João Troglita
João Troglita foi um general bizantino do século VI. Participou na Guerra Vândala e serviu no Norte da África como um governador militar regional durante os anos 533–538, antes de ser enviado para oeste às guerras contra o Império Sassânida. Como duque da Mesopotâmia, Troglita distinguiu-se em várias batalhas e foi observado pelos agentes do imperador Justiniano (r. 527–565). No verão de 546, Justiniano escolheu João Troglita para assumir o comando das forças bizantinas na África, onde uma sucessão de revoltas eclodiram dentre as tribos mouriscas e dentro do próprio exército imperial, o que reduziu seriamente a posição bizantina.
Origens e começo da carreira na África e Oriente
As exatas origens de João Troglita são incertas. Pode ter nascido na Trácia, mas seu sobrenome peculiar pode indicar proveniência de Trógilos (em grego: Τρώγιλος), na Macedônia. De acordo com informações provenientes do historiador do século VI Procópio de Cesareia e do panegirista de Troglita, Flávio Crescônio Coripo, foi o filho de um certo Evantes, e teve ao menos um irmão chamado Papo. O próprio Troglita casou-se com uma "filha de um rei", provavelmente um chefe bárbaro, e teve um filho, Pedro. É citado pela primeira vez como tendo participado na Guerra Vândala (533–534) sob Belisário, e pode ser identificado com outro João, que comandou uma unidade de federados nas batalhas de Cartago e Tricamaro. Permaneceu na província da África após a partida de Belisário em 534, e participou nas expedições de Salomão contra os mouros em 534–535. Neste momento, foi provavelmente o governante militar local (duque) em Bizacena ou, mais provavelmente, Tripolitânia, pois é mencionado liderando as expedições bem sucedidas contra a tribo dos leuatas. Também lutou contra os exército amotinado em Membresa em 536, e então sob Germano, o sucessor de Salomão, na decisiva Batalha das Escadas Ancestrais, na primavera de 537. Nesta batalha, foi um dos comandantes da cavalaria do flanco direito do exército bizantino, que, de acordo com o historiador Procópio, foi derrotada e repelida pelos homens de Estútias, perdendo suas bandeiras de guerra no processo. No entanto, a batalha resultou em uma vitória imperial. Em 538, Troglita distinguiu-se na Batalha de Autentos, provavelmente em Bizacena.
Alto comando na África
Durante a ausência de Troglita da África, a situação havia sido turbulenta. Germano tinha permanecido na província até 539, e conseguiu restaurar a disciplina no exército e pacificar os territórios centrais da África Proconsular e Bizacena. Foi sucedido por Salomão, que começou seu segundo mandato com grande sucesso, derrotando os mouros do Monte Aurásio e estabilizando o controle bizantina sobre a Numídia e Mauritânia Sitifense. Contudo, a revolta mourisca reacendeu em 543 e Salomão foi morto na Batalha de Cílio em 544. Seu sucessor, seu sobrinho Sérgio, foi incompetente. Foi derrotado pelos mouros, chamado de volta e substituído por Areobindo, que foi assassinado na primavera de 546 em outra revolta militar liderada pelo general Guntárico. O último pretendia declarar-se independente de Constantinopla, mas foi logo assassinado pelo armênio Artabanes. A necessidade de um líder novo e capaz na África era evidente para Constantinopla. Após uma trégua assinada com a Pérsia em 546, Justiniano, talvez, com Coripo implica, sob o conselho de Urbício, chamou Troglita de volta do Oriente. Após informar-lhe da situação, o imperador colocou-o como chefe de um novo exército e enviou-o à África como o novo Mestre dos soldados da África (Magister militum per Africam) no final do verão de 546.


