Salomão (general)
Salomão foi um general bizantino do norte da Mesopotâmia, que distinguiu-se como comandante na Guerra Vândala e na reconquista do Norte da África em 533–534. Passou mais de uma década na África como governador-geral, combinando o posto militar de mestre dos soldados com a posição civil de prefeito pretoriano. Enfrentou com sucesso uma grande rebelião moura, mas foi forçado a fugir após um motim do exército na primavera de 536. Seu segundo mandato na África começou em 539 e foi marcado por vitórias sobre os mouros, que permitiram a consolidação da posição bizantina. Se seguiram alguns anos de prosperidade, mas foram interrompidos com a ocorrência de outra revolta moura e a derrota e morte de Salomão na Batalha de Cílio em 544.
Salomão nasceu provavelmente c. 480/90, na fortaleza de Idrífto (Idriphthon) no distrito de Solacão, próximo de Dara na província da Mesopotâmia. Era eunuco como resultado de um acidente durante sua infância, não havendo castração deliberada. Salomão tinha um irmão, Baco, que tornou-se padre. Baco era pai de três filhos (Ciro, Sérgio e Salomão), que mais tarde tornaram-se oficiais militares na África sob o tio deles; Sérgio também sucedeu Salomão como governador da África após sua morte. Pouco se sabe sobre o começo de sua carreira, exceto que serviu sob o duque da Mesopotâmia Felicíssimo, talvez logo desde a nomeação deste último como duque em 505/6. Em todo o caso, em 507, quando foi posto ao serviço do general Belisário, era considerado um oficial experiente. Foi talvez neste momento que foi nomeado doméstico de Belisário, ou chefe-do-bastão, o posto com que é mencionado pelo historiador Procópio de Cesareia em 533, antes do início da campanha contra o Reino Vândalo no Norte da África.
Primeiro mandato na África
Antes da expedição partir de Constantinopla, foi nomeado como um dos nove comandantes dos regimentos federados.[a] Não é mencionado na narrativa de Procópio durante a campanha subsequente, mas provavelmente participou na decisiva Batalha de Cartago em 13 de setembro de 533, que abriu o caminho à capital vândala de Cartago. Após a captura da cidade, Belisário enviou-o para Constantinopla para informar o imperador Justiniano I (r. 527–565) sobre o progresso da campanha. Permaneceu na capital até a primavera de 534, quando Justiniano enviou-o à África para chamar Belisário e substituí-lo como comandante militar da nova prefeitura pretoriana da África (o mestre dos soldados da África). A partida de Belisário coincidiu com o levante das tribos mouras do interior, antes dos bizantinos terem tempo para fortalecer o domínio deles. Devido a isso, Belisário deixou na África a maior parte de seus bucelários e o imperador enviou reforços adicionais. Pouco tempo depois (em algum momento no outono de 534), Justiniano também investiu Salomão com o posto civil de prefeito pretoriano, substituindo o idoso Arquelau.
Segundo mandato na África
Germano conseguiu ganhar a confiança de muitos soldados, restabelecendo a disciplina e derrotando os amotinados na Batalha das Escadas Ancestrais (Escalas Veteres) em 537. Com o restauro do controle imperial sobre o exército, Salomão foi enviado à África em 539 para substituir Germano, novamente investido com os postos de mestre dos soldados e prefeito pretoriano (entretanto, tinha também sido elevado ao posto de patrício e nomeado cônsul honorário). Salomão reforçou ainda mais seu controle sobre o exército se desembaraçando de soldados em que não confiava, enviando-os para Belisário na península Itálica e para Oriente; expulsando os vândalos restantes da província; e iniciando um programa massivo de fortificação em toda a região.


