Alemães
Definem-se, hoje, como alemães as pessoas que têm a nacionalidade alemã, qualquer que seja a sua origem étnica, cultural ou religiosa.
Imagem: Roadside Film Festival · BY · Openverse
Do baixo latim alamanus, com o mesmo significado, tomada do germânico Alemannen, usado para referir-se a uma importante etnia que se constituiu no sul-oeste do território hoje pertencente à República Federal da Alemanha (em alemão, Bundesrepublik Deutschland). Formas derivadas encontra-se em várias línguas românicas — para além do português, no francês "allemand" e no espanhol alemán. Porém cabe observar que não foi retomado por outras línguas: o termo usado na própria língua alemã é Deutsch e está na origem do tedesco em italiano, do duits em neerlandês, e do tysk nas línguas escandinavas ~- enquanto o equivalente em inglês é German e em finlandês e estónio saksa (derivado de Sachsen ("saxónio"). Quanto ao gentílico 'germano', que também se aplica aos alemães, provém do latim Germanus, derivado do germânico germannen ("homens da lança"), vocábulo com que se denominavam os povos que habitavam a Europa Central, num território aproximadamente equivalente ao da atual Alemanha, chamado de Germania, termo que é atualmente utilizado pelo italiano e fonte do inglês Germany (enquanto outras línguas retomaram do latim a designação Alemania, termo que pelos romanos foi usado paralelamente a Germani).
São consideradas alemãs étnicos aquelas pessoas que falam a língua alemã, seguem a cultura dominante da Alemanha/Áustria/Suíça e possuem origens no espaço germanófono (em alemão deutscher Sprachraum). Atualmente, a maioria dos alemães étnicos vive no território da República Federal da Alemanha. Até a década de 1920, a maior parte da população da Áustria se considerava alemã, mas hoje em dia, após anos de independência, apenas entre 5–10% dos austríacos declararam-se como etnicamente alemães, apesar de todos (salvo ínfimas minorias de origem eslavo) serem alemães étnicos. O terceiro país que, predominantemente, faz parte do "espaço germanófono" é a Suíça, que, naturalmente, inclui fortes minorias de língua francesa e italiana bem como uma pequena minoria reto-românica. Pertencem ainda ao mesmo espaço o Luxemburgo (que tem uma minoria de francófonos e outra de lusófonos) e o Liechtenstein. Como é evidente, os habitantes da Alemanha, da Áustria, da Suíça, do Luxemburgo e do Liechtenstein têm hoje identidades sociais nacionais claramente distintas, referidas aos estados a que pertencem.
Europa
Na Itália existe uma população de cerca de 400 000 pessoas na região autônoma do Tirol Meridional (em alemão: Südtirol, em italiano: Alto Adige) que falam a língua alemã. Trata-se de uma parcela do Império Austro-Húngaro que, por razões históricas, foi anexada pela Itália, após a Primeira Guerra Mundial. Na região de Alsácia e Lorena, na França, a população é na sua maioria etnicamente alemã, e ao longo da história as duas regiões pertenceram durante longos períodos à Alemanha, durante outros à França. Desde o fim da Primeira Guerra Mundial, a França seguiu uma política assimilacionista que fez com que hoje apenas uma minoria ainda fale o alemão, embora os falantes do dialeto alemão alsaciano sejam cerca de 1,5 milhão.[nota 7] Outras populações falantes do alemão podem ser encontradas nos Países Baixos (300 mil), Bélgica (60 mil) [nota 8] e Dinamarca (15 mil). No primeiro caso, trata-se do resultado de migrações transfronteiriças que vão nos dois sentidos. Na Bélgica trata-se de uma das três comunidades linguísticas oficialmente definidas, com a particularidade de que a "Comunidade de Língua Alemã" compreende, para além das pessoas de nacionalidade belga, um contingente crescente de nacionais da Alemanha que decidiram fixar-se naquela parte da Bélgica. No caso da Dinamarca existe uma larga zona, que se estende de ambos os lados da fronteira com a Alemanha, onde alemães e dinamarqueses se misturam; deste modo, existe na Alemanha uma Comunidade de Língua Dinamarquesa, oficialmente reconhecida como tal, e na Dinamarca o equivalente para os alemães étnicos.
África e Oceania
Na África, a maior parte da população etnicamente alemã vive na Namíbia, onde forma 6% da população (150 mil). A Austrália recebeu um grande número de imigrantes alemães e seus descendentes formam 4% da população (750 mil).
Américas
Fora da Alemanha, a maioria das pessoas etnicamente alemãs vivem na América do Norte, principalmente nos Estados Unidos. Isso se deve ao fato da grande imigração de alemães ocorrida nos séculos XIX e XX. No censo de 2000, 44 milhões de norte-americanos (15% da população) declararam ter ascendência alemã, porém, apenas 1,5 milhão são falantes da língua alemã. A etnia alemã é a mais numerosa nos Estados Unidos. No Canadá, 2,7 milhões de pessoas declararam ter ascendência alemã (9% da população). Depois dos Estados Unidos, o Brasil possui a maior população etnicamente alemã. Baseado em estimativas, aproximadamente 5 milhões de brasileiros (3% da população) possuem ascendência alemã. Cerca de 600 000 argentinos (2% da população) possuem ascendência alemã, no Chile 500 000 a 600 000 pessoas (4% da população) possuem ascendência alemã. Significativas populações podem ser encontradas no Paraguai, México, Peru e outros países latino-americanos.


