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1.º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque

O 1.º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (VF-1), o "Esquadrão Falcão", é a unidade da Aviação Naval Brasileira criada para voar aeronaves de asa fixa em porta-aviões da Marinha do Brasil (MB). A desmobilização do porta-aviões São Paulo (A-12) em 2017, após mais de uma década inoperante, limita o esquadrão a decolar de pistas em terra, especialmente da sua base em São Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro. Desde sua criação ele opera aviões de ataque McDonnell Douglas A-4 Skyhawk, originalmente designados AF-1 (monolugar) e AF-1A (bilugar), modernizados em 2015–2022 para o padrão AF-1B e AF-1C. O VF-1 e a Força Aérea Argentina são os últimos usuários militares desse avião.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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Criação

Demanda por caças

A observação da Guerra das Malvinas, travada em 1982 entre a Argentina e o Reino Unido, fez a Marinha do Brasil perceber sua fraqueza num hipotético conflito no Atlântico Sul.:180 Aeronaves argentinas afundaram ou danificaram vários navios britânicos com mísseis antinavio e bombas, e só não fizeram mais dano devido às baixas pesadas que sofreram para as aeronaves britânicas com mísseis ar-ar. Os porta-aviões, ao oferecerem superioridade aérea e projeção de poder sobre terra e mar, confirmaram sua importância no núcleo das frotas. O Brasil tinha o porta-aviões Minas Gerais, adquirido em 1956, mas sua função era a guerra antissubmarino; ele não tinha o porte e capacidades ideais para operar jatos.:176-177

Escolha do A-4

A Marinha decidiu obter diretamente um lote de interceptadores em vez do caminho mais lento, que seria primeiro adquirir aviões de instrução.:120 O modelo escolhido precisaria de compatibilidade com o Minas Gerais:22 e equivalência ao Super Étendard da Armada Argentina.:206 As opções consideradas foram o próprio Étendard, o A-4 Skyhawk, o Vought A-7 Corsair II e o British Aerospace Harrier. O Corsair era muito pesado para o Minas Gerais, enquanto o Étendard e Harrier tinham custos elevados. O Skyhawk foi escolhido como “compra de oportunidade”,:120 aproveitando a oferta de modelos aposentados da Força Aérea do Kuwait com muitas peças sobressalentes e boa condição: uma média de 1 700 horas de voo, sem as desgastantes operações embarcadas,:68 e, graças às condições desérticas, pouca corrosão. Um argumento contrário era que os aviões obsoletos acabariam inutilizados pela falta de apoio logístico.:206

Fatores políticos

Antes de qualquer mudança na lei, em 1994 a Marinha enviou oficiais para se formarem no exterior como pilotos de avião. Em seguida, em setembro de 1996 o ministro da Marinha Mauro César Rodrigues Pereira apresentou sua exposição de motivos para a compra das aeronaves.:21 Entretanto, a ambição da Marinha esbarrava na proibição legal de ter aeronaves de asa fixa. Sua disputa acirrada com a Aeronáutica pela aviação embarcada havia concluído em 1965: um decreto restringiu sua Aviação Naval aos helicópteros, desapontando o oficialato naval. Três décadas depois, eles retornaram à mesma pauta.:41 O ministro Mauro César teria como obstáculos internos a FAB, Exército e a área econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso, e externamente, a desconfiança argentina.:cap. 1 A Armada Argentina tornou-se aliada, pois já desenvolvia boas relações com a MB e, após desativar seu porta-aviões em 1997, pretendia manter sua aviação naval funcionando. Os argentinos, e não a FAB, ajudaram a treinar os pilotos da MB nesse período. Dois oficiais argentinos integraram a comitiva brasileira no Kuwait,:97 e um A-4Q da Aviação Naval Argentina foi usado para testes a bordo do Minas Gerais.:cap. 1

Recepção do A-4

O acordo da aquisição foi assinado em 30 de abril de 1998. Em setembro chegaram ao Brasil 20 aviões A-4KU monoplace (monoposto) e três TA-4KU biplace (biposto), designados pela Marinha como AF-1 e AF-1A.:21 Ao desembarcar, ainda possuíam a camuflagem de deserto, a escrita Free Kuwait, areia do deserto dentro da estrutura e até impactos de bala em alguns.:65 Os AF-1 receberam matrículas de N-1001 a N-1020, e os AF-1A, de N-1021 a N-1023. O padrão de camuflagem adotado no Brasil, com três tons de cinza, é baseado no esquema do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. O 1.º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque, designado VF-1, conforme a nomenclatura americana,[b] recebeu o código de rádio de “Falcão”.:68 Ele foi ativado em 2 de outubro de 1998, quando ainda não tinha condições de voo. A capacidade de operação embarcada teve que ser construída quase do zero.:cap. 4

Novo porta-aviões

O esquadrão trazia implícito um possível novo porta-aviões.:21 A catapulta do Minas Gerais podia lançar um AF-1 em quaisquer condições de vento, mas devido à pequena superfície alar do Skyhawk, o pouso exigia 30 nós de vento relativo, com o navio aproando ao vento. Como a velocidade nominal do porta-aviões era de 24 nós, na prática muito menor, ele dependeria muito do vento natural. Somente as bases em terra ofereceriam pouso seguro, obrigando o Minas Gerais a navegar perto do litoral. Além disso, suas dimensões eram pequenas e arriscadas para o pouso de jatos de alta performance, pois ele era um porta-aviões projetado para as aeronaves da Segunda Guerra Mundial. Consequentemente, a Marinha substituiu o Minas Gerais pelo porta-aviões francês Foch, também antigo, porém mais moderno e espaçoso, com velocidade nominal de 32 nós e duas catapultas. Denominado São Paulo, foi incorporado à Esquadra em 2001.:121:cap. 1:92

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Estrutura e pessoal

O esquadrão está sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA) e subordinado ao Comando da Força Aeronaval.:161 Seu comando é exercido por um capitão de fragata. A estrutura é típica de uma unidade de caça, com setores de Operações, Manutenção, Segurança de Voo e Administração. Suas instalações físicas cobrem 6 mil metros quadrados de área construída, com um prédio de dois andares, dois hangares e quatro Hangares de Linha de Voo. A manutenção de primeiro escalão ocorre dentro da unidade, e as de segundo e terceiro escalão, no Grupo Aeronaval de Manutenção. Empresas homologadas pela Diretoria de Aeronáutica da Marinha revisam itens específicos. Quando os Skyhawks foram comprados, nem o Brasil e nem a Argentina tinham como reparar seus componentes aviônicos complexos. A manutenção a nível de depósito dependia de enviar os itens às fábricas nos Estados Unidos. O efetivo de pilotos era originalmente previsto em trinta,:24 mas só havia seis na ativa em 2022. Quase cem foram formados de 1998 até setembro de 2023. Cada um tem um longo processo de quase quatro anos de seleção, estudos e treinamento. Em comum com os demais aviadores navais, os “caçadores” do VF-1 são oficiais com um a três anos de experiência naval prévia. Oriundos do Corpo da Armada ou do Corpo de Fuzileiros Navais, todos entram na Aviação Naval através do curso teórico do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), na BAeNSPA.

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Condição das aeronaves

Atrito inicial da frota

Em seus primeiros anos o esquadrão operou de forma consistente, concentrado na formação de uma massa crítica de pilotos. O São Paulo operou sem interrupções de 2001 e 2005 e a partir de então sofreu diversos problemas, incluindo acidentes fatais, passou por prolongados períodos de manutenção:95 e foi por fim oficialmente desmobilizado em 2017. O VF-1 operou embarcado até maio de 2004. Em toda sua história operacional no Brasil, o São Paulo fez menos de seiscentos lançamentos de Skyhawks. Em seu auge em 2003, não mais que meia dúzia de jatos estiveram embarcados ao mesmo tempo, embora o navio tivesse capacidade para dezoito.:cap. 24 A modernização dos AF-1 foi prevista no Plano de Reaparelhamento da Marinha elaborado em 2003, mas postergada por falta de recursos.:95 Assim como o porta-aviões, os jatos revelaram sua idade: as peças de reposição eram custosas e difíceis de obter e o suporte de manutenção de motores não existia no Brasil. A disponibilidade para voo foi baixa e as horas de voo diminuíram com o tempo. Para manter alguns jatos funcionando, outros foram desativados e tiveram peças canibalizadas. A frota disponível paulatinamente encolheu. Em 2008, com todos os meios da Marinha em situação crítica, apenas dois dos aviões tinham condições de voar. Em dezembro desse ano, um contrato de U$ 5 milhões foi assinado com a Israel Aerospace Industries para a recuperação de dez motores. O Plano de Equipamento e Articulação da Marinha do Brasil (PAEMB) de 2009 previu a modernização de doze aeronaves de interceptação e ataque e a compra de mais 48. O primeiro item materializou-se em dois contratos assinados em abril do mesmo ano entre a Embraer e a Diretoria de Aeronáutica da Marinha, respectivamente de R$ 106 milhões e U$ 93 milhões.:95-96 Nesse ponto a frota já havia sofrido o atrito de metade dos 23 jatos originais.

Programa de modernização

A modernização dos aviões estava ligada à ideia de modernização e reativação do São Paulo,:130 numa lógica de recuperação de equipamentos defasados ou desativados devido às restrições orçamentárias.:83 A ideia era manter os Skyhawks voando até 2025, quando a Marinha receberia um novo porta-aviões e um novo modelo de caça, provavelmente uma versão naval do Gripen NG sueco, também escolhido pela FAB como parte de seu Projeto FX-2,:cap. 14 aproveitando a comunalidade.:80 Em novembro de 2011, um relatório sigiloso do Ministério da Defesa registrou 100% de indisponibilidade no VF-1, em meio a altas taxas de indisponibilidade nas Forças Armadas como um todo. O esquadrão voltou a voar em março de 2012. Em 2014 três jatos operavam no esquadrão, sete estavam em modernização nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, quatro aguardavam o envio, oito estavam por definir, um estava embarcado no São Paulo como mock-up e um servia de monumento em São Pedro da Aldeia. Alguns dos pilotos estavam em intercâmbio em outros esquadrões de aviação.

Horizonte de serviço

Os dois primeiros AF-1B modernizados, o N-1001 e N-1011, foram entregues em 2015 e 2016. Eles colidiram durante um treinamento em 26 de julho de 2016, a 44 quilômetros do litoral de Saquarema, Rio de Janeiro. O N-1011 foi perdido e seu piloto morreu, enquanto o N-1001 retornou à base e foi reparado pela Embraer. Assim, em 2017 o VF-1 operava com dois AF-1 e um AF-1A, às vezes com um AF-1 adicional, nenhum deles modernizado. A desmobilização do São Paulo em 2017, após mais de uma década inoperante, colocou no limbo o futuro do VF-1. O que justifica a existência dessas aeronaves é o porta-aviões,:133 mas ele estava inoperante por mais de uma década, e agora não havia qualquer possibilidade de treinar as operações embarcadas no Brasil. As únicas opções seriam intercâmbios de pilotos nas marinhas dos Estados Unidos e França, únicos outros países com porta-aviões de sistema CATOBAR. Sem o treinamento, a proficiência dos pilotos nas operações embarcadas seria perdida e o esquadrão gradualmente se tornaria como qualquer unidade de caça baseada em terra, criando um argumento para sua desativação. A essa época a Marinha tinha planos para a versão naval do Gripen e a compra de um novo porta-aviões, mas a crise econômica nacional e as prioridades maiores (submarinos e fragatas) tornavam improvável sua realização.

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Funções

Ambições de águas azuis

A Marinha conceitua as aeronaves de interceptação e ataque como parte da ala aérea embarcada de um navio-aeródromo, que, por sua vez, seria o núcleo de uma força naval. A ala aérea também incluiria aeronaves de alarme aéreo antecipado (airborne early warning, ou AEW), reabastecimento em voo, esclarecimento marítimo e guerra antissubmarino. Essa força poderia navegar distante do litoral e fornecer a defesa aeroespacial da esquadra, reagindo com suas aeronaves no menor tempo possível, o que não seria viável com a aviação baseada em terra. As ameaças aéreas (aeronaves e mísseis) podem atingir a esquadra em poucos minutos, e portanto devem ser enfrentadas o mais longe possível dos navios. A defesa é “em camadas”, com mísseis superfície-ar e canhões dos navios e aeronaves de interceptação vetoradas por outras de AEW. Os interceptadores podem ficar em alerta no convoo ou em patrulha aérea de combate, que oferece melhor tempo de reação. Além da reação ao ataque, é preciso negar a informação ao adversário, impedindo seu esclarecimento aéreo, e atacar as ameaças aéreas na sua origem. Na ausência desses meios, as marinhas com poucos recursos ficam restritas à proximidade do litoral.:135-137 Dessa forma, o São Paulo e o VF-1 tornariam a MB uma marinha de águas azuis.

Restrições e alternativas

A difícil manutenção do VF-1 e do São Paulo tornou inoperante a defesa aérea concebida.:137 Mesmo que houvesse um porta-aviões e uma quantia adequada de aeronaves para decolar dele, os Skyhawks comprados do Kuwait são aeronaves defasadas em armamento, recursos aviônicos e sensores,:64 dependendo da direção de radar externa para qualquer interceptação. O Skyhawk é um caça de segunda geração, enquanto as principais forças aéreas e marinhas do mundo já usam a quarta e quinta gerações. A configuração básica de armamento é a mesma usada nos anos 1960 pelos Skyhawks americanos e em 1982 pelos argentinos. No caso americano, os esquadrões de Skyhawks sofreram pesadas baixas à defesa antiaérea inimiga nas suas campanhas de bombardeio sobre o Vietnã, e foi justamente esta experiência que ajudou a inspirar o desenvolvimento das munições guiadas ("inteligentes"). No caso argentino, os Skyhawks não tinham munições inteligentes e atacaram fragatas e navios de desembarque com bombas burras, que exigem sobrevoar o alvo e se expor a mísseis superfície-ar e artilharia antiaérea. Este tipo de ataque já era suicida em 1982 e é mais ainda no século XXI, diante de forças-tarefa navais com defesas antiaéreas em camadas, eficazes a grandes distâncias e altitudes. No combate ar-ar, os Skyhawks brasileiros não teriam melhor sorte: sua velocidade é subsônica, seus canhões serviriam à autodefesa, não à interceptação e seus mísseis, mesmo que de curto alcance, não foram repostos. O combate ar-terra, em apoio ao Corpo de Fuzileiros Navais, seria uma alternativa de emprego, mas também inexistem mísseis para tal missão.

Exercícios militares

Sem adestramento contínuo, as habilidades de um aviador naval são rapidamente perdidas.:23 O esquadrão mantém uma rotina de voos operacionais e de treinamento. Na base em São Pedro de Aldeia, as campanhas de Preparação em Terra para Pouso em Navio (PTPN) preparam pilotos e Oficiais Sinalizadores de Pouso (OSP) para operações embarcadas. As campanhas de Emprego Ar-Solo ocorrem no Estande de Tiro de Maxaranguape, Rio Grande do Norte. Os lançamentos reais de bombas ocorrem duas vezes ao ano.:70 O esquadrão participa das principais operações de adestramento da Marinha, como a Aspirantex, Aderex, Fraterno, Dragão e Furnas. Na Operação Formosa, em Goiás, treina-se o apoio aéreo aproximado ao Corpo de Fuzileiros Navais.:70

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Fontes consultadas

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