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Oceano Atlântico

Oceano Atlântico é o segundo maior dos cinco oceanos do mundo, com uma área de cerca de 85 133 000 km². Cobre aproximadamente 17% da superfície da Terra e cerca de 24% da área de sua superfície aquática. Durante a Era dos Descobrimentos, ficou conhecido por separar o Novo Mundo das Américas do Velho Mundo da Eurafrásia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/10/2026
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Nomes

As menções mais antigas conhecidas a um mar "Atlântico" provêm de Estesícoro, por volta de meados do século VI a.C. (Sch. A. R. 1. 211): Atlantikôi pelágei (em grego clássico: Ἀτλαντικῷ πελάγει, "o mar Atlântico", etimo "Mar de Atlas") e de Histórias, de Heródoto, por volta de 450 a.C. (Hdt. 1.202.4): Atlantis thalassa (em grego clássico: Ἀτλαντὶς θάλασσα, "Mar de Atlas" ou "o mar Atlântico"), em que o nome se refere ao "mar além das Colunas de Hércules" (o estreito de Gibraltar), para além da cordilheira do Atlas, em Marrocos, e ao largo da costa da África Ocidental. Nessas utilizações, o nome refere-se a Atlas, o titã da mitologia grega, que sustentava os céus e que mais tarde apareceria como frontispício em mapas medievais e atlas. Os primeiros navegadores gregos acreditavam que o Atlântico fazia parte do Oceano, o grande mar ou rio que circundava todas as terras, mencionado na literatura mitológica da Grécia Antiga, como a Ilíada e a Odisseia. Isso contrastava com os mares fechados bem conhecidos pelos gregos, o Mediterrâneo e o mar Negro. Acreditava-se que o grande oceano se estendia ao redor da África, o que deu origem ao termo oceano Etíope, derivado da Etiópia antiga, aplicado ao Atlântico Sul até meados do século XIX.

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Extensão e dados

A Organização Hidrográfica Internacional (OHI) definiu os limites dos oceanos e mares em 1953, mas algumas dessas definições foram revistas desde então e algumas não são reconhecidas por diversas autoridades, instituições e países, como o The World Factbook, por exemplo. Consequentemente, a extensão e o número de oceanos e mares variam. O oceano Atlântico é limitado a oeste pelas Américas do Norte e do Sul. Liga-se ao oceano Ártico por meio do mar do Labrador, do estreito da Dinamarca, do mar da Gronelândia, do mar da Noruega e do mar de Barents, com a divisão setentrional passando pela Islândia e por Svalbard. A leste, os limites do oceano propriamente dito são a Europa e a África: o estreito de Gibraltar, onde se conecta ao mar Mediterrâneo — um de seus mares marginais — e, por sua vez, ao mar Negro, ambos também em contato com a Ásia. No sudeste, o Atlântico funde-se com o oceano Índico. O meridiano 20° E, que segue para o sul do cabo das Agulhas até a Antártida, define sua fronteira. Na definição de 1953, estende-se ao sul até a Antártida, enquanto em mapas posteriores é limitado pelo oceano Antártico no paralelo 60° S.

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Batimetria

A batimetria do Atlântico é dominada por uma cordilheira submarina denominada Dorsal Mesoatlântica (DMA). Ela se estende de 87° N, ou 300 km ao sul do Polo Norte, até a subantártica ilha Bouvet, a 54° S. Entre as expedições de exploração da batimetria do Atlântico estão a expedição Challenger e a expedição alemã do Meteor; desde 2001, o Observatório da Terra Lamont–Doherty, da Universidade Columbia, e o Escritório Hidrográfico dos Estados Unidos realizam pesquisas no oceano.

Dorsal Mesoatlântica

A DMA divide longitudinalmente o Atlântico em duas metades, em cada uma das quais uma série de bacias é delimitada por dorsais secundárias transversais. A DMA eleva-se mais de 2 000 m ao longo da maior parte de sua extensão, mas é interrompida por falhas transformantes maiores em dois pontos: a fossa Romanche, perto do equador, e a zona de fratura Charlie-Gibbs, a 53° N. A DMA constitui uma barreira para as águas de fundo, mas nessas duas falhas transformantes as correntes de águas profundas podem passar de um lado para o outro. A DMA eleva-se 2–3 km acima do fundo oceânico circundante, e seu vale de rifte é o limite divergente entre as placas norte-americana e eurasiática no Atlântico Norte e as placas sul-americana e africana no Atlântico Sul. A DMA produz vulcões basálticos em Eyjafjallajökull, na Islândia, e lavas em almofada no fundo oceânico. A profundidade da água no topo da dorsal é inferior a 2 700 m na maioria dos locais, enquanto o fundo da dorsal é três vezes mais profundo.

Fundo oceânico

As plataformas continentais do Atlântico são largas ao largo da Terra Nova, do extremo sul da América do Sul e do nordeste da Europa. No Atlântico ocidental, plataformas carbonatadas dominam grandes áreas, como o planalto Blake e a elevação Bermuda. O Atlântico é circundado por margens passivas, exceto em alguns locais onde margens ativas formam profundas fossas oceânicas: a fossa de Porto Rico (profundidade máxima de 8 376 m) no Atlântico ocidental e a fossa Sandwich do Sul (8 264 m) no Atlântico Sul. Há numerosos cânions submarinos ao largo do nordeste da América do Norte, da Europa ocidental e do noroeste da África. Alguns desses cânions prolongam-se pelas elevações continentais e avançam pelas planícies abissais como canais de águas profundas.

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Características da água

As temperaturas das águas superficiais, que variam com a latitude, os sistemas de correntes e a estação e refletem a distribuição latitudinal da energia solar, vão de menos de −2 °C a mais de 30 °C. As temperaturas máximas ocorrem ao norte do equador e os valores mínimos nas regiões polares. Nas latitudes médias, área de maior variação de temperatura, os valores podem variar em 7–8 °C. De outubro a junho, a superfície costuma ficar coberta por gelo marinho no mar do Labrador, no estreito da Dinamarca e no mar Báltico.[não consta na fonte citada] A força de Coriolis faz a água do Atlântico Norte circular no sentido horário, enquanto a do Atlântico Sul circula no sentido anti-horário. As marés meridionais do oceano Atlântico são semidiurnas; isto é, ocorrem duas marés altas a cada 24 horas lunares. Em latitudes acima de 40° N ocorre certa oscilação leste-oeste, conhecida como Oscilação do Atlântico Norte.

Salinidade

Em média, o Atlântico é o grande oceano mais salgado; a salinidade da água superficial em mar aberto varia de 33 a 37 partes por mil (3,3–3,7%) em massa e muda conforme a latitude e a estação. Evaporação, precipitação, aporte fluvial e derretimento da banquisa influenciam os valores da salinidade superficial. Embora os menores valores ocorram pouco ao norte do equador, devido às fortes chuvas tropicais, em geral os valores mais baixos estão nas altas latitudes e ao longo das costas onde desembocam grandes rios. Os valores máximos ocorrem por volta de 25° N e 25° S, nas regiões subtropicais, de baixa precipitação e alta evaporação. A elevada salinidade superficial do Atlântico, da qual depende a circulação termoalina atlântica, é mantida por dois processos. O vazamento e os anéis da Corrente das Agulhas trazem águas salgadas do oceano Índico para o Atlântico Sul, enquanto a "ponte atmosférica" evapora água subtropical do Atlântico e a exporta para o Pacífico.

Massas de água

O oceano Atlântico é composto por quatro grandes massas de água superiores, com temperaturas e salinidades distintas. A Água Superior Subártica do Atlântico, no extremo norte do Atlântico Norte, é a fonte da água intermediária subártica e da água intermediária do Atlântico Norte. A Água Central do Atlântico Norte pode ser dividida em oriental e ocidental, pois a porção ocidental é fortemente influenciada pela Corrente do Golfo e, portanto, sua camada superior se aproxima mais da água intermediária subpolar subjacente e menos salina. A água oriental é mais salgada devido à proximidade com a água mediterrânica. A Água Central do Atlântico Norte flui para a Água Central do Atlântico Sul a 15° N.

Giros

O giro do Atlântico Norte, de águas quentes, ocupa o Atlântico Norte e circula no sentido horário; o giro do Atlântico Sul, também de águas quentes, aparece no Atlântico Sul e circula no sentido anti-horário. No Atlântico Norte, a circulação superficial é dominada por três correntes interligadas: a Corrente do Golfo, que flui para nordeste a partir da costa norte-americana no cabo Hatteras; a Corrente Norte-Atlântica, ramo da Corrente do Golfo que flui para norte a partir dos Grandes Bancos; e a Frente Subpolar, extensão da Corrente Norte-Atlântica e região ampla e pouco definida que separa o giro subtropical do giro subpolar. Esse sistema de correntes transporta água quente para o Atlântico Norte; sem ele, as temperaturas do Atlântico Norte e da Europa cairiam drasticamente.

Mar dos Sargaços

O mar dos Sargaços, no oeste do Atlântico Norte, pode ser definido como a área onde flutuam duas espécies de Sargassum (S. fluitans e S. natans), uma região com 4 000 km de largura circundada pela Corrente do Golfo, pela Corrente Norte-Atlântica e pela Corrente Equatorial Norte. Essa população de algas provavelmente se originou de ancestrais do Terciário nas costas europeias do antigo mar de Tétis e, se assim foi, manteve-se por reprodução vegetativa, flutuando no oceano durante milhões de anos. Outras espécies endêmicas do mar dos Sargaços incluem o peixe-doutor, um predador com apêndices semelhantes a algas que permanece imóvel entre os Sargassum. Fósseis de peixes semelhantes foram encontrados em baías fósseis do antigo mar de Tétis, na atual região dos Cárpatos, ambientes semelhantes ao mar dos Sargaços. É possível que a população do mar dos Sargaços tenha migrado para o Atlântico quando Tétis se fechou no fim do Mioceno, há cerca de 17 Ma. A origem da fauna e da flora do mar dos Sargaços permaneceu enigmática durante séculos. Fósseis encontrados nos Cárpatos em meados do século XX, frequentemente chamados de "associação quase-Sargaços", mostraram por fim que essa associação se originou na bacia da Panónia, de onde migrou pela Sicília até o Atlântico central, onde evoluiu para as espécies modernas do mar dos Sargaços.

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Clima

O clima é influenciado pelas temperaturas das águas superficiais e pelas correntes oceânicas, bem como pelos ventos. Devido à grande capacidade do oceano de armazenar e liberar calor, os climas marítimos são mais moderados e apresentam variações sazonais menos extremas do que os climas continentais. A precipitação pode ser estimada a partir de dados meteorológicos costeiros e a temperatura do ar, a partir das temperaturas da água. Os oceanos são a principal fonte de umidade atmosférica obtida por evaporação. As zonas climáticas variam conforme a latitude; as zonas mais quentes estendem-se pelo Atlântico ao norte do equador. As zonas mais frias ficam em altas latitudes, e as regiões de menor temperatura correspondem às áreas cobertas por gelo marinho. As correntes oceânicas influenciam o clima ao transportar águas quentes e frias para outras regiões. Os ventos que se resfriam ou aquecem ao passar sobre essas correntes influenciam as áreas terrestres adjacentes.

Riscos naturais

A cada inverno, a depressão da Islândia produz tempestades frequentes. Icebergs são comuns do início de fevereiro ao fim de julho nas rotas de navegação próximas aos Grandes Bancos da Terra Nova. A temporada de gelo é mais longa nas regiões polares, mas há pouca navegação nessas áreas. Furacões constituem um risco nas partes ocidentais do Atlântico Norte durante o verão e o outono. Devido a um cisalhamento do vento persistentemente forte e a uma fraca Zona de Convergência Intertropical, os ciclones tropicais do Atlântico Sul são raros.

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Geologia e tectônica de placas

O oceano Atlântico assenta principalmente sobre crosta oceânica máfica densa, composta de basalto e gabro, recoberta por argila fina, silte e vasa silicosa na planície abissal. As margens e a plataforma continentais são constituídas por rocha continental félsica de menor densidade, porém de maior espessura, que muitas vezes é muito mais antiga do que a do fundo oceânico. A crosta oceânica mais antiga do Atlântico tem até 145 milhões de anos e situa-se ao largo da costa ocidental da África e da costa oriental da América do Norte, ou em ambos os lados do Atlântico Sul. Em muitos locais, a plataforma e o talude continentais são cobertos por espessas camadas sedimentares. Por exemplo, no lado norte-americano do oceano, grandes depósitos de carbonato formaram-se em águas rasas e quentes, como as da Flórida e das Bahamas, enquanto areias grossas e siltes de descarga fluvial são comuns em áreas rasas da plataforma, como o banco Georges. Areia grossa, matacões e rochas foram transportados para algumas áreas, como ao largo da costa da Nova Escócia ou do golfo do Maine, durante as eras glaciais do Pleistoceno.

Atlântico Central

A fragmentação da Pangeia começou no Atlântico Central, entre a América do Norte e o noroeste da África, onde bacias de rifte se abriram durante o Triássico Superior e o Jurássico Inferior. Esse período também testemunhou as primeiras etapas do soerguimento da cordilheira do Atlas. A cronologia exata é controversa, com estimativas entre 200 e 170 Ma. A abertura do oceano Atlântico coincidiu com o início da fragmentação do supercontinente Pangeia, e ambos os processos foram iniciados pela erupção da Província Magmática do Atlântico Central (CAMP), uma das maiores e mais volumosas grandes províncias ígneas da história da Terra, associada à extinção do Triássico-Jurássico, um dos principais eventos de extinção do planeta. Diques toleíticos, soleiras e fluxos de lava da erupção da CAMP, ocorrida há 200 Ma, foram encontrados na África Ocidental, no leste da América do Norte e no norte da América do Sul. A extensão do vulcanismo foi estimada em 4 500 000 km², dos quais 2 500 000 km² cobriam o que hoje é o norte e o centro do Brasil.

Atlântico Norte

Geologicamente, o Atlântico Norte é a área limitada ao sul por duas margens conjugadas, Terra Nova e Ibéria, e ao norte pela bacia da Eurásia ártica. A abertura do Atlântico Norte acompanhou de perto as margens de seu predecessor, o oceano de Jápeto, e propagou-se a partir do Atlântico Central em seis etapas: Ibéria–Terra Nova, Porcupine–América do Norte, Eurásia–Gronelândia e Eurásia–América do Norte. Sistemas ativos e inativos de expansão nessa região são marcados pela interação com o ponto quente da Islândia. A expansão do fundo oceânico levou ao alongamento da crosta e à formação de fossas e bacias sedimentares. A fossa Rockall abriu-se entre 105 e 84 milhões de anos atrás, embora o rifte tenha fracassado, assim como outro que conduzia ao golfo da Biscaia.

Atlântico Sul

A Gondwana Ocidental (América do Sul e África) fragmentou-se no Cretáceo Inferior, formando o Atlântico Sul. O aparente encaixe entre as linhas costeiras dos dois continentes foi observado nos primeiros mapas que incluíam o Atlântico Sul e também foi objeto das primeiras reconstruções de tectônica de placas auxiliadas por computador, em 1965. Esse notável encaixe, porém, mostrou-se problemático desde então, e reconstruções posteriores introduziram diversas zonas de deformação ao longo das costas para acomodar a fragmentação que se propagava para o norte. Riftes e deformações intracontinentais também foram introduzidos para subdividir as duas placas continentais em subplacas.

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Futuro do Atlântico

Fechamento do Atlântico

Uma margem de subducção embrionária pode estar se desenvolvendo a oeste de Gibraltar. O Arco de Gibraltar, no Mediterrâneo ocidental, está migrando para oeste em direção ao Atlântico Central, onde encontra as placas africana e eurasiática em convergência. Juntas, essas três forças tectônicas estão desenvolvendo lentamente um novo sistema de subducção na bacia oriental do Atlântico. Enquanto isso, o arco de Scotia e a placa do Caribe, na bacia ocidental do Atlântico, são sistemas de subducção que se propagam para leste e que, juntamente com o sistema de Gibraltar, podem representar o início do fechamento do oceano Atlântico e a etapa final do ciclo de Wilson atlântico.

Fechamento do Pacífico

Outras teorias propõem que o Atlântico continuará a se alargar enquanto o oceano Pacífico se fechará primeiro. Isso criaria o futuro supercontinente Amásia. Segundo essa teoria, ao longo dos próximos 200 a 300 milhões de anos, a subducção dominante no Pacífico fechará o oceano enquanto o Atlântico continuará a se expandir. Novopangaea é outro supercontinente hipotético que se formaria com o fechamento do oceano Pacífico, enquanto Aurica é um supercontinente hipotético resultante do fechamento dos oceanos Atlântico e Pacífico.

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História

Velho Mundo

Estudos de DNA mitocondrial (mtDNA) indicam que, entre 80 mil e 60 mil anos atrás, uma grande expansão demográfica dentro da África, derivada de uma única população pequena, coincidiu com o surgimento de maior complexidade comportamental e com rápidas mudanças ambientais dos estágios isotópicos marinhos 5–4. Esse grupo não apenas se expandiu por toda a África, como também começou a se dispersar para fora da África em direção à Ásia, Europa e Australásia por volta de 65 mil anos atrás, substituindo rapidamente os humanos arcaicos nessas regiões. Durante o Último Máximo Glacial (LGM), há 20 mil anos, os seres humanos tiveram de abandonar seus assentamentos iniciais ao longo da costa europeia do Atlântico Norte e recuar para o Mediterrâneo. Após rápidas mudanças climáticas no fim do LGM, essa região foi repovoada pela cultura Magdaleniana. Outros grupos de caçadores-coletores chegaram em ondas interrompidas por riscos como a erupção vulcânica do lago Laacher, a inundação de Doggerland — atualmente o mar do Norte — e a formação do mar Báltico. As costas europeias do Atlântico Norte passaram a ser ocupadas permanentemente há cerca de 9 mil a 8,5 mil anos.

Novo Mundo

Durante o LGM, o manto de gelo Laurentide cobria a maior parte do norte da América do Norte, enquanto a Beríngia ligava a Sibéria ao Alasca. Em 1973, o geocientista norte-americano Paul S. Martin propôs uma colonização das Américas em forma de "blitzkrieg", segundo a qual caçadores da cultura Clóvis teriam migrado para a América do Norte há cerca de 13 mil anos em uma única onda através de um corredor sem gelo no manto e "se espalhado explosivamente para o sul, atingindo brevemente densidade suficiente para exterminar grande parte de suas presas". Posteriormente, outros propuseram uma migração em "três ondas" pela Beríngia. Essas hipóteses permaneceram por muito tempo como a visão predominante sobre o povoamento das Américas, mas foram contestadas por descobertas arqueológicas mais recentes: os sítios arqueológicos mais antigos das Américas foram encontrados na América do Sul; sítios no nordeste da Sibéria indicam praticamente nenhuma presença humana ali durante o LGM; e a maioria dos artefatos Clóvis foi encontrada no leste da América do Norte, ao longo da costa atlântica. Além disso, modelos de colonização baseados, respectivamente, em dados de mtDNA, cromossomo Y e autossomos não sustentam nem a hipótese do "blitzkrieg" nem a das "três ondas", além de produzirem resultados mutuamente ambíguos. Dados contraditórios da arqueologia e da genética provavelmente levarão a hipóteses futuras que acabarão por se confirmar mutuamente. Uma rota proposta através do Pacífico até a América do Sul poderia explicar descobertas sul-americanas antigas, enquanto outra hipótese propõe um caminho setentrional pelo Ártico canadense e ao longo da costa atlântica da América do Norte. Assentamentos antigos através do Atlântico foram sugeridos por teorias alternativas, que variam de puramente hipotéticas a amplamente contestadas, incluindo a hipótese solutreana e algumas das teorias de contatos transoceânicos pré-colombianos.

Mundo atlântico

Cristóvão Colombo chegou às Américas em 1492, navegando sob a bandeira espanhola. Seis anos depois, Vasco da Gama alcançou a Índia sob a bandeira portuguesa, navegando para sul ao redor do cabo da Boa Esperança e demonstrando, assim, que os oceanos Atlântico e Índico estão conectados. Em 1500, durante sua viagem à Índia seguindo a rota de Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, levado pelas correntes do giro do Atlântico Sul. Após essas explorações, Espanha e Portugal rapidamente conquistaram e colonizaram grandes territórios no Novo Mundo e forçaram a população ameríndia à escravidão para explorar as vastas quantidades de prata e ouro encontradas. Espanha e Portugal monopolizaram esse comércio para manter outras nações europeias afastadas, mas interesses conflitantes ainda assim levaram a uma série de guerras luso-espanholas. Um tratado de paz mediado pelo papa dividiu os territórios conquistados em setores espanhol e português, mantendo outras potências coloniais de fora. Inglaterra, França e República Holandesa observaram com inveja o crescimento da riqueza espanhola e portuguesa e aliaram-se a piratas como Henry Mainwaring e Alexandre Olivier Exquemelin. Eles podiam atacar os comboios que deixavam as Américas porque os ventos predominantes e as correntes tornavam o transporte de metais pesados lento e previsível.

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Economia

O Atlântico contribuiu significativamente para o desenvolvimento e a economia dos países ao seu redor. Além das grandes rotas transatlânticas de transporte e comunicação, o Atlântico possui abundantes depósitos de petróleo nas rochas sedimentares das plataformas continentais. O Atlântico abriga campos de petróleo e gás, peixes, mamíferos marinhos (focas e cetáceos), agregados de areia e cascalho, depósitos de plácer, nódulos polimetálicos e pedras preciosas. Existem depósitos de ouro a cerca de 1,6 a 3,2 km de profundidade no fundo oceânico, mas eles também estão encerrados em rocha que precisa ser minerada. Atualmente, não há maneira economicamente viável de minerar ou extrair ouro do oceano com lucro. Diversos tratados internacionais procuram reduzir a poluição causada por ameaças ambientais como derramamentos de petróleo, detritos marinhos e a incineração de resíduos tóxicos no mar.

Pesca

As plataformas do Atlântico abrigam alguns dos recursos pesqueiros mais ricos do mundo. As áreas mais produtivas incluem os Grandes Bancos da Terra Nova, a plataforma da Escócia, o banco Georges ao largo do cabo Cod, os Bancos das Bahamas, as águas ao redor da Islândia, o mar da Irlanda, a baía de Fundy, o Dogger Bank, no mar do Norte, e os bancos das Malvinas. A pesca passou por mudanças significativas desde a década de 1950, e as capturas globais podem agora ser divididas em três grupos, dos quais apenas dois são observados no Atlântico: as pescarias no Atlântico Centro-Oriental e Sudoeste oscilam em torno de um valor globalmente estável, enquanto o restante do Atlântico apresenta declínio geral após picos históricos. O terceiro grupo, de "tendência de crescimento contínuo desde 1950", ocorre apenas no oceano Índico e no Pacífico ocidental. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura dividiu o Atlântico nas seguintes grandes áreas de pesca:

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Questões ambientais

Espécies ameaçadas

Entre as espécies marinhas ameaçadas estão o peixe-boi, focas, leões-marinhos, tartarugas-marinhas e cetáceos. A pesca com redes de deriva pode matar golfinhos, albatrozes e outras aves marinhas, como petréis e alcídeos, acelerando o declínio dos estoques pesqueiros e contribuindo para disputas internacionais.

Resíduos e poluição

A poluição marinha é um termo genérico para a entrada no oceano de substâncias químicas ou partículas potencialmente perigosas. Os principais responsáveis são os rios, que transportam muitos produtos químicos de fertilizantes agrícolas, além de resíduos de animais e humanos. O excesso de substâncias que consomem oxigênio leva à hipóxia e à formação de uma zona morta. Detritos marinhos, também chamados de lixo marinho, são resíduos de origem humana que flutuam em um corpo d'água. Os detritos oceânicos tendem a se acumular no centro dos giros e nas linhas costeiras, frequentemente chegando às praias, onde são chamados de lixo costeiro. Estima-se que a Grande Porção de Lixo do Atlântico Norte tenha centenas de quilômetros de extensão.

Mudanças climáticas

A atividade de furacões no Atlântico Norte aumentou nas últimas décadas em razão da elevação da temperatura da superfície do mar (SST) nas latitudes tropicais, mudanças que podem ser atribuídas à Oscilação Multidecadal do Atlântico (AMO) natural ou às mudanças climáticas antropogênicas. Um relatório de 2005 indicou que a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC) desacelerou 30% entre 1957 e 2004. Em 2024, uma pesquisa destacou um enfraquecimento significativo da AMOC, de aproximadamente 12%, ao longo das duas décadas anteriores. Se a AMO fosse responsável pela variabilidade da SST, a AMOC teria aumentado de intensidade, o que aparentemente não ocorreu. Além disso, análises estatísticas dos ciclones tropicais anuais mostram claramente que essas mudanças não apresentam ciclicidade multidecadal. Portanto, essas alterações da SST devem ser causadas por atividades humanas.

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Fontes consultadas

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