi construído um prédio próprio para o fórum, junto com a cadeia e a sede do destacamento policial, que se trata do atual Edifício Euclides da Cunha, sede da Câmara. Em 1959 foi inaugurado o fórum da rua Conde do Pinhal (Fórum Dr. Alfredo Ellis Jr.), no local do antigo Casarão Mattos. Em 1992 foi inaugurado o fórum cível, chamado Desembargador Ulysses Doria, na rua Sorbonne, ficando o antigo imóvel como sede do fórum criminal. A unidade da justiça federal foi inaugurada em 2005.

Outros

Desde 1990, o município, juntamente com Araraquara e outras 25 cidades, integra a Região Administrativa Central do estado, compreendendo uma população de cerca de um milhão de habitantes. Anteriormente, São Carlos estava incluída na região de Ribeirão Preto. O município possui ainda unidades dos seguintes órgãos públicos federais e estaduais: da Procuradoria da República, do Ministério Público Federal (instalada em 2003, nova sede em 2008); do Poupatempo (2010); da Procuradoria Geral do Estado (2012); da Promotoria de Justiça, do Ministério Público Estadual (2012); da Defensoria Pública do Estado (2016) e da Receita Federal (nova sede em 2016). Quanta às Forças Armadas (CMSE do Exército; 2.ª Região Militar; 5.ª CSM, de Ribeirão Preto; 5.ª Delegacia de SM, de São Carlos): 115.ª Junta de Serviço Militar (JSM), desde 1908 e o Tiro de Guerra (TG) 02-035, desde 1917.

Relações internacionais

O Núcleo das Relações Internacionais da Prefeitura, através dos acordos de cidades-irmãs e outros mecanismos, busca a integração econômica e cultural entre a cidade e outros municípios nacionais e estrangeiros. A integração entre os municípios é firmada por meio de convênios de cooperação, que têm o objetivo de assegurar a manutenção da paz entre os povos, baseada na fraternidade, felicidade, amizade e respeito recíproco entre as nações. São Carlos possui oficialmente quatro cidades-irmãs:

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Economia

No setor agropecuário do município, destacam-se as redes agroindustriais de produção: sucroalcooleira, de citricultura, de laticínios, de carne bovina, de avicultura de corte, e de silvicultura, com florestamentos de Eucalyptus sp. e Pinus sp. Nas últimas décadas, muitas áreas de pastagem estão sendo substituídas por áreas de lavoura. No caso das lavouras temporárias, a maior parte é destinada ao cultivo de cana-de-açúcar, enquanto a maioria das lavouras permanentes é destinada ao cultivo de laranja. A propósito, a cidade se insere na bacia do rio Mogi-Guaçú, região que constitui os principais complexos agroindustriais citrícola e canavieiro paulistas. Na mineração, o município não possui grandes jazidas com significância no mercado nacional, produzindo apenas insumos voltados para o setor da construção civil, especialmente areia e a brita. Em termos de estrutura fundiária, na área rural, predominam pequenas e médias propriedades. Embora o município conte com mais de mil propriedades rurais, as unidades de produção agrícola giram em torno de apenas 800. Essa diferença se deve ao processo de desmembramento de pequenas propriedades com fins não agrícolas, como chácaras de lazer e moradias rurais, surgidas a partir dos anos 1970.

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Infraestrutura

Em 1889, instala-se uma empresa de telefonia chamada Companhia Telephonica Sancarlense, a qual em 1912 passa sua operação para à Companhia Telephonica do Estado de São Paulo que foi incorporada pela Cia. Telefônica Brasileira (CTB) em 1923, sendo que em 28 de abril de 1928 passou para o controle definitivo da referida Companhia, que prestou seus serviços na cidade até maio de 1959, quando os primeiros telefones automáticos foram instalados pela empresa Telefônica Central Paulista (TCP). Esta empresa foi encampada em 1976 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), a qual instalou e inaugurou em 17 de janeiro de 1980 uma nova central telefônica na cidade e o sistema de discagem direta à distância (DDD) com o código de área (0162). Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (016), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.

Educação, ciência e tecnologia

A história de São Carlos como centro educacional data do início do século XX. Em 1911, é fundada a Escola Normal Secundária, estadual, voltada para a formação de professores. Inicialmente abrigada num prédio próximo à Estação Ferroviária, teve seu prédio novo inaugurado em 1916. Com a extinção das Escolas Normais, a instituição passou a ser uma escola de ensino básico, atual Escola Estadual Álvaro Guião. Em 1914, é instalada uma efêmera "Escola de Pharmacia". Outro estabelecimento importante da época foi a Escola Profissional Secundária Mista, fundada nos anos 1930, também chamada Escola Industrial, atual ETEC Paulino Botelho. Quanto ao ensino primário, em 1858 foi instituída a primeira cadeira de ensino de primeiras letras para o sexo masculino e, em 1862, para o sexo feminino. Em 1905, é fundado o Colégio São Carlos, privado, pelas Irmãs Sacramentinas, inicialmente no Palacete Conde do Pinhal, passando para a sede própria em 1914. Os primeiros Grupos Escolares, estaduais, foram o Paulino Carlos (1901-1904, na Praça Coronel Salles), o Eugênio Franco (1919, no prédio antes usado pela Escola Normal), o do Centenário (1922, na Avenida; posteriormente rebatizado Arlindo Bittencourt e movido para a Vila Monteiro), o Bispo Dom Gastão (1934, na Vila Prado) e o Professor Luiz Augusto de Oliveira (1934, na Vila Monteiro). Na reforma do ensino paulista dos anos 1920, a cidade passou a sediar uma das quinze Delegacias de Ensino então criadas, hoje Diretorias. O ensino secundário só seria expandido a partir dos anos 1960 e 1970, pelo governo estadual. Na década de 1980, cresce a educação infantil, por parte da esfera municipal. Nos anos 1990, tem início a municipalização do ensino fundamental estadual, em especial o ciclo inicial.

Segurança pública

Em 1857, criado o Distrito de Paz, São Carlos recebeu uma subdelegacia de Polícia Civil. Logo, o Distrito de Paz se tornou Freguesia (1858), depois Vila (1865). Em 1866, cria-se o Termo de São Carlos e, em 1880, cria-se uma Comarca judicial na cidade. Em 1882, com a instalação efetiva da Comarca, São Carlos recebeu um destacamento policial. À época, as forças policiais militarizadas do Estado de São Paulo (futuramente, Força Pública, em 1901) eram compostas pelo Corpo Policial (da capital, atual Polícia Militar), pela Companhia de Urbanos (da capital), e pelo Corpo de Polícia Local (interiorano, extinto em 1888, recriado em 1897 como Corpo de Guardas Cívicos do Interior). A Força Pública era composta por oficiais e praças, e subordinada ao Chefe de Polícia estadual. Em 1898, a cidade era uma das dez sedes da Guarda Cívica do Interior, logo renomeada Corpo Policial do Interior.

Saúde

A história da atenção à saúde na cidade pode ser periodizada da seguinte maneira:

Energia e saneamento

A cidade dispõe de energia elétrica e iluminação pública desde 1893, com a construção da Usina Hidrelétrica Monjolinho, a primeira do estado. A distribuição era feita pela Companhia Luz Electrica de São Carlos, adquirida em 1907 pela Companhia Paulista de Eletricidade. Esta última, por sua vez, foi comprada em 1973 pela CPFL. Atualmente, a energia elétrica do município provém do Sistema Interligado Nacional (SIN), enquanto a distribuição é feita pela CPFL Paulista, da CPFL Energia, empresa hoje privada. A distribuição de gás canalizado, disponível apenas em parte da cidade, é feita, por concessão, pela GásBrasiliano, do Grupo Petrobras, desde os anos 2000.

Transportes

São Carlos surgiu a partir de sesmarias criadas ao longo do antigo Picadão de Cuiabá. Com a descoberta de ouro em Goiás no século XVII, foi criado o Caminho de Goiás, ligando a cidade de São Paulo à região das minas, passando por terras das atuais cidades de Campinas, Jundiaí, Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Cajuru, Batatais, Franca e Ituverava. No século XVIII, foi criado um novo caminho, mais a oeste, o Picadão de Cuiabá, que passava por terras de Sorocaba, Itu, Piracicaba, Rio Claro e os chamados "sertões de Araraquara", região que incluía terras de São Carlos. O Picadão de Cuiabá inseriu a região em uma rota comercial, e também foi usado para o tráfego de tropas durante a Guerra do Paraguai. Na intersecção com o córrego do Gregório, surgiu o primeiro povoado de São Carlos. As terras de São Carlos eram cortadas pela estrada desde 1799, vindo de Porto Feliz, atravessando os campos do córrego do Feijão e a mata densa do Pinhal. Ela passava pelas atuais ruas Raimundo Correa, Episcopal (antiga Santo Ignácio), XV de Novembro, Miguel Petroni (antiga "estrada boiadeira"), e seguia pela estrada velha de Araraquara. A rede ferroviária, ativa desde 1884, atualmente transporta apenas carga, desde 2001.

Desenvolvimento urbano

Embora a parte antiga da cidade aparente um padrão geométrico nos mapas, na realidade, a malha urbana é bastante irregular, construída ao longo de colinas que, em alguns pontos, inclinam-se em direção aos rios. No processo de expansão urbana da cidade, podem ser identificadas algumas fases relativamente bem definidas, que mostram uma oscilação entre momentos de controle e descontrole por parte da administração municipal: O estabelecimento dos bairros começou a surgir com o arruamento do Centro (1857), seguido dos loteamentos da Vila Nery (1889), Vila Isabel e Vila Pureza (1891), Vila Prado (1893) e Vila Marcelino (1920), além de parcelamentos espontâneos, como o da FEPASA (anos 1880). O calçamento da cidade inicialmente foi feito com paralelepípedos (1913), que passaram a ser substituídos por asfalto mais tarde. Na área rural, com o parcelamento do solo desde os anos 1930-40, cresceu o número de pequenas propriedades, em decorrência da divisão de terras entre herdeiros das grandes fazendas, ocupando-se setores conhecidas como Babilônia, Aparecidinha, Água Vermelha, Santa Eudóxia, Varjão, e áreas remanescentes da antiga Fazenda Conde do Pinhal.[Nos anos 1970, um novo tipo de loteamento surge em São Carlos, com as chácaras de recreio.

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Cultura

A cidade conta com várias opções de cultura, entretanto, a maioria dos equipamentos públicos se encontra na região central. Com relação às políticas de fomento à cultura, as duas universidades públicas vêm desempenhando um papel importante por meio de projetos de extensão, como o festival Contato (desde 2006), e o projeto Contribuinte da Cultura (desde 1999), que organiza anualmente o festival Chorando sem Parar (desde 2004). Nos últimos anos, entretanto, a cidade passou por alguns reveses na área, como: a descontinuidade dos Pontos de Cultura (2012–2013), fechamento do Museu TAM (2006–2014), do Espaço Cultural Acervo Antônio Ibaixe (2013–2016), da Oficina Cultural Sérgio Buarque de Holanda (1990–2017), da Pinacoteca Municipal (2012–2017, desalojada para a BPMAA), e a descontinuidade da Casa da Cultura Prof. Vicente Camargo (1982–2007, prédio que abrigava a BPMAA, remanejado para órgãos administrativos). Mas ainda assim permanecem alguns espaços, como o Centro Municipal de Cultura Afro-Brasileira "Odette dos Santos", fundado em novembro de 2006 como fruto de uma parceria entre a prefeitura da cidade e o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFSCar.

Artes

O grande ator e comediante Ronald Golias era natural do município.

Bibliotecas

O Sistema Integrado de Bibliotecas de São Carlos (SIBI São Carlos), criado pela Lei Nº 13.464 de 2 de dezembro de 2004, engloba 12 unidades de informação (dentre elas bibliotecas públicas, escolas do futuro e uma biblioteca voltada a deficientes visuais) que possuem o objetivo comum de contribuir na implantação e consolidação do Programa de Incentivo ao Livro e à Leitura, atendendo assim a população das várias regiões de São Carlos. O SIBI São Carlos atualmente está instalado no Centro, Rua São Joaquim, 735. São 3 as bibliotecas públicas participantes do sistema e 8 as Escolas do Futuro, além de uma biblioteca voltada a deficientes visuais: Em março de 2010, o acervo do SIBI São Carlos era composto por 143.300 exemplares, os quais podem ser emprestados a qualquer indivíduo, desde que o mesmo tenha efetuado seu cadastro no sistema. Para se cadastrar basta a apresentação de um documento com foto e de um comprovante de residência. Crianças e jovens devem se apresentar com seus responsáveis. Outro serviço oferecido é um catálogo online que indica em qual das unidades participantes o exemplar buscado poderá ser encontrado; o catálogo online do SIBI São Carlos encontra-se disponível para consulta pública.

Bens históricos

São Carlos possui quase uma dezena de edifícios tombados, além de um política municipal de proteção do patrimônio histórico, contando com cerca de 500 "imóveis declarados de interesse histórico". No tocante às fazendas históricas, podem ser listadas:

Eventos

Além de encontros acadêmicos regulares, nas universidades, a cidade possui um calendário de eventos anuais, incluindo, por exemplo:

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Fontes consultadas

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