Camelo
Os camelos (Camelus) constituem um género de ungulados artiodáctilos que contém duas espécies: o camelo-árabe, camelo-doméstico ou dromedário, de uma corcova, e o camelo-bactriano, de duas corcovas. Ambos são nativos de áreas secas e desérticas da Ásia. Ambas as espécies são domesticadas, fornecendo leite e carne para consumo humano, e são animais de tração. Humanos têm domesticado camelos há milhares de anos.[carece de fontes?]
A expectativa média de vida de um camelo é de 40 a 50 anos. Um camelo adulto plenamente crescido alcança os 1,85 m até o ombro e 2,15 m de comprimento. A corcova mede cerca de 75 cm. Camelos podem alcançar até os 65 km/h. São instrumentos de travessia no deserto já que possuem baixa necessidade de consumo de água, e constituem o transporte mais rápido pois os camelos são animais adaptados ao movimento no deserto. Ambos são animais herbívoros. O coletivo de camelos é cáfila. Quando se sentem ameaçados por outros indivíduos, geralmente cospem no sujeito em questão, em situações extremas podem morder.[carece de fontes?]
Genética
Os cariótipos de diferentes espécies de camelídeos foram estudados anteriormente por muitos grupos, mas não se chegou a nenhum acordo sobre a nomenclatura de cromossomos de camelídeos. O estudo mais recente usou cromossomos de variados camelos, construindo sem dúvida o cariótipo do camelo (2n=74) que consiste de um metacêntrico, três submetacêntricos e 32 autossomos acrocêntricos. O Y é um cromossomo metacêntrico pequeno, enquanto que o X é um cromossomo metacêntrico grande.
Os 14 milhões de dromedários hoje vivos são animais domesticados (a maioria vivendo no Chifre da África, no Sahel, Magrebe, Oriente Médio e Sul da Ásia). Nesta região tem a maior concentração de camelos do mundo, onde os dromedários constituem uma parte importante da vida nômade local. Já os camelos bactrianos são menos, cerca de 1,4 milhões deles, principalmente domésticos. Pensa-se que existem cerca de 1 000 camelos selvagens bactrianos no deserto de Gobi, na China e na Mongólia. Além de sua distribuição nativa original, houve diversas tentativas de implantação de colônias de camelos em outros locais, assim como sua importação para usos comerciais ou turísticos. Essa prática é conhecida desde o Império Romano, com resquícios de camelos, tanto dromedários, como bactrianos, sendo encontrados desde o século I até o século V em diversos locais das Europa: Reino Unido, Bélgica, Suíça, Hungria, França e Alemanha.
Austrália
Atualmente existe uma substancial população feral de camelos dromedários estimados em até 1 milhão nas regiões centrais da Austrália, descendentes de indivíduos introduzidos como um meio de transporte no século XIX e início do século XX. Essa população está crescendo em cerca de 8% ao ano. Na Austrália, em 2020, mais de 10 000 camelos selvagens serão mortos por atiradores profissionais porque bebem muita água, um bem necessário num momento em que o país está a ser devastado por incêndios, em parte porque os camelos usam muito dos limitados recursos necessários para os criadores de ovinos.
Estados Unidos
Uma pequena população introduzida de camelos, dromedários e bactrianos, sobreviveu no sudoeste dos Estados Unidos até a segunda metade do século XX. Estes animais, importados da Turquia, fizeram parte do experimento do U.S. Camel Corps e usados como animais de tração em minas e fugiram ou foram libertados depois que o projeto foi encerrado. Vinte e três camelos bactrianos foram levados para o Canadá durante a Febre do ouro de Cariboo.
Brasil
No Nordeste brasileiro, o animal resistente à escassez de água e comida poderia ser boa pedida para tração e carga, então o imperador D. Pedro II decidiu apostar na experiência da Comissão do Ceará, organizada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e trazer camelos para o Brasil. Em julho de 1859, desembarcaram no Brasil 14 camelos vindos da Argélia. Porém, o pequeno rebanho padeceu com a falta de criadores especializados. A longa gestação das fêmeas, que dura cerca de um ano, ultrapassava os prazos pretendidos para a formação de criações maiores, que acabaram cessando. Aos animais que conseguiram se aclimatar, foi reservado o inusitado papel de atração turística.
Os camelos não armazenam água em suas corcovas como comumente se acredita. As corcovas são realmente um reservatório de tecido adiposo. Concentrando-se a gordura corporal em suas corcovas minimizam o calor isolando todo o resto do seu corpo, que é uma das adaptações para viver em climas quentes. Quando este tecido é metabolizado, ele age como uma fonte de energia, e produz mais de 1 g de água para cada 1 g de gordura convertido por reação com o oxigênio do ar. Este processo de metabolização de gordura gera uma perda líquida de água através da respiração para o oxigênio necessário para converter a gordura. Os rins e intestinos do camelo são muito eficientes na retenção de água. Sua urina sai em forma de um espesso xarope e suas fezes são tão secas que podem ser utilizadas para fazer fogo. A água é acumulada em sua corrente sanguínea, onde seus glóbulos vermelhos podem aumentar em até duzentos e cinquenta por cento seu volume para acumulá-la. Outras adaptações à vida no deserto incluem: uma pelagem esparsa e suave que permite refrigeração, variando do branco-sujo ao bege-claro ou castanho-escuro; suas patas, que têm base larga, com uma área que impede que se enterrem na areia; além de longos cílios que protegem os olhos do animal durante tempestades de areia.
Por volta de 1200 a.C. foram inventadas as primeiras selas de camelo, que possibilitaram a montaria de camelos bactrianos. As primeiras selas árabes eram usadas na traseira do camelo, sendo o controle do camelo bactriano era feito através de uma vara. Porém, foi somente por volta de 500-100 a.C. que os camelos bactrianos foram utilizados militarmente, com selas colocadas sobre as corcovas e construídas de maneira rígida e curvada, distribuíam o peso igualmente entre as corcovas, No século VII a.C. surgiu a sela militar árabe, que melhorou o projeto das selas. No Império Romano, existiram os Dromedarii, parte das tropas auxiliares romanas, recrutadas nas províncias desérticas. Os camelos eram utilizados em combate, principalmente por sua capacidade de assustarem os cavalos, quando em combate próximo, uma qualidade utilizada pelos persas nas guerra do Império Aquemênida contra o Reino da Lídia. A cavalaria de camelos foi utilizada em guerras na África, Oriente Médio, sendo inclusive utilizadas atualmente pelas Forças de Segurança de Fronteira da Índia. Os exércitos também utilizaram camelos como animais de carga, em substituição a cavalos e mulas.
Séculos XIX e XX
O Exército dos Estados Unidos criou o U.S. Camel Corps, baseado na Califórnia no século XIX. Durante a Guerra Civil Americana, camelos foram utilizados experimentalmente, mas sem muito sucesso, por causa de sua impopularidade entre as tropas. Alguns camelos escaparam para as planícies áridas americanas, criando bandos que existiram até o começo do século XX. A França criou um corpo de camelos méhariste, parte da Armée d'Afrique, no Saara, em 1902, substituindo unidades regulares de sipahis e atiradores argelinos, utilizados anteriormente para patrulhar as fronteiras. Estas unidades de camelo montadas permaneceram em serviço até 1962, quando as tropas locais foram dispensadas e os franceses transferidos para outras unidades.
Distingue-se do camelo bactriano, nativo da Ásia Central, pela presença de apenas uma bossa, contra duas do último, sendo nativo da região nordeste da África e da parte ocidental da Ásia. A partir da metade do século XIX vários exemplares foram introduzidos em outros países, como Estados Unidos, Espanha e Austrália. É um animal muito resistente tanto à temperaturas, quanto a distâncias percorridas, pode trotar durante 16 horas a fio, percorrendo assim, até 140 km por dia. Se bem preparado, suporta muito bem a fadiga e pode manter essa cadência durante 3 ou 4 dias consecutivos percorrendo assim, mais de 500 km. Chega a atingir 2,3 metros de altura e pesar entre 300 e 690 quilos e consegue beber até 57 litros de água de uma só vez. Possui uma musculatura nas narinas que possibilita seu fechamento, protegendo-o das tempestades de areia do deserto e uma boca estreita com uma fissura no lábio superior. Chega a viver cerca de 50 anos.
O camelo-bactriano mede cerca de 3 metros de comprimento, com mais uns 50 centímetros de cauda; sua altura, no garrote, raramente vai além de 2 metros; pesa entre 450 e 690 quilos. Possui cerca de 1,4 milhões de indivíduos, a maioria domesticado. Há cerca de 1 000 camelos selvagens no Deserto de Gobi e pequenos grupos no Irã, Afeganistão, Turquia e Rússia. O camelo bactriano é bem mais dócil e calmo que o dromedário, sem oferecer resistência, deixa-se apanhar e arrear, abaixar-se sem protestar e pára sozinho se a carga que leva no dorso ameaça cair. Por outro lado até uma lebre basta para apavorá-lo a ponto de fugir, no que é imitado por seus companheiros. O camelo bactriano são usados para obter leite, carne e como animais de carga, o bactriano apresenta duas corcovas e é considerado mais comum para ser encontrado. É muito parecido com a outra espécie da família Camelidae que se pode encontrar atualmente no Velho Mundo, o camelo-árabe ou dromedário (Camelus dromedarius). O camelo-bactriano distingue-se do dromedário pelo seu tamanho maior e pela presença de duas bossas. Pensa-se que este último poderá ser um descendente do camelo-bactriano.
Além do número de corcovas e a localização geográfica, existem outras diferenças relevantes entre o camelo e dromedário:
Islão
Para os muçulmanos a carne de camelo é halal, no entanto, de acordo com algumas escolas islâmicas de pensamento, um estado de impureza é trazido pelo consumo do mesmo. Consequentemente, os muçulmanos devem realizar wudhu antes de orar. De acordo com hádices coletados por Albucari e Muslim ibne Alhajaje, Maomé ordenou que as pessoas bebessem leite de camelo e urina como um medicamento.
Judaísmo e Igreja Adventista do sétimo Dia
Para o povo judeu e para os Adventistas do Sétimo Dia, a carne de camelo e leite não são kosher. Os camelos possuem apenas um dos dois critérios Kosher, embora eles mastigam sua ruminação, eles não possuem cascos fendidos.


