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Cavalaria

Cavalaria é a arma das forças terrestres que se destina ao combate de fogo em movimento, em ações de choque ou de reconhecimento. Historicamente, a cavalaria é a arma mais móvel dos exércitos e a segunda mais antiga, depois da infantaria.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/07/2026
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A missão da cavalaria

Em muitos dos exércitos modernos, o termo "cavalaria" ainda é usado para se referir à arma que desempenha funções semelhantes às que a antiga cavalaria ligeira desempenhava, montada a cavalo. Essas funções incluem a exploração, a caça aos elementos de reconhecimento inimigos, a segurança avançada, o reconhecimento ofensivo pelo combate, cobertura das forças amigas durante movimentos retrógrados, a retirada, a recuperação do comando e controlo, a decepção, a ligação, a penetração e a incursão. Para desempenhar estas funções, a cavalaria moderna trocou o cavalo por um conjunto de equipamentos que inclui veículos ligeiros todo-o-terreno, motociclos, veículos blindados, helicópteros, radares de superfície e drones. Já a função de choque, antigamente desempenhada pela cavalaria pesada, é, em muitos exércitos hoje desempenhada por uma arma própria (normalmente designada "arma blindada" ou " de blindados") ou, nalguns casos, pela infantaria. No entanto, em outros exércitos, esta função também ainda se mantém como atribuição da arma de cavalaria. Para desempenho da função de choque, os cavalos de grande porte e as armaduras foram substituídos pelos carros de combate.

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História

Apesar da cavalaria romana não usar estribos, as selas usadas permitiam boas estabilidade e flexibilidade. No entanto a adoção dos estribos e de selas mais aperfeiçoadas permitiram uma maior eficiência no combate a cavalo, durante a Idade Média. Os estribos e as novas selas permitiam que mais peso, tanto do homem como da sua sua armadura, pudessem ser suportados em cima do cavalo. Em particular, uma carga com a lança presa nas axilas já não se iria transformar num "salto com vara", permitindo um enorme aumento do impacto da carga a cavalo. Por último, mas não menos importante, a introdução das esporas veio permitir um melhor controlo da montada durante a carga de cavalaria a todo o galope. Na Europa Ocidental emergiu o que é considerado o expoente máximo da cavalaria pesada: o cavaleiro ou homem-de-armas medieval. Os cavaleiros carregavam em formação cerrada, trocando a flexibilidade por uma primeira carga massiva e irresistível.

Origens

Antes da Idade do Bronze, o papel da cavalaria no campo de batalha era, essencialmente, desempenhado pelos carros ligeiros puxados a cavalo. O carro de combate puxado a cavalo teve origem na cultura de Andronovo da Ásia Central e espalhou-se pelos povos nómadas ou seminómadas indo-iranianos. O carro foi prontamente adotado por povos sedentários, tanto como meio de combate como objeto cerimonial símbolo de estatuto, especialmente pelos egípcios, assírios e babilónios. O poder da mobilidade, dado pelas unidades montadas, cedo foi reconhecido, mas prejudicado pela dificuldade em levantar grandes forças e pela incapacidade dos cavalos — então, a maioria de pequeno porte — em carregar armaduras pesadas. As técnicas de cavalaria foram uma inovação desenvolvida pelos povos nómadas equestres da Ásia Central e pelas povos pastorícios do atual Irão, como os Pártias e os sármatas.

Grécia antiga e Macedónia

A cavalaria desempenhou um papel, relativamente subalterno, na Grécia antiga, sendo os conflitos decididos por massas de infantaria couraçada. Contudo, a Tessália era, amplamente, conhecida por produzir exímios cavaleiros e experiências posteriores em guerras, tanto com como contra o Império Aquemênida ensinaram aos Gregos o elevado valor da cavalaria em ações de perseguição e em escaramuças. Xenofonte — autor e soldado ateniense — advogou a criação de uma pequena, mas bem treinada força de cavalaria, escrevendo, para isso, vários manuais sobre cavalos e cavalaria. Em contrapartida, a Macedónia, ao norte, desenvolveu uma forte cavalaria pesada que culminou nos hetairos (cavalaria dos Companheiros) de Filipe II e de Alexandre o Grande. Além desta cavalaria pesada, o exército de armas combinadas macedónio também empregou soldados de cavalaria ligeira, chamados "pródromos, em missões de exploração e de cobertura. Foram também empregues os ippiko, soldados de cavalaria média, armados com lança e espada, protegidos com uma couraça de pele, cota de malha e chapéu, usados como exploradores e caçadores a cavalo. Esta cavalaria era usada em conjunto com a infantaria ligeira e a famosa falange macedónica. A eficiência do sistema de armas combinadas foi demonstrado nas conquistas asiáticas de Alexandre o Grande.

Império Romano

O serviço na cavalaria, no início da República Romana, manteve-se como uma prerrogativa reservada aos membros da classe abastada dos equites, os únicos com capacidade para manter um cavalo, além das armas e da armadura. À medida que a classe cresceu, tornando-se mais numa elite social do que, propriamente, num grupo de militares, os Romanos começaram a empregar aliados Italianos (não Romanos) da classe dos sócios (socii) para preencherem os postos da sua cavalaria. Ao mesmo tempo, os Romanos começaram a recrutar auxiliares de cavalaria estrangeiros, de entre os Iberos, Gauleses e Númidas. O próprio Júlio César era conhecido pela admiração que tinha da sua escolta de cavalaria mista germânica, que deu origem à Coorte de Cavalaria (Cohorte Equitates). Os primeiros imperadores mantiveram uma ala de cavalaria, composta por Batavos, para sua guarda pessoal, mais tarde extinta por Galba.

Árabes

A cavalaria inicial árabe, durante a época dos califas bem guiados, consistia numa cavalaria ligeira armada com lanças e espadas, protegida com uma armadura leve. A sua função principal era a de atacar os flancos e a retaguarda do inimigo. A cavalaria ligeira, durante os anos finais da conquista islâmica do Levante, tornou-se no mais poderoso ramo do exército muçulmano. O melhor uso deste tipo de cavalaria rápida e ligeiramente armada, foi demonstrado na Batalha de Jarmuque, em 636, na qual Calide ibne Ualide, sabendo da importância e da habilidade da sua cavalaria, usou-a para virar o jogo em todos os momentos críticos da batalha, aproveitando-se da sua capacidade para o contacto, o rompimento de contacto, a retirada e o contra-ataque a partir dos flancos ou da retaguarda. Calide ibne Ualide formou a Mutaharrik tulai'a (guarda móvel), uma unidade de cavalaria de elite, composta por veteranos das campanhas do Iraque e da Síria. A guarda móvel era usada como vanguarda do exército e como força canalizadora das tropas oponentes, com a sua grande mobilidade a dar-lhe uma vantagem decisiva na manobra contra qualquer exército bizantino.

Ásia Central e Meridional

A literatura indiana contém inúmeras referências às forças de cavalaria dos nómadas da Ásia Central, como os Sacas, os Tocarianos, os cambojas, os javanas, Paalavas e os Paradas. Numerosos textos purânicos referem-se a uma antiga invasão da Índia, no século XVI a.C., pelas forças de cavalaria de cinco nações, chamadas as "Cinco Hordas" (Pañca Ganah) ou as "Hordas de Xátria" (Kśatriya Ganah), que capturaram o trono de Ayodhya, ao destronarem o rei védico Bahu. O Maabárata, o Ramayana, numerosos puranas e algumas fontes estrangeiras atestam que o serviço da cavalaria dos cambojas era frequentemente solicitado nas guerras antigas. O Maabárata fala, em 950 a.C., de uma estimada cavalaria de cambojas, Sacas, javanas e Tocarianos, dos quais, todos eles participaram na Guerra de Kurukshetra, sob o comando supremo do governante Sudakshina Camboja.

Extremo Oriente

A história militar da China relata uma longa troca de experiências entre as forças de infantaria chinesas do Sul e os "bárbaros" montados do Norte. Em 307 a.C., o rei Wuling de Zhao, ordenou aos seus comandantes militares e às suas tropas, que adotassem calças como os nómadas, bem como que praticassem o seu sistema de tiro com arco a cavalo. Depressa, as táticas de cavalaria adotadas pelo reino de Zhao forçaram os seus inimigos dos outros reinos combatentes a adotar as mesmas técnicas. A adoção da cavalaria de massas na China, também quebrou a tradição do uso em combate, do carro puxado a cavalos pela aristocracia chinesa, que existia desde cerca de 1 600 a.C., durante a Dinastia Shang. Por esta altura os grandes exércitos chineses com de 100 000 a 200 000 soldados de infantaria, passaram a ser apoiados por várias centenas de soldados a cavalo.

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A cavalaria ligeira e a pesada

Tradicionalmente, a cavalaria estava dividida em cavalaria ligeira e cavalaria pesada ou couraçada. A diferença estava, sobretudo, no tamanho das montadas utilizadas, na quantidade de armadura levada pelo cavalo e pelo cavaleiro, bem como a função desempenhada em combate. Um terceira categoria, a cavalaria média era a constituída, inicialmente pelos arqueiros a cavalo e, mais tarde, sucessivamente por besteiros a cavalo, arcabuzeiros a cavalo e dragões. A cavalaria ligeira era, tipicamente, utilizada no reconhecimento, em escaramuças e no corte da retirada da infantaria. A cavalaria pesada era usada como tropa de choque, sendo empregue em cargas sobre o corpo principal das tropas inimigas. Com o desenvolvimento das armas de fogo, a cavalaria pesada começou a aproximar-se da obsolescência. No entanto, diversas unidades mantiveram o uso de couraças e capacetes como proteção contra golpes de espada e de baionetas e como incentivo para o moral dos utilizadores.

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Estatuto social

Desde o início da civilização até ao século XX, a posse de cavalos de combate foi vista como um sinal de riqueza e de prestígio entre os diversos povos. Um cavalo de combate implica uma despesa considerável em termos de criação, treino, alimentação e equipamento, sendo, no entanto, pouco produtivo excepto como meio de transporte. Por esta razão, e por causa do seu papel militar decisivo, a cavalaria foi sempre associada a um estatuto social elevado. Isto tornou-se mais evidente no sistema feudal, no qual se esperava que um nobre entrasse em combate com armadura e a cavalo, trazendo consigo um contingente de camponeses a pé. Num combate entre um senhor feudal a cavalo e de armadura e camponeses a pé, estes sairiam, certamente derrotados, a não ser que fossem em número muito superior. Mais tarde, nos exércitos nacionais, ser um oficial de cavalaria continuou a ser sinal de uma elevado estatuto social. As consideráveis despesas que os oficiais de cavalaria tinham que suportar a nível particular, pela função que desempenhavam — despesas que não existiam na maioria das outras armas — faziam que a grande maioria deles viesse de classes economicamente privilegiadas.

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Cavalaria por país

Brasil

A cavalaria é, ao lado da infantaria, arma base e de manobra do Exército Brasileiro, caracterizada pelos meios móveis, blindados, com comunicações avançadas e grande poder de fogo, dando continuidade às capacidades das antigas forças hipomóveis. É empregada como vanguarda, reconhecimento, segurança de outras formações e em "manobras envolventes e profundas". Seu patrono é o marechal Manuel Luís Osório. Alguns quartéis usam a boina preta, símbolo dos combatentes mecanizados e tradicional de forças blindadas pelo mundo. As unidades estão em brigadas de cavalaria (mecanizadas ou blindada), sob brigadas de infantaria ou sob comandos superiores. Os regimentos são:

Portugal

Na Idade Média, a cavalaria portuguesa era constituída por três classes de cavaleiros: os cavaleiros nobres, os monges cavaleiros das ordens militares e os cavaleiros-vilãos da classe popular. As caraterísticas da Península Ibérica fizeram com que a cavalaria ligeira, composta, essencialmente por ginetes, sem armadura e armados de lança e adarga, preponderasse sobre a cavalaria pesada. Mais tarde, já durante a expansão ultramarina, os ginetes irão ser o principal tipo de cavalaria empregue nas operações em Marrocos, sendo usada, sobretudo em escaramuças e em reconhecimento. Na Batalha de Alcácer-Quibir, a cavalaria portuguesa, já organizada de acordo com um modelo renascentista, implementado, sobretudo, no reinado de D. Sebastião I, era constituída pelos acobertados — cavalaria pesada couraçada, empregue no choque — e pelos ginetes. O sucesso da ação da cavalaria e de outras tropas portuguesas, contudo, não foi suficiente para evitar a derrota que, dois anos depois, iria levar à perda da independência em 1580.

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Fontes consultadas

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