Assembleia tribal
A Assembleia tribal ou Assembleia do povo da República Romana era uma assembleia democrática composta por todos os cidadãos romanos. Durante o período republicano, os cidadãos estavam organizados com base nas 35 tribos: as quatro "tribos urbanas" congregavam os habitantes da própria cidade de Roma enquanto os demais cidadãos estavam distribuídos nas 31 "tribos rurais". Elas se reuniam na Assembleia tribal para fins legislativos, eleitorais e judiciais. Dentro das tribos, as decisões eram sempre tomadas por maioria simples e cada tribo recebia um voto na assembleia, independente de quantos habitantes ela congregasse. Uma vez que a maioria das tribos era atingida numa determinada decisão, a votação terminava e o assunto era considerado como decidido. Quem presidia a Assembleia tribal era geralmente um cônsul ou um pretor e tinha como objetivo principal eleger outras três magistraturas: questores, edis curulares e os tribunos consulares. Além disso, competia a ela julgar os processos romanos. Porém, depois das reformas do ditador Lúcio Cornélio Sula, em 82 a.C., o poder de julgar foi atribuído a cortes especiais conhecidas como "quaestiones perpetuae", formadas por pretores.
No sistema romano de democracia direta, dois tipos primários de assembleia eram utilizados para votar assuntos legislativos, eleitorais e judiciários. O primeiro era o "comitê" ou "comissão" ("comitia", literalmente "ir junto" ou "lugar de encontro") e a Assembleia tribal era um deles. Os comitês eram compostos por "todos os cidadãos", eram utilizados para fins oficiais, como a promulgação de leis, e seus atos obrigavam a todos os membros. O segundo tipo era o "conselho" ou "concílio" ("concilium"), que era um fórum no qual "grupos específicos" de cidadãos se encontravam. Finalmente, uma "convenção" ("conventio", literalmente "juntar-se") era um fórum não-oficial de comunicação. Neles, os romanos se encontravam para assuntos não-oficiais, como, por exemplo, ouvir um discurso político. Cidadãos privados que não tinham cargos políticos só podiam discursar nas convenções, mas não em comitês e nem conselhos. Os eleitores sempre se reuniam primeiro em convenções para ouvir os debates antes de votar e, depois, seguiam para os comitês ou concílios, nos quais votavam,
As 35 tribos romanas não eram grupos étnicos ou de parentesco, mas divisões genéricas nas quais os cidadãos romanos estavam distribuídos. Quando elas foram criadas, as subdivisões eram geográficas, muito similares aos modernos distritos eleitorais. Porém, o pertencimento a uma tribo era herdado pela linhagem paterna, o que levou, gradualmente, à perda do caráter geográfico. Cada tribo tinha subdivisões internas chamadas de "vici" nas tribos urbanas e "pagi" nas rurais. Apesar de outras subdivisões também terem existido, como guildas profissionais (colégios ou "collegia"), as tribos sempre foram a unidade fundamental de organização da política romana. Cada tribo tinha seus próprios oficiais, como tesoureiros ("divisores"), registradores, responsáveis pelo censo tribal e, no final do período republicano, oficiais cuja única função era distribuir subornos. Como o pertencimento às tribos era reafirmado apenas a cada cinco anos, durante o censo, tornou-se possível a prática do gerrymandering nas tribos. Apesar da impossibilidade de retirar território de uma tribo, magistrados conhecidos como censores tinham poder para alocar novos territórios às tribos existentes como parte do censo. Desta forma, podiam atribuir estas terras de forma vantajosa a eles ou seus aliados.


