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Alfred Russel Wallace

Alfred Russel Wallace, OM, FRS foi um naturalista, geógrafo, antropólogo e biólogo britânico.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Biografia

Em 7 de novembro de 1913, Wallace morreu aos 90 anos em sua casa de campo, chamada de "Old Orchard", em Broadstone (Dorset), que havia sido construída uma década antes. A imprensa amplamente divulgou sua morte na época. The New York Times o chamou de "o último dos gigantes que pertencera a esse grupo maravilhoso de intelectuais que incluía, entre outros, Darwin, Huxley, Spencer, Lyell, e Owen, cuja ousadia nas investigações revolucionaram e evoluíram o pensamento do século". Alguns dos amigos de Wallace sugeriram que ele fosse enterrado na Abadia de Westminster, mas sua esposa seguiu seus desejos e ele foi enterrado no pequeno cemitério em Broadstone, Dorset. Vários proeminentes cientistas britânicos formaram uma comissão para ter um medalhão de Wallace colocado em Westminster, perto de onde Darwin tinha sido enterrado. O medalhão foi inaugurado em 1 de novembro de 1915.

Primeiros anos

Wallace nasceu no vilarejo de Llandoc, próximo à Usk, Monmouthshire, País de Gales. Foi o oitavo de nove filhos de Thomas Vere Wallace e Mary Anne Greenell. Sua mãe era de uma família inglesa de classe média de Hertford. Thomas Wallace era de ascendência escocesa e sua família, como muitos Wallaces escoceses, reivindicavam uma ligação com William Wallace, o líder da insurreição contra a Inglaterra no século XIII. Thomas Wallace obteve graduação em direito, embora nunca tenha praticado a profissão e herdou terras rentáveis, mas investimentos ruins e empresas falidas resultaram numa deterioração regular das condições financeiras da família. Quando Alfred Wallace tinha cinco anos, sua família mudou-se para Hertford, ao norte de Londres, onde frequentou a Hertford Grammar School (Liceu) até que dificuldades financeiras forçaram sua família a retirá-lo em 1836.

Exploração e estudo do mundo natural

Inspirado pelas crônicas de naturalistas viajantes precedentes incluindo Alexander von Humboldt, Charles Darwin e William Henry Edwards, Wallace decidiu que ele também queria viajar para o exterior como naturalista. Em 1848 Wallace e Henry Bates partiram para o Brasil a bordo do Mischief. Sua intenção era coletar insetos e outros espécimes animais na Floresta Amazônica e vendê-los a colecionadores na Inglaterra, a venda de coleções era uma fonte de renda para custear as expedições. Também esperavam juntar evidências da transmutação das espécies. Wallace e Bates passaram a maior parte de seu primeiro ano coletando espécimes próximo a Belém do Pará, quando exploraram o interior separadamente, encontrando-se por ocasião para discutir seus achados. Em 1849, tiveram a breve companhia de um outro jovem explorador, o botânico Richard Spruce, junto com o irmão mais novo de Wallace, Herbert. Herbert partiu logo em seguida (falecendo dois dias depois de febre amarela), mas Spruce, assim como Bates, passaria quase dez anos coletando na América do Sul.

Retorno ao Reino Unido, casamento e filhos

Em 1862, Wallace retornou ao Reino Unido e se mudou para a casa de sua irmã Fanny Sims e de seu marido Thomas. Enquanto se recuperava de suas viagens, Wallace organizou sua coleção de espécimes e deu palestras sobre suas aventuras e descobertas em várias sociedades científicas, incluindo a Sociedade Zoológica de Londres. Mais tarde, naquele mesmo ano, Wallace visitou Darwin, em Down House, e se tornou amigo de Charles Lyell e Herbert Spencer. Durante a década de 1860, Wallace escreveu vários ensaios e deu palestras defendendo a teoria da seleção natural. Também se correspondeu com Darwin sobre vários temas, incluindo a seleção sexual, o aposematismo e os possíveis efeitos da seleção natural sobre a hibridação e a divergência de espécies. Em 1865, Wallace começou a investigar o espiritismo.

Problemas financeiros

Durante os anos de 1860 e de 1870, Wallace estava muito preocupado com a segurança financeira de sua família. Enquanto estava no arquipélago malaio, a venda de espécimes havia trazido uma quantidade considerável de dinheiro, que tinha sido cuidadosamente investida pelo agente que vendeu os espécimes para Wallace. No entanto, em seu retorno ao Reino Unido, fez vários investimentos arriscados em ferrovias e em minas que se revelaram um fracasso, por isso ele foi forçado a viver dos lucros gerados pela publicação de O Arquipélago Malaio. Apesar da ajuda de seus amigos, Wallace não conseguiu encontrar um emprego com um salário fixo. Para se manter financeiramente, ele trabalhou como agrimensor para o governo, escreveu 25 artigos para publicação entre 1872 e 1876 por somas modestas e editou várias obras de Lyell e Darwin. Em 1876, ele teve que pedir um adiantamento de 500 libras esterlinas pela publicação de The Geographical Distribution of Animals para evitar a venda de seus bens pessoais. Darwin sabia das dificuldades financeiras de Wallace e lutou para conceder-lhe uma pensão do governo por suas contribuições para a ciência. Quando a pensão anual de $ 200 foi concedido em 1881, foi capaz de estabilizar a sua situação financeira, complementando sua renda com o que ganhava por seus escritos.

Ativismo Social

Durante alguns meses, em Londres, Wallace aprimorou seu desenvolvimento intelectual frequentando aulas no Instituto de Mecânica (London Mechanics Institute), onde adquiriu conhecimento das ideias políticas de reformas sociais-radicais de Robert Owen (1771-1858) que cooperaram para a formação de seu ceticismo religioso e de suas ideias reformistas e socialistas. Nos momentos vagos, Wallace dedicava seu tempo ao socialismo, militarismo político, espiritualismo e até mesmo às questões pacifistas, defendendo a justiça social e a reforma agrária. Nos mais audaciosos pensamentos pode-se considerar Wallace como um "ambientalista principiante", onde defendeu a preservação de uma área de florestas naturais nas proximidades de Londres que enfrentava forte interferência humana. Contudo, suas ações não se restringiram à Londres, Wallace também clamou pelas florestas de Sequóias da Califórnia.

Trabalhos científicos adicionais

Wallace continuou seu trabalho científico em paralelo com seu comentário social. Em 1880, ele publicou Island Life como uma sequência de The Geographic Distribution of Animals. Em novembro de 1886, Wallace começou uma viagem de dez meses aos Estados Unidos para dar uma série de palestras populares. A maioria das palestras foi sobre evolução por seleção natural, mas ele também fez discursos sobre biogeografia, espiritualismo e reforma socioeconômica. Durante a viagem, ele se reuniu com seu irmão John, que emigrara para a Califórnia anos antes. Ele também passou uma semana no Colorado, com o botânico americano Alice Eastwood como seu guia, explorando a flora das Montanhas Rochosas e reunindo evidências que o levariam a uma teoria sobre como a glaciação poderia explicar certos pontos em comum entre a flora montanhosa da Europa, Ásia e América do Norte, que ele publicou em 1891 no artigo "English and American Flowers". Ele conheceu muitos outros naturalistas americanos proeminentes e viu suas coleções. Seu livro de 1889, Darwinism, usou informações que ele coletou em sua viagem americana e informações que ele compilou para as palestras.

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Teoria da Evolução

Em muitos relatos da história da teoria evolucionista, Wallace é relegado ao papel de um simples estímulo para a teoria do próprio Darwin. Na realidade, Wallace desenvolveu suas próprias concepções distintas sobre a evolução (concepções essas que divergiam das de Darwin) e era considerado por muitos (especialmente por Darwin) como um pensador de primeira grandeza sobre a teoria da evolução no seu tempo, e cujas ideias não podiam ser ignoradas. Um historiador da ciência apontou que, por meio de correspondência privada e trabalhos publicados, Darwin e Wallace trocaram conhecimentos e estimularam as ideias e teorias um do outro por um longo período. Ele é um dos naturalistas mais citados na obra de Darwin Descent of Man (A Origem do Homem), ocasionalmente em forte desacordo. Ao contrário de Darwin, Wallace começou sua carreira como naturalista viajante já acreditando na transmutação das espécies. O conceito havia sido defendido por Jean-Baptiste Lamarck, Geoffroy Saint-Hilaire, Erasmus Darwin e Robert Grant, entre outros. Foi amplamente discutido, mas não geralmente aceito pelos principais naturalistas, e foi considerado como tendo conotações radicais e até revolucionárias.

Diferenças entre as ideias de Darwin e Wallace sobre seleção natural

Os historiadores da ciência notaram que, embora Darwin considerasse as ideias do artigo de Wallace essencialmente as mesmas que as suas, havia diferenças. Darwin enfatizou a competição entre indivíduos da mesma espécie para sobreviver e se reproduzir, enquanto Wallace enfatizou as pressões ambientais sobre variedades e espécies forçando-as a se adaptarem às suas condições locais, levando populações em diferentes locais a divergir. Alguns historiadores, notadamente Peter J. Bowler, sugeriram a possibilidade de que no artigo que enviou a Darwin, Wallace não discutisse a seleção de variações individuais, mas a seleção de grupo. No entanto, Malcolm Kottler mostrou que Wallace estava de fato discutindo variações individuais.

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Outras contribuições científicas

Biogeografia e ecologia

Em 1872, a pedido de muitos de seus amigos, incluindo Darwin, Philip Sclater e Alfred Newton, Wallace começou a pesquisar para uma revisão geral da distribuição geográfica dos animais. O progresso inicial foi lento, em parte porque os sistemas de classificação para muitos tipos de animais estavam em fluxo. Ele retomou o trabalho a sério em 1874 após a publicação de uma série de novos trabalhos sobre classificação. Estendendo o sistema desenvolvido por Sclater para pássaros—que dividiu a Terra em seis regiões geográficas separadas para descrever a distribuição de espécies—para abranger também mamíferos, répteis e insetos, Wallace criou a base para as regiões zoogeográficas ainda em uso hoje. Ele discutiu todos os fatores então conhecidos por influenciar a distribuição geográfica atual e passada de animais dentro de cada região geográfica.

Questões ambientais

O extenso trabalho de Wallace em biogeografia o tornou consciente do impacto das atividades humanas no mundo natural. Em Tropical Nature and Other Essays (1878), ele alertou sobre os perigos do desmatamento e da erosão do solo, especialmente em climas tropicais propensos a chuvas fortes. Observando as complexas interações entre vegetação e clima, ele alertou que o amplo desmatamento da floresta úmida para cultivo de café no Ceilão (agora chamado de Sri Lanka) e na Índia afetaria negativamente o clima desses países e levaria ao empobrecimento devido à erosão do solo. Em Island Life, Wallace novamente mencionou o desmatamento e as espécies invasoras. Sobre o impacto da colonização europeia na ilha de Santa Helena, escreveu:

Astrobiologia

O livro de Wallace, de 1904, Man's Place in the Universe foi a primeira tentativa séria de um biólogo para avaliar a probabilidade de vida em outros planetas. Ele concluiu que a Terra era o único planeta do sistema solar que poderia suportar vida, principalmente porque era o único em que a água poderia existir na fase líquida. Mais controversamente, ele sustentou que era improvável que outras estrelas na galáxia pudessem ter planetas com as propriedades necessárias (a existência de outras galáxias não foi provada na época). Seu tratamento de Marte neste livro foi breve e, em 1907, Wallace voltou ao assunto com um livro Is Mars Habitable? para criticar as alegações feitas por Percival Lowell de que havia canais marcianos construídos por seres inteligentes. Wallace fez meses de pesquisa, consultou vários especialistas e produziu sua própria análise científica do clima marciano e das condições atmosféricas. Entre outras coisas, Wallace apontou que a análise espectroscópica não mostrou sinais de vapor de água na atmosfera marciana, que a análise de Lowell do clima de Marte era seriamente falha e superestimou muito a temperatura da superfície, e que a baixa pressão atmosférica tornaria a água líquida, e ainda mais um sistema de irrigação do planeta, impossível. Richard Milner comenta: "Foi o brilhante e excêntrico evolucionista Alfred Russel Wallace... que efetivamente desmascarou a rede ilusória de canais marcianos de Lowell". Wallace originalmente se interessou pelo assunto porque sua filosofia antropocêntrica o inclinou a acreditar que o homem provavelmente seria único no universo.

Aposta da Terra plana

Em 1870, um defensor da Terra plana chamado John Hampden ofereceu uma aposta de £ 500 (equivalente a cerca de £ 51 000 em termos atuais) em um anúncio de revista para qualquer um que pudesse demonstrar uma curvatura convexa em um corpo de água como um rio, canal ou lago. Wallace, intrigado com o desafio e com pouco dinheiro na época, projetou um experimento no qual ele montou dois objetos ao longo de um trecho de 10 quilômetros do canal. Ambos os objetos estavam na mesma altura acima da água, e ele também montou um telescópio em uma ponte na mesma altura acima da água. Quando visto pelo telescópio, um objeto parecia mais alto que o outro, mostrando a curvatura da Terra.

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Concepções do magnetismo animal e do espiritualismo e aplicação da teoria à Humanidade

Em uma carta a um parente em 1861, Wallace escreveu: Wallace era um entusiasta de frenologia. No início de sua carreira ele fez vários experimentos com o mesmerismo. Ele usou alguns de seus alunos em Leicester como sujet, com considerável sucesso. Quando ele começou seus experimentos com magnetismo animal, o tema já era experimentado pelos magnetizadores de primeira hora, como John Elliotson que havia recebido criticada até seu estabelecimento médico e científico Wallace desenhou uma conexão entre suas experiências com magnetismo e suas investigações posteriores em espiritualismo. Em 1893, ele escreveu: Wallace começou a investigar o espiritualismo no verão de 1865, possivelmente por insistência de sua irmã mais velha Fanny Sims, que esteve envolvida com ele por algum tempo. Ele passou a investigar os fenômenos das mesas girantes ainda tão em voga na Europa; a mediunidade das senhoras Marshall e Guppy, dentre outras, afirmando mais tarde que as comunicações com espíritos "são inteiramente comprovadas tão bem como quaisquer fatos que são provados em outras ciências" em A defence of modern spiritualism (1874). Depois de revisar a literatura sobre o tema e tentar testar os fenômenos que presenciou nas séances, ele passou a aceitar que a crença estava ligada a uma realidade natural. Pelo resto de sua vida, ele permaneceu convencido de que pelo menos alguns fenômenos das sessões espíritas eram genuínos, não importasse quantas acusações de fraude os céticos fizessem ou quanta evidência de trapaça fosse produzida. Historiadores e biógrafos discordam sobre quais fatores mais influenciaram sua adoção do espiritualismo. Foi sugerido por um biógrafo que o choque emocional que ele havia recebido alguns meses antes, quando sua primeira noiva rompeu o noivado, contribuiu para sua receptividade à crença. Outros estudiosos preferiram enfatizar o desejo de Wallace de encontrar explicações racionais e científicas para todos os fenômenos, materiais e não materiais, do mundo natural e da sociedade humana.

Aplicação à teleologia na evolução

Em 1864, antes que Darwin tivesse abordado publicamente o assunto, apesar de outros o terem, Wallace publicou um artigo, The Origin of Human Races and the Antiquity of Man Deduced from the Theory of 'Natural Selection' (A Origem das Raças Humanas e a Antiguidade do Homem Deduzidos da Teoria de "Seleção Natural"), aplicando a teoria à Humanidade. Darwin ainda não havia abordado publicamente o assunto, embora Thomas Huxley tivesse em Evidências quanto ao Lugar do Homem na Natureza. Wallace tornou-se a seguir um espiritista e, mais tarde, argumentou que a seleção natural não poderia justificar o gênio matemático, artístico ou musical, nem reflexões metafísicas, a razão ou o humor, e que algo no "invisível universo do Espírito" tinha intercedido pelo menos três vezes na históriaː

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Prêmios

Dentre os muitos prêmios concedidos a Wallace vale citar a Order of Merit (Ordem do Mérito), de 1908, a Medalha Copley da Royal Society (Sociedade Real), de 1908, a Medalha do Fundador da Royal Geographical Society e a Medalha de Ouro da Linnean Society (Sociedade Lineana), de 1892. Ele também foi honrado ao serem batizadas crateras de Marte e da Lua com base em seu nome.

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Wallace Center

Em 14 de julho de 2005, o Ministro Chefe Pehin Sri Dr Haji Abdul Taib Mahmud instou a Unimas a criar o Wallace Center (Centro Wallace, em Santubong) em um esforço para inspirar jovens cientistas a desenvolverem mais pesquisas sobre a rica biodiversidade do país.

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Publicações

Wallace foi um autor prolífero. Em 2002, um historiador de ciência publicou uma análise quantitativa das publicações de Wallace. Ele descobriu que Wallace havia publicado 22 livros completos e pelo menos 747 peças curtas, 508 das quais eram artigos científicos (191 deles publicados na Nature). Ele ainda subdividiu as 747 peças curtas por seus assuntos primários: 29% eram sobre biogeografia e história natural, 27% eram sobre teoria da evolução, 25% eram críticas sociais, 12% eram de Antropologia, e 7% estavam ligados ao espiritismo e frenologia. Uma bibliografia online de escritos de Wallace tem mais de 750 entradas.

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Fontes consultadas

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