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Biogeografia

Biogeografia é o estudo da distribuição das espécies e ecossistemas no espaço geográfico e através do tempo geológico. Organismos e as comunidades biológicas variam de uma forma altamente regular ao longo de gradientes geográficos de latitude, altitude, isolamento e área de habitat.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Campos de estudo da biogeografia

A biogeografia pode ser dividida em dois grandes campos de estudo: Durante períodos de mudanças ecológicas, a biogeografia inclui o estudo de espécies vegetais e animais, seu habitat de refúgio, seus locais de vida provisórios, e/ou seus locais de sobrevivência. Dessa forma, o escritor David Quammen questionaː "[a] biogeografia faz mais do que perguntar Qual espécie?, e Onde?; ela também questiona 'Por quê?' e, o que às vezes é mais crucial: "Por que não?". A biogeografia é mais profundamente estudada em ilhas. Estes habitats são, muitas vezes, objetos de estudo muito mais controláveis, porque eles são mais condensados do que os ecossistemas continentais. Ilhas também são locais ideais, porque permitem que os cientistas investiguem o papel de espécies invasoras em habitats e como elas se dispersam no espaço geográfico da ilha. O conhecimento adquirido no estudo de habitats em ilhas pode ser aplicado no estudo de habitats continentais mais complexos. As ilhas apresentam uma grande diversidade de biomas, uma vez que são distribuidas em diferentes latitudes e apresentam características climáticas que vão do tropical ao polar. Esta diversidade no habitat permite uma vasta gama de espécies de estudo em diferentes partes do mundo.

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História

Imagem: Jmarmi · BY-SA · Openverse

A teoria científica da biogeografia cresceu com a contribuição dos trabalhos de Alexander von Humboldt (1769-1859), Hewett Cottrell Watson (1804-1881), Alphonse de Candolle (1806-1893), Alfred Russel Wallace (1823-1913), Philip Lutley Sclater (1829-1913) e outros biólogos e exploradores. O biólogo Alfred Russel Wallace, um dos maiores estudiosos da biogeografia em níveis muito superiores aos de Darwin, traçou em suas viagens um limite notavelmente claro, que contornava as ilhas na região da Ásia, chamada de “Linhas de Wallace”. Wallace compreendia a evolução quando ele começou suas viagens em 1848 pela Amazônia e sudeste da Ásia. Nessas viagens, ele procurou demonstrar que a evolução realmente aconteceu, mostrando como a geografia afetava a variedade das espécies. Ele estudou centenas de animais e plantas, tomando cuidado de registrar onde cada um foi encontrado, percebendo padrões e evidências favoráveis para a evolução. Ele foi indagado, por exemplo, de como as fronteiras estabelecidas por rios e montanhas delimitavam os habitats de muitas variedades de espécies, para responder isso ele comprovou que a explicação convencional de que espécies tinham sido criadas com adaptações para o clima particular da região onde elas vivem não fazia sentido, visto que ele encontrou regiões com climas semelhantes e animais completamente diferentes.

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Classificação

Imagem: Observatorio Estatal de la Sustentabilidad Morelos · PDM · Openverse

Biogeografia é uma ciência sintética, relacionados à geografia, biologia, ciência do solo, geologia, climatologia, ecologia e evolução. Alguns conceitos fundamentais em biogeografia incluem:

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Padrões e Processos

Imagem: Ostrosky Photos · BY-NC-ND · Openverse

Para compreender o padrão de distribuição dos organismos é preciso estar consciente de que este padrão decorre da interação de dois tipos de processos. Estes são os processos espaço-temporais dos organismos vivos (bióticos) e do planeta (abióticos); são processos que ocorrem diversamente no espaço ao longo do tempo. Os processos são de três tipos principais: extinção, dispersão e vicariância: Os padrões de distribuição de espécies em áreas geográficas geralmente podem ser explicados por uma combinação de fatores históricos, biológicos, ecológicos e ambientais. Fatores biológicos incluem a especiação e a extinção, enquanto os fatores geológicos incluem a deriva continental, glaciação, variação do nível do mar, organização de vias fluviais e a captura fluvial. Outros fatores ambientais, como as características do habitat e as fontes de energia disponíveis no ecossistema, somados à distribuição irregular de massas de terra (que leva ao potencial isolamento de ecossistemas), contribuem para distribuição das espécies.

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Biogeografia terrestre

Imagem: Dptos Geografía · BY · Openverse

A Linha de Wallace dividiu a região oriental e australiana. Porém, em 2012, pesquisadores internacionais da Universidade de Copenhague, Dinamarca, atualizaram o mapa da vida animal, elaborado pela primeira vez em 1876. As informações puderam ser aprimoradas com o uso de técnicas genéticas e estatísticas, por cientistas que reuniram dados sobre a localização e as relações evolutivas de 21.037 espécies de mamíferos, anfíbios e aves, para caracterizar seus padrões biogeográficos naturais. Diferentes áreas do mundo costumam abrigar tipos específicos de espécies, que tornam cada região diferente da outra nesse aspecto. Identificadas ao todo 20 regiões, que abrigam 11 grandes reinos. O novo mapa, apresentado na revista Science, busca descrever o relacionamento histórico e evolutivo entre essas macrorregiões. Houve também a criação de um coeficiente, variando de 0 a 1, para mostrar o quanto um reino é único em relação aos demais. Quanto mais próximo de 1, maior o endemismo, os Reinos Australiano (0,68) e Madagascar (0,63) possuem diversidade beta. A Austrália, com uma fauna muito distinta do restante do mundo, é bastante exótica e com espécies endêmicas. A região australiana é composta dessa forma por Austrália e Nova Zelândia.

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Teoria biogeográfica de regiões

As fundações para uma teoria biogeográfica de regiões foram postas pelas observações de Comte de Buffon, em 1761. Nelas, Buffon constatou que as regiões tropicais do Velho Mundo e do Novo Mundo continham tipos diferentes de grandes mamíferos. Em meados de 1838, Augustin de Candolle havia delineado 40 regiões biogeográficas diferentes, baseando-se na distribuição vegetal. Em 1858, Philip L. Sclater havia delineado seis regiões terrestres zoogeográficas, baseado na fauna global de aves e, em 1876, Wallace expandiu o esquema canônico de Sclater, incluindo mamíferos e outros animais. Interessantemente, ao mesmo tempo, Wallace também delineou 21 sub-regiões continentais que eram similares aquelas construídas por Candolle, baseada em plantas, 56 anos antes. Regiões biogeográficas têm tradicionalmente sido desenhadas de maneira separada para animais e plantas. As regiões zoogeográficas de Sclater e Wallace sobreviveram, em grande medida, aos tempos modernos e diferem daquelas feitas para plantas – as regiões/reinos fitogeográficas(os) (Good, 1947-1974; Takhtajan, 1986) – por razões resumidas por Cox (2001). Um dos primeiros esquemas fitogeográficos foi o Ronald Good’s Floristic Kingdoms, baseado em coincidência de distribuição de táxons não-relacionados de angiospermas. Good identificou seis “reinos” separados e vários “sub-reinos”, províncias e, por último, regiões florísticas. A excepcional flora de Fynbos, na África do Sul, mereceu um “reino” próprio.

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Regiões biogeográficas marinhas

Imagem: de Oliveira FF, de Sousa Silva LR, Zanella FCV, Garcia CT, Pereira HL, Quaglierini C, Pigozzo CM (2020) A new species of Ceratina (Ceratinula) Moure, 1941, with notes on the taxonomy and distribution of Ceratina (Ceratinula) manni Cockerell, 1912, and an identification key for species of this subgenus known from Brazil (Hymenoptera, Apidae, Ceratinini). ZooKeys 1006: 137-165. · BY · Openverse

As regiões biogeográficas marinhas são delimitadas por zonas climáticas e por correntes oceânicas, que podem servir de fronteiras para vários tipos de seres vivos. Estas grandes regiões podem ainda ser subdivididas e recentemente usa-se o conceito de grande ecossistema marinho como a unidade de estudo e conservação das espécies marinhas.

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