Batalha de Carras
A Batalha de Carras, travada em 53 a.C. próximo à cidade de Carras, foi uma das batalhas entre o Império Parta e a República Romana. O comandante parta Surena esmagou a força invasora romana comandada pelo general Marco Licínio Crasso. Esta foi uma das maiores derrotas sofridas pelos romanos.
A guerra ao Império Parta foi resultado de uma série de arranjos e alianças políticas formadas por Marco Licínio Crasso, Pompeu Magno e Júlio César — o chamado Primeiro triunvirato. Entre março e abril de 56 a.C., encontro realizado em Ravena, em Luca e na província da Gália Cisalpina, buscaram reafirmar a aliança firmada quatro anos antes. Foi decidido que o triunvirato apoiaria e daria recursos para o comando de Júlio César na Gália para influenciar as eleições que ocorreriam em 55 a.C., que daria um segundo consulado para Crasso e Pompeu. Crasso fez fortuna no mercado imobiliário romano e em outros negócios, mas apesar das conexões políticas e da riqueza, faltava-lhe apoio por parte da plebe. Crasso tinha inveja da glória e popularidade dos seus colegas triúnviros Júlio César e Pompeu Magno, e sabia muito bem que para chegar aos status de seus colegas, precisaria de vitórias militares e de conquistar novos territórios para Roma. Então, ao receber o comando das províncias orientais, Crasso passou a planejar a invasão da Pártia, que era porta de entrada para as riquezas do oriente, porém muitos romanos opuseram-se a esta campanha.
Marco Licínio Crasso chegou à província romana da Síria no final de 55 a.C. e imediatamente começou a usar sua imensa fortuna para erguer um exército. Ele conseguiu reunir uma força de 35 mil legionários (a força de 7 legiões), 4 mil de infantaria leve e 4 mil cavaleiros, incluindo mil cavaleiros gauleses que Crasso trouxera com ele. Artavasdes II da Arménia fez uma oferta de ajuda para os romanos, deixando que eles usassem seu território para invadir a Pártia e mais 16 mil cavaleiros e 30 mil soldados de infantaria como reforço. Crasso recusou a oferta e decidiu pegar o caminho mais longo pelo deserto da Mesopotâmia e assim capturar as grandes cidades da região. Em resposta, o xá Orodes II dividiu seus exércitos e tomou a maior parte das tropas para atacar os armênios e deixou o restante das suas forças, aproximadamente 9 mil arqueiros a cavalo e mil catafractários sob o comando do general Surena, para escaramuçar e enfraquecer o exército romano. Orodes não previu que as forças de Surena (em desvantagem numérica de pelo menos três para um) seriam capazes de derrotar Crasso.
Após ser informado da proximidade do exército parta, Marco Licínio Crasso entrou em pânico. Seu general Cássio aconselhou-o a colocar seu exército em formação tradicional de batalha, com a infantaria no centro e a cavalaria nos flancos. De início, Crasso concordou mas logo mudou a formação para um quadrado, sendo cada lado formado por 12 coortes. Essa formação o protegeria caso o inimigo tentasse flanqueá-lo, mas às custas da mobilidade de seu exército. As forças romanas então avançaram. Os generais de Crasso aconselharam-no a montar acampamento e atacar pela manhã a fim de descansar seus homens. Públio, contudo, estava ansioso para lutar e convenceu Crasso a atacar imediatamente. Os partas passaram então a intimidar os romanos. Primeiro soaram tambores e outros instrumentos, e até gritos, a noite inteira. Surena então ordenou seus catafractários a avançar mas os romanos firmaram posição. Apesar de Surena ter planejado um ataque frontal às linhas romanas, ele não achava que isso os faria sair de formação, então limitou-se a cercar o exército romano. Crasso enviou escaramuçadores para afastar os arqueiros a cavalo do inimigo mas eles tiveram de recuar sob pesado ataque. Os arqueiros partas passaram então a lançar uma chuva de flechas sobre as legiões romanas. A densa formação romana garantiu que cada flecha acertasse um alvo já que as pesadas flechas partas atravessavam os escudos romanos porém não matavam, apenas causavam grandes ferimentos. Os romanos tentaram repetidas vezes avançar sobre os partas mas os arqueiros e cavaleiros sempre fugiam atirando quantidades maciças de flechas enquanto recuavam. Os legionários em formação de testudo, colocavam os escudos sobre o corpo numa formação maciça para protegê-los das flechas às custas da sua mobilidade. Os partas exploraram essa fraqueza e atacaram as linhas romanas causando pânico e infligindo pesadas baixas. Quando os romanos abandonavam a formação cerrada para revidar, os catafractários recuavam e os arqueiros começavam a atirar suas flechas novamente.
Após a humilhante derrota, Roma ficou assustada com a possibilidade de uma invasão dos territórios orientais pelos partas. Seguiriam-se várias guerras entre Roma e a Pártia com vitórias para ambos os lados. Mas naquele momento o impacto mais significante da derrota foi na política interna com o fim do primeiro triunvirato o que colocou os outros dois triúnviros sobreviventes (Pompeu e Júlio César) em guerra, que resultaria no fim da República Romana e o nascimento do Império.


