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Acha

A acha, acha de armas ou ainda facha de armas, corresponde a uma arma de haste que conheceu três formatos diferentes, o mais popular dos quais, à escala internacional, assumia uma forma semelhante à de um machado bigume, que ficou associada como timbre da nobreza de origem militar, pelo transcurso dos séculos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Etimologia

Crê-se que a etimologia deste substantivo tenha chegado ao português por via do francês «hache» que, por seu turno, vem do frâncico «hâppia», que terá provindo do germânico «happja», que significa «foice».

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Feitio

Imagem: Biblioteca Rector Machado y Nuñez · PDM · Openverse

A acha é composta por três elementos: a «arma», «ponta» ou «cabeça», que se podia revestir de três formatos diferentes; a haste; e a contraponta ou «conto». No que toca à ponta da acha de armas, importa esclarecer que, enquanto arma versátil, esta possuiu inúmeras variações, na história militar medieval portuguesa, de sorte que na sua extremidade podia estar um machado bigume; um martelo ou maça revestido com lâminas; ou ainda uma espécie de picareta recurva denominada "bico de corvo". A haste consiste no cabo ou hastil de madeira em que assenta a ponta ou cabeça da arma e mediria entre um metro e vinte a dois metros e meio de comprimento. Sob a cabeça da acha de armas, ao longo da haste, figuravam, por vezes, dois discos metálicos, chamados rodela, que ajudavam o guerreiro a empunhar a arma, de modo a que não lhe escorregasse das mãos. A contraponta desta arma de haste denomina-se «conto», que por sinal é o nome comummente atribuído à contraponta das armas de haste, como as lanças. O conto, por vezes, em vez de ser só a contraponta romba de madeira da haste, também podia estar guarnecido com um esporão, à guisa de sauróter como existia nas lanças da antiguidade clássica, como a dory.

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Uso histórico

Era uma arma usada em épocas medievais em alturas de guerra, com corte por um lado e, por outro, um bico curvo muito aguçado, feito da mesma forma que o machado de cortar lenha, para desarmar o inimigo, rompendo-lhe as armaduras que lhe protegiam o corpo. Chegou a ser usada em torneios, bafordos e cavalhadas por cavaleiros couraçados. Tal como a lança, esta arma tem a vantagem de permitir impor distância sobre o adversário, quando empunhada na horizontal, em riste contra o inimigo. Outra vantagem proporcionada por esta arma, fosse na variante com machado, com maça ou com bico de corvo, é que podia ser usada à guisa de um desmontador de cavaleiros, isto é, podia ser usada para derrubar os oponentes que viessem a cavalo, especialmente para danificar o arnês e outros apeiros da montada. No caso da acha de armas da variante de «bico de corvo», esta podia ainda ser usada, para prender e puxar peças do arnês de um cavaleiro adversário, de feição a dificultar-lhe a liberdade de movimentos e de o tentar desequilibrar da cavalgadura abaixo.

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Facha de armas

A designação «facha de armas» teve largo uso na história militar portuguesa, usando-se este término amiúde para designar a variedades de acha de armas que mais se assemelhavam à maça de armas. Ou seja, a facha de armas ficava a meio termo entre a maça de armas e a acha de armas de cabeça de machado bigume, assumindo-se como uma maça ou martelo revestida com lâminas. Os portugueses criaram um tipo peculiar de facha de armas, a facha de lâminas. Fernão Lopes, na crónica de D. João I, alude avonde às fachas e às fachas de chumbo: « (…)E leixadas as lamças das mãaos que huuns e a outros pouco nojo fez e jazendo huum grande vallo dellas amtre huuma aaz e outra, veheram as fachas e espadas d’armas» De acordo com Rafael Bluteau, as fachas de armas eram implementos bélicos de ferro, de curtas dimensões, que chegaram a ser usadas em torneios, bafordos, duelos e cavalhadas. Desposando igual entendimento, Anselmo Braamcamp Freire, na sua obra Brasões da Sala de Sintra, cita os cronistas da época, para fazer alusão a uma justa realizada no reinado de D. João I, em que, no desfile inauguratório, dentre a charanga dos músicos, se destacava a figura de um gigantone «(...)todo coberto de armas doiradas com um escudo na mão esquerda e na direita uma facha de armas, e montado em azêmola de proporções descomunais escolhida para o efeito e revestida de peles de urso com tanta perfeição que iludia», o que demonstra o quão comum e intimamente ligada à figura dos cavaleiros estava a facha de armas.

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Heráldica

Imagem: Fernando Lugo Méndez · BY-NC-SA · Openverse

O brasão da família Homem, nas suas representações originais, representava um leão azul com uma facha de armas nas mãos, sendo que ulteriormente a facha foi substituída por uma acha de armas com machado bigume.

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