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Trióxido de arsênio

O trióxido de arsênio, também conhecido simplesmente como arsênico, é o principal composto comercial do arsênio e a matéria-prima fundamental para a química desse elemento. Ele surge como um subproduto tóxico em certos processos de mineração, como na extração de ouro.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 06/08/2026

Pontos-chave

  • É o principal composto comercial do arsênio.
  • É um subproduto tóxico da mineração, como a de ouro.
  • Possui propriedades químicas anfóteras, com predominância ácida.
  • Tem aplicações médicas históricas e modernas, incluindo quimioterapia.
  • É altamente tóxico, com efeitos que variam de problemas digestivos a alterações em unhas e cabelo.
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Propriedades Químicas

O trióxido de arsênio é um óxido anfótero, mas suas propriedades ácidas são mais evidentes. Ele se dissolve rapidamente em soluções alcalinas, formando arsenitos. Em ácidos, sua solubilidade é menor, mas reage com ácido clorídrico para formar tricloreto de arsênio ou compostos similares. Reage vigorosamente com agentes oxidantes como ozônio, peróxido de hidrogênio e ácido nítrico, produzindo pentóxido de arsênio (As₂O₅). A reação com peróxido de hidrogênio pode ser explosiva. Além disso, o trióxido de arsênio é facilmente reduzido a arsênio elementar e pode formar arsina (AsH₃).

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Estrutura Molecular

Na forma α, bem como nos estados líquido e gasoso, o trióxido de arsênio existe como moléculas tetraédricas com a fórmula As₄O₆.

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Aplicações Médicas

O uso de substâncias à base de arsênio na medicina remonta ao século XVII, com o médico chinês Chung Szi-Sung descrevendo tratamentos para doenças venéreas. Até a descoberta da penicilina, compostos de arsênio, como o Salvarsan sintetizado por Paul Ehrlich, eram o tratamento recomendado para a sífilis. Atualmente, o trióxido de arsênio é utilizado como um agente quimioterápico para tratar leucemias refratárias a outros tratamentos, sob o nome comercial Trisenox. Acredita-se que o trissulfeto de arsênio induza a apoptose em células cancerígenas. Apesar de sua eficácia, a toxicidade inerente do arsênico representa riscos significativos. A enzima tioredoxina redutase foi recentemente identificada como um alvo molecular para o trióxido de arsênio.

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Toxicologia

O trióxido de arsênio é facilmente absorvido pelo organismo, seja por ingestão, inalação de poeira ou fumaça, ou contato com a pele. Inicialmente, a eliminação é rápida (meia-vida de 1 a 2 dias), ocorrendo por metilação para formar ácido cacodílico e excreção na urina. No entanto, uma porção (30-40% em exposições repetidas) se acumula em tecidos ricos em queratina, como ossos, músculos, pele, cabelo e unhas, sendo eliminada ao longo de semanas ou meses. Os sintomas iniciais de envenenamento agudo por ingestão incluem problemas gastrointestinais como vômitos, dores abdominais e diarreia, muitas vezes com sangramento. Doses subletais podem levar a convulsões, problemas cardiovasculares, inflamação do fígado e rins, e distúrbios de coagulação. Posteriormente, podem surgir linhas brancas características (listras de Mees) nas unhas e queda de cabelo. Exposições a doses mais baixas podem causar problemas hepáticos e renais, além de alterações na pigmentação da pele.

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