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Charles Darwin

Charles Robert Darwin FRS FGRS FLS FLZ foi um naturalista, geólogo e biólogo britânico, célebre por seus avanços sobre evolução nas ciências biológicas. Juntamente com Alfred Wallace, Darwin estabeleceu a ideia que todos os seres vivos descendem de um ancestral em comum, argumento agora amplamente aceito e considerado um conceito fundamental no meio científico, e propôs a teoria de que os ramos evolutivos são resultados de seleção natural e sexual, onde a luta pela sobrevivência resulta em consequências similares às da seleção artificial.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Biografia

O livro levantou interesse internacional, com menos polêmica que o popular Vestiges of the Natural History of Creation. Embora a condição de saúde de Darwin o tenha mantido longe dos debates públicos, ele submeteu ao escrutínio todas as respostas científicas, comentando as colunas de jornais, análises, artigos, sátiras e caricaturas, além de falar sobre com colegas ao redor do mundo. O livro não discutia explicitamente as origens humanas,[IV] mas incluiu várias sugestões sobre o ancestral humano e quais as melhores inferências. Uma primeira crítica perguntou: "se um macaco se tornou homem – porque não o homem não poderia se tornar macaco?", além de ter afirmado que a questão deveria ser deixada para os teólogos, pois era muito perigosa para o leitor comum. Entre as primeiras análises positivas, Huxley atacou Richard Owen, líder do establishment científico que ele estava tentando derrubar. Em abril, a crítica de Owen atacou os próximos de Darwin e ridicularizou suas ideias, enfurecendo-o, mas Owen e outros começaram a promover a ideia de uma evolução guiada pelo sobrenatural. O naturalista Patrick Matthew chamou a atenção para o fato de que ele chegou a desenvolver o conceito da seleção natural na formação de novas espécies em um livro de 1831, mas não continuou mais a fundo.

Primeiros anos

Charles Robert Darwin nasceu em Shrewsbury, Shropshire, em 12 de fevereiro de 1809, em uma propriedade da família apelidada The Mount. O quinto de seis irmãos e filho do médico e investidor Robert Darwin com Susannah Darwin (nome de solteira, Wedgwood), Charles era neto de dois proeminentes abolicionistas: Erasmus Darwin por parte de pai, e Josiah Wedgwood por parte de mãe. Ambas as famílias eram unitaristas, embora os Wedgwoods também compartilhassem a crença anglicana. O próprio Robert Darwin, que se declarava um livre pensador, batizou Charles em novembro de 1809 na Anglican St Chad's Church, Shrewsbury. Enquanto pequeno, Darwin e seus irmãos iam à Igreja Unitarista juntamente com sua mãe. Com oito anos, demonstrava interesse precoce pela história natural durante suas participações escolares. Em julho daquele ano, sua mãe faleceu. Em setembro de 1818, veio a frequentar, junto com seu irmão mais velho Erasmus, a Anglican Shrewsbury School.

A viagem com o Beagle

Após deixar Sedgwick em Gales, Darwin passou uma semana com colegas em Barmouth, retornando para casa em 29 de agosto e achando uma carta de Henslow propondo uma viagem a bordo do HMS Beagle; o capitão seria Robert FitzRoy e Henslow deixou claro que apesar da oportunidade irrecusável para um jovem naturalista, Darwin estaria primeiramente na posição de cavalheiro e não apenas como "mero colecionador". O navio partiria em quatro semanas começando pela costa da América do Sul. A viagem sofreu objeção do pai, Robert Darwin, pois seria "uma perda de tempo", mas o seu cunhado, Josiah Wedgwood II, persuadiu-o a financiar os custos. Darwin fez questão de deixar a expedição em segredo a fim de manter controle do material coletado, já que desta maneira este poderia ser melhor preservado e expandido para futuras investigações científicas.

Surgimento e conceito da teoria evolutiva

Quando o navio chegou na Cornualha, Inglaterra, em 2 de outubro de 1836, Darwin já tinha prestígio entre os círculos acadêmicos e científicos; em 1835 o mentor Henslow já tinha oferecido cartas de seu ex-pupilo para vários naturalistas renomados, melhorando ainda mais a sua reputação sobre conhecimento geológico. Assim que chegou na Inglaterra, Darwin visitou sua casa em Shrewbury e reencontrou parentes. Dali partiu apressadamente para Cambridge para ver Henslow, que o aconselhou a encontrar naturalistas dispostos a catalogar as coleções e concordou em catalogar os espécimes botânicos ele mesmo. O pai de Darwin organizou investimentos que permitiram que o seu filho fosse autossuficiente em sua pesquisa científica e Darwin não perdeu tempo para divulgar e estudar os materiais coletados através de especialistas de Londres. Os zoologistas tinham bastante trabalho em atraso, e havia o perigo de espécimes serem simplesmente deixados em armazém.

Excesso de trabalho, doença e casamento

Enquanto estava estudando de maneira intensiva sobre transmutação, Darwin começou a ficar imerso em trabalho. Ainda reescrevendo seus diários, ele editou e publicou os relatórios especializados sobre as suas colecções, e com a ajuda de Henslow obteve um fundo de 1 000 libras esterlinas para suportar a publicação de um multi-volume denominado Zoology of the Voyage of H.M.S Beagle, uma quantia equivalente a 89 000 libras em 2017. Ele esticou essa quantidade de dinheiro para incluir livros que tinha planeado sobre geologia, e concordou com datas de lançamento irreais com os editores. No início da Era Vitoriana, Darwin se apressou em terminar seus diários e, em agosto de 1837, já estava corrigindo preliminares da obra.

Desenvolvimento da teoria da evolução, cracas e geologia

Darwin agora tinha o material base para trabalhar sobre a teoria da seleção natural, o seu "hobby principal". Suas pesquisas incluíram intensas investigações sobre a seleção artificial de plantas e animais e a busca por evidências de que os animais não são fixos, investigando ideias para substanciar a sua teoria. Durante quinze anos esta tarefa era secundária, tendo ele se ocupado principalmente nos seus escritos sobre geologia e em publicar em periódicos especializados sobre suas coleções do Beagle, principalmente cirrípedes. Quando a obra Narrative, de Fitzroy, foi publicada em maio de 1839, os diários de Darwin fizeram tanto sucesso como o terceiro volume que mais tarde nesse mesmo ano foi lançado como obra separada. No início de 1842, Darwin escreveu sobre as suas ideias a Charles Lyell, que notou que o seu aliado "nega ver um começo para os vários grupos de espécies".

Publicação da teoria da seleção natural

No início de 1856, Darwin estava investigando se ovos e sementes poderiam sobreviver na água marinha para espalhar seus descendentes pelo oceano. Hooker aumentou seu ceticismo sobre a visão tradicional fixista das espécies, mas um jovem amigo deles, Thomas Henry Huxley, era firmemente contra a transmutação das espécies. Lyell estava intrigado pelas especulações de Darwin, sem realmente perceber o que de fato dizia em toda a sua dimensão. Ao ler o livro de Alfred Russel Wallace, On the Law which has Regulated the Introduction of New Species, ele viu similaridades com o pensamento de Darwin e avisou que publicasse seu trabalho o quanto antes. Embora Darwin não tenha se intimidado, em 14 de maio de 1856 ele começou a escrever um manuscrito. Conseguir responder perguntas difíceis o fez ganhar ritmo e aumentou seus planos para um "grande livro sobre as espécies" intitulado Natural Selection, o qual deveria também conter no cabeçalho algo como "excluindo o homem". Ele continuou suas pesquisas, obtendo espécimes e informações de naturalistas pelo globo, incluindo de Wallace, que estava em Bornéu. Em meados de 1857, ele adicionou uma seção chamada "Teoria aplicada das Raças Humanas", mas não avançou no tópico. Em setembro de 1857, Darwin mandou para o botânico estadunidense Asa Grey uma síntese de suas ideias, incluindo um abstrato de Natural Selection. Ele respondeu que evitaria comentar sobre um assunto "tão cercado de preconceitos", encorajando as teorias de Wallace e comentando que "eu fui muito além do que você".

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Legado

No período de sua morte, Darwin já tinha convencido a maioria dos cientistas de que a evolução por origem comum estava correta e ele já era considerado um grande cientista que teve ideias revolucionárias. Em junho de 1909, embora poucos daquele tempo concordassem com sua visão de que a "seleção natural era a principal, mas não a forma exclusiva de modificação", Darwin foi honrado por mais de 400 oficiais e cientistas do mundo todo que se encontraram em Cambridge para comemorar o centenário de seu nascimento e o quinquagésimo aniversário da publicação de A Origem das Espécies. No início do século XX, em um período que tem sido denominado como "O eclipse do darwinismo", cientistas propuseram várias alternativas de mecanismos evolutivos, que se provaram insustentáveis. Ronald Fisher, um estatístico inglês, finalmente uniu a genética mendeliana com a seleção natural, síntese realizada entre o período de 1918 até 1930, ano do lançamento de seu livro The Genetical Theory of Natural Selection. Ele proveu à teoria uma base matemática e estabeleceu um largo consenso científico de que a seleção natural é o mecanismo básico da evolução, portanto a base da genética populacional e da síntese evolutiva moderna, juntamente com J. B. S. Haldane e Sewall Wright, os quais lançaram os pilares dos debates evolutivos modernos e o refinamento da teoria.

Comemorações e homenagens

Durante a vida de Darwin, muitos locais foram homenageados com seu nome. Uma extensão de água adjacente ao Estreito de Beagle foi nomeado Canal de Darwin por Robert FitzRoy após uma reação heroica de Darwin, junto com dois ou três homens, que os salvou de naufragarem de seus barcos quando uma geleira colapsou e causou uma grande onda que teria virado suas embarcações; o Monte Darwin, nos Andes, também foi nomeado em celebração ao 25.º aniversário de Darwin. Quando o Beagle estava navegando pela Austrália em 1839, o amigo de Darwin John Lort Stokes avistou um porto natural que o capitão do navio Wickham escolheu nomear Port Darwin: um assentamento próximo foi renomeado Darwin em 1911 e se tornou a capital da Território do Norte.

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Filhos

Os Darwins tiveram dez filhos: dois morreram na infância, sendo que a morte de Annie, aos dez anos, teve efeitos devastadores nos pais. Charles foi um pai devoto e especialmente atento aos seus filhos. Quando ficavam doentes, ele temia que tivessem herdado suas fraquezas por consanguinidade, por conta dos laços de parentesco próximos que ele compartilhava com sua esposa e prima, Emma Wedgwood. Darwin examinou a consanguinidade em seus escritos e percebia a desvantagem em relação a sexualidade cruzada em várias espécies. Apesar de seus medos, a maioria das crianças sobreviveram e muitos de seus descendentes tiveram carreiras consagradas. Das crianças sobreviventes, George, Francis e Horace se tornaram membros da Royal Society, sendo respectivamente um astrônomo, um botânico e um engenheiro civil. Todos se tornaram cavalheiros. Um outro filho, Leonard, chegou a ser um soldado, político, economista, eugenista e mentor de Ronald Fisher, estatístico e biólogo evolucionista.

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Visões e opiniões

Visões religiosas

A tradição da família de Darwin era não-conformista unitarista, enquanto seu pai e avô eram livre-pensadores, seu batismo e escola de infância eram anglicanos. Quando estava ingressando em Cambridge para se tornar um clérigo anglicano, Darwin não duvidava a interpretação literal da Bíblia. Ele aprendeu ciências com John Herschel que, igualmente com a teologia natural de William Paley, buscou explicações nas leis da natureza ao invés de respostas miraculosas e viu a adaptação das espécies como uma evidência do design divino. A bordo do Beagle, Darwin era bem ortodoxo e podia citar a Bíblia como uma autoridade moral. Ele olhou para os "centros da criação" para explicar a distribuição das espécies, e sugeriu que a similaridade das formigas-leão achadas na Austrália e Inglaterra eram evidência da mão divina.

Sociedade humana

As visões sociais e políticas de Darwin refletiam o seu período histórico e sua posição social. Ele cresceu em uma família de reformadores whigs que, como seu tio Josiah Wedgwood, apoiava reformas eleitorais e a emancipação de escravos. Darwin se opôs apaixonadamente a escravidão, enquanto não via problema com as condições de trabalho dos trabalhadores industriais ingleses ou servos. Em 1826, as lições de taxidermia do escravo liberto John Edmonstone, que Darwin chamava de um "homem bastante inteligente e respeitoso", reforçou sua crença que pessoas negras compartilhavam os mesmos sentimentos e poderiam ser tão inteligentes quanto as pessoas de outras raças. Ele tomou a mesma atitude com os nativos que encontrou na viagem pelo Beagle. Essas atitudes não eram usuais na Grã-Bretanha da década de 1820, tanto que chocou visitantes norte-americanos. A sociedade britânica se tornou mais racista no meio do século, mas Darwin continuou se opondo fortemente contra a escravidão, contra a "hierarquia das então chamadas raças humanas como espécies distintas" e contra o tratamento doentio dos povos nativos.[VII] As interações de Darwin com os yaganes (fueguinos), como Jemmy Button, durante a segunda viagem do Beagle tiveram um profundo impacto em suas visões de povos primitivos. Na sua chegada a Terra do Fogo ele fez uma descrição generosa dos "selvagens fueguinos". Essa visão mudou quando conheceu o povo yagane em mais detalhes. Ao estudar os yeganes, Darwin concluiu que o conjunto básico de emoções dos diferentes grupos humanos eram o mesmo e que as capacidades mentais era basicamente as mesmas dos europeus. Enquanto estudava a cultura yagane, Darwin deixou escapar a profunda cultura ecológica e cosmológica deles até 1850, quando inspecionou um dicionário de yagane detalhando 32 mil palavras nativas.

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Movimentos sociais evolutivos

A fama e a popularidade de Darwin levaram seu nome a ser associado com ideias e movimentos que, as vezes, apenas tinham relação indireta com seus trabalhos e, até mesmo, iam diretamente contra suas visões. Thomas Malthus argumentou que o aumento populacional por recursos foi ordenado por Deus para levar os humanos a trabalharem produtivamente e se restringirem em criarem famílias; isto foi usado na década de 1830 para justificar a existência de workhouses e da economia laissez-faire. Naquele tempo a evolução estava sendo vista como um implicante de relações sociais e o livro Social Statics, publicado em 1851 e de autoria de Herbert Spencer, baseava ideias de liberdade humana em relação a sua teoria lamarckiana de evolução. Logo após A Origem ser publicada em 1859, críticos ridicularizaram a descrição de Darwin da luta pela sobrevivência como uma justificativa malthusiana do capitalismo industrial inglês da época. O termo darwinismo foi usado por ideias evolucionárias de outros, incluindo a "sobrevivência do mais apto" de Spencer, como justificativa do progresso do livre-mercado e do poligenismo de Ernst Heackel. Escritores usaram a seleção natural para argumentar por várias ideologias constantemente contraditórias, como o colonialismo e o imperialismo. Entretanto, a visão holística de Darwin da natureza incluía a "dependência do outro"; então pacifistas, socialistas, reformadores sociais liberais e anarquistas, como Piotr Kropotkin, salientaram o valor da cooperação entre as espécies, ao invés da competição. O próprio Darwin insistiu que políticas sociais não deveriam ser simplesmente guiadas por conceitos de luta e seleção da natureza.

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