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Brasil na Primeira Guerra Mundial

O Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) tinha uma posição neutra respaldada pela Convenção de Haia, buscando não restringir os seus produtos exportados na época, principalmente o café. A Alemanha era, na época, o principal parceiro comercial do Brasil, sendo seguida pela Inglaterra e pela França. Após o afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos da Marinha Imperial Alemã, o Brasil declarou guerra à Alemanha em 26 de outubro de 1917, juntando-se aos Aliados (Entente). Havia sentimento antigermânico popular, mas também oposição à entrada na guerra. O Brasil foi o único país latino-americano a participar ativamente da guerra, enviando a Divisão Naval em Operações de Guerra para a campanha no Oceano Atlântico, além de uma missão médica, aviadores e um corpo de oficiais e sargentos. Internamente, a guerra permitiu a introdução em 1916 do serviço militar obrigatório com base na Lei do Sorteio.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Histórico

Com o término do conflito ao final de 1918 e o consequente arquivamento do Plano Calógeras, no tocante ao envolvimento militar do País na guerra, a participação brasileira nas operações terrestres se resumiu ao envio de um corpo de sargentos e oficiais do Exército Brasileiro numa missão preparatória que havia sido enviada em meados daquele ano sob o comando do General Napoleão Felipe Aché para, operando junto ao exército francês, se inteirar das modernas técnicas de organização e combate empregadas no front ocidental.Um terço dos oficiais enviados foi promovido por atos de bravura em ação, dentre eles estavam, o então tenente José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que ao longo da carreira se firmaria como importante ideólogo e reformador do exército brasileiro e o major Tertuliano Potyguara, este último figura controversa e de destaque na campanha do Contestado, foi ferido na última Batalha do Canal de Saint Quentin durante a Ofensiva Meuse-Argonne. Muitos jovens oficiais queriam lutar, mas não puderam; suas frustrações reprimidas podem ter contribuído ao tenentismo na década seguinte.

Fase inicial

O Brasil declarou a sua neutralidade em 4 de agosto de 1914. Desta forma, somente um navio brasileiro, o Rio Branco, foi afundado por um submarino alemão nos primeiros anos da guerra em 1916. Tal fato foi usado pela Inglaterra para despertar o sentimento antigermânico no Brasil. O governo brasileiro pediu explicações à delegação alemã. Uma investigação posterior averiguou que na verdade o Rio Branco fora vendido para a Noruega e arrendado por armadores ingleses. O navio viajava indevidamente com a bandeira brasileira por águas restritas. A maioria da tripulação era composta por noruegueses. Assim, apesar da comoção nacional que o fato gerou, não poderia ser considerado como um ataque ilegal dos alemães.

Manifestações populares

Havia no Brasil um grande interesse pelo que acontecia na Europa, a julgar pela grande cobertura feita pela mídia na época. Entre a população, mesmo o Brasil sendo um país neutro, existia uma grande simpatia pela Entente, principalmente pela França. Quando a Alemanha invadiu a Bélgica, em 8 de agosto de 1914, a Câmara dos Deputados aprovou uma condenação - movida por Irineu Machado - de violação dos tratados internacionais pela Alemanha. Em 7 de março de 1915, os Aliados fundariam a Liga Brasileira, sob a presidência de Ruy Barbosa. A Liga foi usada para difundir os ideais da Entente em solo brasileiro. Quando a notícia do afundamento do vapor Paraná chegou ao Brasil poucos dias depois, eclodiram diversas manifestações populares nas capitais. O ministro de relações exteriores, Lauro Müller, de origem alemã e favorável à neutralidade na guerra, foi obrigado a renunciar. Em Porto Alegre, passeatas foram organizadas com milhares de pessoas. Inicialmente pacíficas, as manifestações passaram a atacar estabelecimentos comerciais de propriedades de alemães ou descendentes - o Hotel Schmidt, a Sociedade Germânia, o clube Turnebund e o jornal Deutsche Zeitung foram invadidos, pilhados e queimados.

Ataques contra navios brasileiros

No dia 5 de abril de 1917 o vapor Paraná foi torpedeado perto de Le Havre, com 60 000 toneladas de café e 3 brasileiros morreram. O acidente criou uma comoção nacional. No entanto, propriedades alemãs ou de descendentes de alemães foram vandalizadas em Porto Alegre e Blumenau. O ministro de relações exteriores Lauro Müller foi forçado à resignar, devido ao "perigo alemão" e os discursos inflamados de Ruy Barbosa. No dia 11 de abril de 1917 o Brasil rompeu relações diplomáticas com a coligação formada entre a Alemanha e a Áustria-Hungria, e, em 20 de maio, o navio Tijuca foi torpedeado perto da costa francesa por submarino alemão. Nos meses seguintes, o governo brasileiro confiscou 42 navios alemães que estavam em portos brasileiros, como uma indenização de guerra, essa quantia considerável de navios passou a corresponder a um quarto da frota brasileira. No dia 26 de maio de 1917, o vapor brasileiro Lapa foi atingido por três tiros do canhão de um submarino alemão.

Apoio aos aliados

A abertura dos portos brasileiros a unidades aliadas e a responsabilidade pelo patrulhamento do Atlântico Sul pela esquadra brasileira foram as primeiras ações em apoio ao esforço de guerra aliado. A Divisão Naval em Operações de Guerra, comandada pelo contra-almirante Pedro Max Fernando Frontin, incorporou-se à esquadra britânica em Gibraltar e realizou o primeiro esforço naval brasileiro em águas internacionais. Em cumprimento aos compromissos assumidos com a Conferência Interaliada, reunida em Paris de 20 de novembro a 3 de dezembro de 1917, o Governo brasileiro enviou uma missão médica composta de cirurgiões civis e militares, para atuar em hospitais de campanha do teatro de operações europeu, um contingente de sargentos e oficiais para servirem junto ao exército francês; aviadores do Exército e da Marinha para se juntarem à Força Aérea Real, e o emprego de parte da Esquadra, fundamentalmente na guerra antissubmarina.

Participação individual de brasileiros e descendentes em forças estrangeiras

Além da participação oficial do Estado brasileiro a partir de 1917, milhares de brasileiros — principalmente descendentes de imigrantes europeus — alistaram-se individualmente em forças aliadas desde o início do conflito, motivados por laços familiares, patriotismo à terra ancestral ou convicções pessoais. O maior contingente foi de ítalo-brasileiros (italianos residentes no Brasil e seus descendentes). Quando a Itália entrou na guerra em maio de 1915 (ao lado dos Aliados), o Reino convocou reservistas e aceitou voluntários no exterior. Jornais ítalo-brasileiros, como o Fanfulla de São Paulo, incentivaram o alistamento. Estimativas acadêmicas indicam que cerca de 12 mil ítalo-brasileiros (entre convocados e voluntários puros) retornaram para lutar, principalmente na frente italiana (Alpes, rio Isonzo, rio Piave), onde enfrentaram condições extremas de trincheiras montanhosas, gás e artilharia.

Plano Calógeras

Em 1918 ficou pronto um estudo confidencial encomendado pelo candidato presidencial eleito naquele ano, Rodrigues Alves. Este estudo, coordenado pelo parlamentar especialista em política externa e assuntos militares João Pandiá Calógeras, no tocante à entrada do Brasil no conflito, recomendava o envio de uma força expedicionária de "considerável tamanho" para lutar na guerra, utilizando-se de todos os meios (incluindo os navios das potências inimigas já apreendidos em portos e águas brasileiras) para fazer desembarcar a tropa em solo francês onde esta seria treinada e equipada pelos franceses, tudo financiado com empréstimos bancários americanos, que por sua vez seriam quitados pelas compensações impostas às potências derrotadas após a guerra.

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Pós-guerra

Em 11 de novembro de 1918, foi assinado o armistício, tão ansiosamente esperado pelos europeus cujos países foram devastados pelo conflito. O Brasil deu sua módica parcela de contribuição e graças à isso conseguiu assento na Conferência de Paz de Paris, que deu origem ao Tratado de Versalhes, obtendo assim sua parte no botim de guerra conseguindo da Alemanha o pagamento com juros do café perdido com os navios naufragados, mais 70 navios dos Impérios Centrais (a maioria alemã) que haviam sido apreendidos em águas brasileiras quando da declaração de guerra e que foram incorporados à frota brasileira a preços simbólicos.

Acordo de paz

Terminada a guerra o Brasil participou da Conferência de Versalhes, com uma comitiva chefiada pelo futuro presidente Epitácio Pessoa. Esta comitiva conseguiu incluir no acordo de paz a indenização de sacas de café apreendidas em portos alemães quando da declaração da Guerra e a venda dos navios alemães apreçados. O Brasil também foi um dos fundadores da Liga das Nações. Após voltar ao Brasil, a Divisão Naval em Operações de Guerra foi dissolvida em 25 de junho de 1919, cumprindo, integralmente, a missão que lhe fora confiada. Do ponto de vista econômico, se em um primeiro momento as exportações caíram bruscamente, gerando crise numa economia dependente do café, com o prolongamento do conflito o Brasil passou a ter boas oportunidades comerciais. O aumento da demanda internacional por gêneros alimentícios e matérias-primas forçou o país a mudar sua estrutura econômica basicamente agrícola. É nessa época que o Brasil conhece um surto industrial inédito em sua história, valendo-se também da mão de obra imigrante, composta sobretudo por europeus que fugiam da fome e, depois, da guerra. O número de fábricas quadruplicou nos anos da guerra, dobrando o número de operários. A indústria brasileira conquistou o mercado interno e fez diminuir o número de itens importados, modificando parcialmente a face socioeconômica do país.

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