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Biogeografia da América do Sul

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Histórico

A região sul americana constitui um complexo conjunto de diversidade e ambientes de extrema importância para se compreender a distribuição atual das espécies nos continentes. Darwin em Origem das Espécies reconheceu esta singularidade, de forma a destacar a maneira única com que habitantes e espécies desta região se relacionavam com seus habitats. Desde então, a região Neotropical e Sul-Americana tem sido objetos de muitos estudos e propostas por vários autores. Um dos primeiros a realizar propostas que elucidassem estes padrões de diversidade foi Wallace (1852), que postulou que os rios da bacia amazônica foram barreiras biológicas para a dispersão de animais terrestres. Posteriormente esta proposta foi refutada por outros autores, que propuseram modelos alternativos de explicação para ele. Sclater (1858) também foi um dos pioneiros a realizar estudos sobre a distribuição de aves na América do Sul, cunhando uma das primeiras propostas de regionalização que foi aceita por muitos autores subsequentes.

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Importância

Ao conhecer as diferentes sub-regiões que formam uma região geográfica, podemos entender mais detalhadamente como o espaço geográfico e a sua biota estão relacionados, tanto historicamente como morfologicamente. Essa relação pode ser muito útil para entender os processos que geraram o cenário biogeográfico atual, assim como em ações de conservação. Além de descrever padrões que ocorrem no mundo todo, principalmente no que diz respeito á distribuição geográfica das espécies.

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Esquemas

A seguir, alguns esquemas de regionalização biogeográfica da América do Sul: Integração de dados de táxons vegetais e animais. Dividiram a América do Sul em regiões, domínios e províncias, reconhecendo seis domínios (5 assinalados à região Neotropical e 1 à região Antártica) e 26 províncias: Com base na sobreposição de distribuição de aves, anfíbios, mamíferos e répteis, encontrou 40 centros de dispersão localizados na região Neotropical, dos quais 33 pertencem à América do Sul. Fez uma análise de artigos globais a respeito de peixes de água doce, usando hipóteses paleogeográficas e biogeográficas de autores prévios. Encontrou 20 províncias ictio-geográficas em 7 subdomínios em 2 sub-regiões. Utilizou critérios climáticos, geomorfológicos, fitogeográficos e ecológicos. Também utilizou o mapa de vegetação de Hueck para compor 27 domínios morfoclimaticos. Baseados em gêneros endêmicos de plantas, propuseram o seguinte esquema:

Sclater (1858)

Sclater em 1858 definiu algumas regionalizações da América do Sul, baseado na distribuição geográfica de aves, mais especificamente a ordem dos Passeriformes. Em sua análise, Sclater reconheceu 2 sub-regiões: Brasileira e Patagônica.

Wallace (1876)

Wallace (1876) reconheceu, mais tarde, as sub-regiões sul-americanas que Sclater definiu, a Brasileira, englobando toda a porção Tropical da América do Sul, e a Patagônica, que consiste na porção Temperada Sul do continente, juntamente com os planaltos dos Andes, e adicionou outros táxons animais que corroboram esta proposta, especialmente vertebrados e insetos.

Mello-Leitão (1937)

Mello-Leião apresenta uma proposta muito similar a Cabrera e Yepes (1940), mas baseada em aracnídeos.

Cabrera e Yepes (1940)

Baseado em mamíferos. Reconhece as duas sub-regiões propostas por Sclater: Guiano-brasileira e Patagônica. Além de reconhecerem 11 distritos geográficos dentro destas regiões.

Kuschel (1969)

Baseado em distribuições de insetos da ordem Coleoptera, mais especificamente gêneros de Curculionidae. A sua proposta é muito similar à de Sclater e de Wallace: Sub-região Brasileira e sub-região Patagônica. As regiões encontradas são semelhantes a Sclater e Wallace.

Sick (1969)

Baseado em táxons animais. Dividiu em Leste não Andino e Oeste andino, e depois dividiu em subdivisões menores.

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Influências de cada autor

É interessante destacar que cada modelo de proposta não se baseou exclusivamente em táxons analisados ou em distribuições atuais e anteriores, mas principalmente em modelos anteriores propostos por outros autores. Isto retrata bem a evolução dos paradigmas em cada época, e de como isto evoluiu de forma a compor um mosaico de contribuições que nos ajuda a formar um panorama solido da América do Sul. No começo, a visão de padrões de diversidade era bem centrada na ideia dispersalista, mas recentemente foram usados padrões ecológicos, pambiogeográficos e cladísticos.

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Discussão

Apesar das divergências, a maioria dos autores reconhece a América do Sul dividida em duas regiões principais, uma tropical (Brasileira) e outra temperada (Patagônica). Isto nos permite elaborar hipóteses sobre uma divisão biogeográfica entre essas áreas. Mesmo que os limites sejam incongruentes entre os autores, a zona de transição entre esses dois limites pode ajudar a compreender melhor esta divisão. Há uma grande tendência entre os autores de criar unidades menores de regionalização, com o número variando muito de autor para autor. Uma análise comparativa de cada uma dessas unidades poderia revelar áreas correspondentes entre si, mas a variação entre os autores, quanto à metodologia e grupo utilizado na análise, torna difícil o teste de cada uma delas, e também mostram certa deficiência quanto a formulação de cada unidade (regiões, províncias, distritos e etc). Alguns autores concluíram que é impossível descrever uma única hipótese que explique padrões de distribuição biológicos atuais, pois cada grupo possui uma história única de dispersão e vicariância, o que torna complexa a generalização de um modelo para todos os demais táxons.

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Fontes consultadas

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