Pesquisa · Mapa mental

Salário

O salário é a contraprestação económica, habitual e direta, devida por um empregador a um empregado em troca do trabalho por este realizado, sob subordinação e de acordo com os termos de um contrato de trabalho.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
01

Função

Imagem: Brasil de Fato · BY-NC-SA · Openverse

O salário constitui a principal forma de compensação monetária pela cedência da força de trabalho e é um elemento fundamental nas relações laborais e na estrutura económica das sociedades. O salário é normalmente pago em intervalos fixos, por exemplo, pagamentos mensais de um duodécimo do salário anual. Contrasta com o salário por peça (ou produção), equivalente ao wage dos países anglófonos, em que cada trabalho, hora ou outra unidade é paga separadamente, em vez de periodicamente. Esta distinção, no entanto, nem sempre é rígida, com muitos regimes mistos existindo (e.g., um salário base fixo complementado por comissões por unidade vendida). Do ponto de vista contabilístico e empresarial, o salário também pode ser considerado como o custo de contratação e manutenção de recursos humanos para as operações corporativas e, portanto, é referido como despesa com pessoal ou despesa salarial. Na contabilidade, os salários são registados nas contas da folha de pagamento.

02

Histórico

Primeiro salário pago

O primeiro trabalho assalariado teria exigido uma sociedade suficientemente avançada para ter um sistema de troca que permitisse a troca periódica de bens ou serviços. Alguns inferem que o primeiro salário teria sido pago numa aldeia ou cidade durante a Revolução Neolítica, algures entre 10 000 a.C. e 6000 a.C. Uma tabuinha de argila com inscrições cuneiformes datada de cerca de 3100 a.C. fornece um registo das rações diárias de cerveja para os trabalhadores na Mesopotâmia. A cerveja é representada por um jarro vertical com uma base pontiaguda. O símbolo para as rações é uma cabeça humana a comer de uma tigela. Impressões redondas e semicirculares representam as medidas.

Salarium

A palavra latina salarium ligava emprego, sal e soldados, embora a ligação exata não seja clara. Fontes modernas afirmam que, embora os soldados romanos fossem normalmente pagos em moedas, a palavra salarium deriva da palavra sal (sal), porque, em algum momento, o salário de um soldado pode ter sido um subsídio para a compra de sal ou o preço para que os soldados conquistassem os suprimentos de sal e guardassem as Estradas do Sal (Via Salaria) que levavam a Roma. No entanto, não há evidências antigas para nenhuma dessas hipóteses.

Império Romano e Europa medieval e pré-industrial

Independentemente da ligação exata, o salário pago aos soldados romanos definiu uma forma de trabalho por contrato desde então no mundo ocidental e deu origem a expressões como "valer o seu salário". Dentro do Império Romano ou (mais tarde) na Europa medieval e pré-industrial e nas suas colónias mercantis, o emprego assalariado parece ter sido relativamente raro e limitado principalmente a servos e funções de status mais elevado, especialmente no serviço público. Essas funções eram amplamente remuneradas com alojamento, alimentação e roupas de serviço (ou seja, "alimentação, vestuário e abrigo" na linguagem moderna). Muitos cortesãos, como os valets de chambre, nas cortes medievais tardias recebiam pagamentos anuais, por vezes complementados por pagamentos extra avultados, embora imprevisíveis. No outro extremo da escala social, aqueles que exerciam muitas formas de emprego ou não recebiam qualquer remuneração, como no caso da escravatura (embora muitos escravos recebessem pelo menos algum dinheiro), da servidão e da servidão por contrato, ou recebiam apenas uma fração do que era produzido, como no caso da parceria agrícola. Outros modelos alternativos comuns de trabalho incluíam o emprego autônomo ou cooperativo, como no caso dos mestres em guildas de artesãos, que muitas vezes tinham assistentes assalariados, ou o trabalho corporativo e a propriedade, como nas universidades e mosteiros medievais.

Revolução Comercial

Mesmo muitos dos empregos inicialmente criados pela Revolução Comercial nos anos de 1520 a 1650 e, posteriormente, durante a Industrialização nos séculos XVIII e XIX, não eram assalariados, mas, na medida em que eram pagos como funcionários, provavelmente recebiam um salário por hora ou por dia ou por unidade produzida (também chamado de trabalho por peça). Nas empresas da época, como as várias Companhias das Índias Orientais, muitos gestores teriam sido remunerados como proprietários-acionistas. Esse esquema de remuneração ainda é comum hoje em dia em contabilidade, investimentos e sociedades de advogados, onde os principais profissionais são sócios com participação no capital e, tecnicamente, não recebem um salário, mas sim um "adiantamento" periódico sobre a sua parte nos lucros anuais.

Segunda Revolução Industrial

De 1870 a 1930, a Segunda Revolução Industrial deu origem às modernas empresas comerciais impulsionadas pelos caminhos de ferro, pela eletricidade, pelo telégrafo e pelo telefone. Esta era assistiu ao surgimento generalizado de uma classe de executivos e administradores assalariados que serviam as novas empresas de grande escala que estavam a ser criadas. Os novos cargos gerenciais se prestavam ao emprego assalariado, em parte porque o esforço e a produção do “trabalho de escritório” eram difíceis de medir por hora ou por peça, e em parte porque eles não necessariamente recebiam remuneração pela participação acionária. À medida que o Japão se industrializou rapidamente no século XX, a ideia de trabalho de escritório era tão nova que uma nova palavra japonesa (salaryman) foi cunhada para descrever aqueles que o realizavam, bem como para referir a sua remuneração.

03

Evolução do conceito

Teoria neoclássica

De acordo com os economistas de orientação neoclássica, o salário é a remuneração do fator de produção trabalho e o seu valor depende do custo de oportunidade para o trabalhador de renunciar a outras ocupações (incluindo o ócio) durante o período empregado para realizar a sua tarefa. De acordo com esta teoria, a determinação do salário de acordo com o conceito de oferta e procura também permite que este fator de produção ajuste o seu preço ao valor ideal. Deste ponto de vista, as lutas sindicais são uma forma de conluio que influencia a determinação dos preços, afastando-os do ótimo. Adam Smith, em A Riqueza das Nações, criticou repetidamente as corporações e as ordens profissionais como um obstáculo à eficiência do mercado livre e à inserção dos jovens no mundo do trabalho.

Teoria marxista

Em contraste com a visão anterior, segundo os economistas de orientação marxista, o salário é o preço da força de trabalho que, em última instância, deriva do valor-trabalho. A força de trabalho no capitalismo constitui uma mercadoria e, como tal, é negociada no mercado de acordo com o seu valor, como todas as outras mercadorias: o tempo de trabalho socialmente necessário para a sua produção, ou seja, o valor dos meios de subsistência considerados, num determinado momento, necessários para a reprodução da própria força de trabalho. Sendo o trabalho humano também uma mercadoria, o salário está sujeito às leis da oferta e da procura de trabalho, de forma análoga aos preços. No entanto, pela própria lógica de funcionamento do sistema capitalista, os salários tenderiam a ser, cada vez mais, salários de sobrevivência, garantindo ao menos a reprodução da força de trabalho – do contrário, o capitalista não teria lucro.

Salário e outras formas de pagamento

Atualmente, o conceito de salário continua a evoluir como parte de um sistema de remuneração total que os empregadores oferecem aos funcionários. O salário (também conhecido agora como remuneração fixa) refere-se estritamente ao pagamento direto pelo trabalho executado e está a ser visto como parte de um sistema de "recompensas totais" que inclui bónus, remuneração por incentivos, comissões, benefícios e regalias (ou vantagens), e várias outras ferramentas que ajudam os empregadores a associar as recompensas ao desempenho medido de um funcionário. Já a remuneração é um conceito mais abrangente, que engloba o salário e todas as outras vantagens económicas, diretas e indiretas, percebidas pelo trabalhador. Isto inclui benefícios como subsídio de alimentação (vulgo "vale-refeição" no Brasil ou "subsídio de refeição" em Portugal), ajudas de custo, seguros de saúde pagos pelo empregador, carro da empresa, entre outros, que compõem o pacote total de compensação. A remuneração evoluiu consideravelmente. Considere a mudança desde os dias da revolução industrial e antes dela, quando um emprego era mantido por toda a vida, até o fato de que, de 1978 a 2008, indivíduos com idades entre 18 e 44 anos mantiveram uma média de 11 empregos.

04

Composição e estrutura

Imagem: Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) · PDM · Openverse

A estrutura salarial raramente é monolítica, sendo comum a sua decomposição em diversos elementos, que podem ser categorizados de várias perspetivas.

Modelos de Estruturação Remuneratória

Para além dos componentes diretos, a lógica de cálculo do salário pode seguir diferentes modelos:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando