Campanha parta de Marco Antônio
Campanha parta de Marco Antônio ou Guerra romano-parta de 40-33 a.C. foi um grande conflito entre a República Romana, representada no oriente pelo triúnviro Marco Antônio, e o Império Parta. Embora a campanha tenha terminado numa desastrosa derrota para Antônio, a guerra transformou-se num empate estratégico depois da negociação de Otaviano.
Júlio César, depois de ter assegurado a vitória em sua guerra civil, planejou uma campanha contra o Império Parta em 44 a.C. para se vingar de uma derrota anterior de uma força liderada por Marco Licínio Crasso na Batalha de Carras (53 a.C.). O plano de César era, depois de uma rápida pacificação da Dácia, continuar avançando para o oriente invadindo o território parta. Depois de seu assassinato, o Segundo Triunvirato, composto por Marco Antônio, Marco Lépido e Otaviano (o futuro imperador Augusto) foi formado. Depois da derrota dos assassinos de César na Batalha de Filipos, o comando cesariano sobre a República foi assegurado. Logo depois, porém, os triúnviros se ocuparam da revolta na Sicília liderada por Sexto Pompeu, o que permitiu que os partas atacassem a Síria romana e o reino cliente da Judeia. O sumo-sacerdote e marionete romana, Hircano II, foi derrubado e enviado como prisioneiro a Selêucia depois que o pró-parta Antîgono II Matatias foi instalado em seu lugar. Antígono era o último filho do antigo rei Aristóbulo II, que havia sido deposto pelos romanos, que colocaram em seu lugar o sumo-sacerdote (e não um "rei") em 63 a.C. Depois de capturarem Hircano II, Antígono arrancou-lhe as orelhas para impedir que ele se qualificasse novamente ao posto de sumo-sacerdote.
Com a ajuda de Marco Antônio, triúnviro e amante da rainha ptolemaica do Egito, Cleópatra VII, o genro de Hircano, Herodes, o Grande, retornou para Judeia e retomou Jerusalém em 37 a.C. Antônio em seguida atacou o próprio Império Parta, marchando contra Atropatene (a moderna região do Azerbaijão iraniano) com cerca de 100 000 legionários, apoiados por reis clientes romanos na Armênia, Galácia, Capadócia e o Ponto. A campanha em si foi um desastre, principalmente depois da derrota em Fraaspa, a capital de Atropatene, na qual milhares de romanos e auxiliares foram mortos durante a retirada por causa do inclemente inverno. Antônio perdeu mais de um quarto de sua força nesta campanha.
Mais uma vez com dinheiro egípcio, Antônio invadiu a Armênia, desta vez com sucesso. Para celebrar, um falso triunfo romano foi realizado nas ruas de Alexandria. A parada através da cidade foi um pastiche das mais importantes celebrações militares romanas. Em seu grandioso final, a cidade toda foi convocada para ouvir uma declaração política. Em 34 a.C., Antônio, apoiado por Cleópatra e o seu herdeiro, rompeu com Otaviano, o herdeiro de César. Antônio anexou a Armênia temendo uma retaliação parta, mas a guerra só terminou formalmente em 20 a.C, uma paz firmada por Augusto que assegurou o retorno das recém-capturadas águias legionárias de Crasso e dos exércitos de Saxa, a principal justificativa Antônio para a invasão.
Marco Antônio deixou a Armênia ocupada em 34 a.C. e retornou a Alexandria levando consigo o rico butim amealhado em sua rápida campanha e também o rei Artavasdes com sua família. Em paralelo, continuou negociando com Artavasdes I da Média para consolidar sua colaboração numa futura campanha contra os partas através de um acordo matrimonial. Antônio prometeu em casamento o seu filho com Cleópatra, Alexandre Hélio, para a filha de Artavasdes, Jotapa. De volta em Alexandria, Marco Antônio se ligou definitivamente e irremediavelmente a Cleópatra: ele celebrou seu triunfo sobre os armênios em Alexandria com uma espetacular coreografia oriental. Contudo, muito mais grave, no outono de 34 a.C., numa luxuosa cerimônia, Marco Antônio oficializou as famosas "Doações de Alexandria", através das quais, além de proclamar Cleópatra "rainha dos reis" e Cesarião "filho e herdeiro legítimo de Júlio César", agraciou o Egito com os territórios de Chipre e da Celessíria; além disto, ele reorganizou, em tese, a administração dos territórios orientais de Roma doando-os de forma programada para os três filhos pequenos que ele tinha com Cleópatra.


