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Auspício

Um auspício na antiga Roma era um sinal dos deuses que os áugures tiravam do céu. Tomar os auspícios era necessário, sobretudo ao cruzar certos limites, para conhecer a vontade dos deuses. Não fazê-lo seria uma afronta para eles e, segundo a mentalidade dos romanos, teria causado terríveis desastres.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Descrição

Imagem: III Encontro Nacional do Germinar - 2008 · BY-NC · Openverse

Um áugure oficiava a cerimônia (conhecida como "tomar os auspícios") e lia as pautas das aves no céu. Dependendo do pássaro, os auspícios dos deuses podiam ser favoráveis ou desfavoráveis (auspiciosos ou inauspiciosos). Por vezes, subornados ou por motivos políticos, os áugures fabricariam auspícios desfavoráveis para retardar certas funções estatais como as eleições. Um dos mais famosos auspícios é o que se relaciona com a fundação de Roma. Quando os fundadores, Rômulo e Remo, chegaram ao Palatino, discutiram sobre onde queriam exatamente alçar a cidade no estratégico e facilmente fortificável Aventino. Os dois concordaram decidir a discussão pelo desejo dos deuses, provando as suas habilidades como áugures. Cada um sentou-se no chão, separados entre si e, segundo Plutarco, Remo viu seis abutres, enquanto Rômulo viu doze. Segundo Juan Bautista Carrasco, os adivinhos cingiam a sua cabeça com coroas de louro, porque esta árvore estava consagrada a Apolo, e ademais levavam um ramo do mesmo na mão, às vezes mastigavam as suas folhas, o seu alimento ordinário eram as partes principais dos animais proféticos; as cabeças dos corvos, abutres. No Pritaneu de Atenas os adivinhos eram pagos pelo tesouro público.

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Tipos de auspícios

Imagem: Arquivo Nacional do Brasil · PDM · Openverse

Os auspícios, finalmente, eram praticados no campo, e pelo qual se há indicar, observa-se que ampliados aqueles em maior escala cederam o seu nome aos augúrios ou ciência augural, isto é, auium gairilu(f)isto, pelo canto das aves ou ramos das árvores sobre as quais pousavam, incluindo além disso o seu voo, o jeito de comer e beber e o jeito de saírem da casa: esta mesma ciência compreendia em geral, não somente todos os fenômenos extraordinários observados no céu e na terra, mas também os acidentes imprevistos da vida do homem. Os Gregos e os Romanos procediam em sentido inverso no jeito de tomar os augúrios: os Gregos voltando-se para o Norte tinham o Leste à sua direita, enquanto os Romanos olhavam para Sul e deixavam o Leste à sua esquerda. Porém, o resultado era o mesmo para significar o preságio favorável ou triste: portanto o leste, prescindindo do lado que se olhava, era preságio favorável.

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Augúrios com as aves

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

As aves trazidas da ilha de Eubeia e que, pelo comum, estavam confiadas aos Pulianos encarregues da sua custódia e alimento, eram os frangos e aves sagradas que deviam servir para tirar os preságios. Estas aves eram classificadas em: O contrário devia entender-se com as que seguem: Auis altera, adversa, indicava ser necessária outra ave: a arciua (de ab arcendo), impedia a execução do projeto : as inebra e remora, atrasavam-no. Como por este e outros meios os Augures podiam obrar ao seu capricho, dizendo preságios falsos, houve ocasiões que estes foram vingados. Lúcio Papírio Cursor, cônsul em Roma em 272 a.C., foi enganado, porque lhe deram auspício favorável, mas ao perder uma batalha, após ficar a saber o engano, mandou pagar com a vida o Pullario ou encarregue das aves, manifestando aos seus soldados que os deuses o castigaram com o seu assassínio. Há notícias que P. Cláudio Pulcro, igualmente cônsul em 172 a.C., sabendo que as aves sagradas não quiseram comer, ordenou que fossem jogadas à água e disse: "Pois que bebam se não querem comer" e esta impiedade foi motivo das desgraças que depois experimentou o cônsul.

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Nomes dos augúrios

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

As complicações da ciência augural, incompreensível para o vulgo, classificava os augúrios com estes nomes. A ciência augural com a sua nova classificação, é chamada Aruspicina ou Extispicina: deriva a palavra aruspicina, de ara, "altar", e de spicere, que denota observar; bem como a de extispicina, procede de exta, ou seja, entranhas, e de inspicere, que assim mesmo significa observar, olhar, porque os Arúspices e os Extispices degolavam as vítimas sobre o altar e examinavam as suas entranhas para saber o porvir. Ovídio designa Thages por inventor desta ciência, ele ensinou aos Etruscos, escrevendo aquele, segundo parece, uma obra sobre isto, a qual depois foi explicada e comentada em 15 volumes pelo jurisconsulto Antíscio Labeão. Os arúspices, para tirar os preságios, observavam: Nas suas observações reparavam se a vítima era levada à força ao altar; se escapava da mão do condutor; se procurava evitar o golpe; se mugia ou dava pulos ao cair, ou se a sua agonia era lenta e dolorosa. Todos estes prognósticos eram sinistros, enquanto os contrários eram tidos por favoráveis.

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Fontes consultadas

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