Trióxido de arsênio
O trióxido de arsênio, também conhecido como arsênico, é o composto comercial mais importante do arsênio e a principal matéria-prima para a química desse elemento. Embora seja um subproduto altamente tóxico de processos como a mineração de ouro, ele possui aplicações médicas significativas, especialmente no tratamento de certas leucemias, apesar de seus riscos inerentes devido à sua toxicidade.
Pontos-chave
- É o composto comercial mais importante do arsênio e matéria-prima primária para a química do arsênio.
- É um óxido anfótero com forte caráter ácido, dissolvendo-se em soluções alcalinas e, menos, em ácidos.
- Possui aplicações médicas, como quimioterápico (Trisenox) para leucemia, induzindo apoptose em células cancerígenas.
- É altamente tóxico, absorvido por ingestão, inalação ou contato com a pele, com sintomas que variam de problemas digestivos a danos em órgãos e alterações na pele e unhas.
- Sua eliminação é rápida inicialmente, mas parte se acumula em tecidos como ossos, músculos, pele, cabelo e unhas.
O trióxido de arsênio é um óxido anfótero, mas demonstra uma predominância notável de suas propriedades ácidas. Ele se dissolve prontamente em soluções alcalinas, formando arsenitos. Sua solubilidade em ácidos é menor, mas ele se dissolve em ácido clorídrico, resultando em tricloreto de arsênio ou compostos relacionados. Reage com agentes oxidantes como ozônio, peróxido de hidrogênio e ácido nítrico para formar pentóxido de arsênio (As2O5), sendo a reação com peróxido de hidrogênio potencialmente explosiva. Além disso, é rapidamente reduzido a arsênio, e a arsina (AsH3) também pode ser formada.
No estado líquido e gasoso, bem como na forma α, o trióxido de arsênio apresenta moléculas tetraédricas com a fórmula As4O6.
Desde o século XVII, com Chung Szi-Sung na China, substâncias à base de arsênio eram indicadas para tratar doenças venéreas, como a sífilis, sendo o tratamento recomendado até a descoberta da penicilina, exemplificado pelo fármaco Salvarsan, sintetizado por Paul Erlich. Atualmente, o arsênio e seus compostos, especialmente o trióxido, continuam a ter aplicações na medicina. O trióxido de arsênio, comercializado como Trisenox (Cephalon), é um agente quimioterápico de função idiopática, utilizado no tratamento de leucemias que não respondem aos tratamentos de primeira linha. Suspeita-se que o trissulfeto de arsênio induza a apoptose (morte celular programada) em células cancerígenas. No entanto, devido à natureza tóxica do arsênico, este medicamento apresenta riscos significativos. Recentemente, a enzima tioredoxina redutase foi identificada como um alvo para o trióxido de arsênio.
O trióxido de arsênio é facilmente absorvido pelo sistema digestivo, e seus efeitos tóxicos também são observados após inalação de poeira ou fumaça e contato com a pele. A eliminação inicial é rápida, com uma meia-vida de 1 a 2 dias, por metilação a ácido cacodílico e excreção na urina. Contudo, uma porção significativa (30-40% em caso de exposição repetida) é incorporada a ossos, músculos, pele, cabelo e unhas (tecidos ricos em queratina), sendo eliminada ao longo de semanas ou meses. Os primeiros sintomas de envenenamento agudo por ingestão incluem problemas digestivos como vômito, dores abdominais e diarreia, frequentemente com sangramento. Doses subletais podem levar a convulsões, problemas cardiovasculares, inflamação do fígado e rins, e anormalidades na coagulação sanguínea. Posteriormente, podem surgir as características linhas brancas (listras de Mees) nas unhas e perda de cabelo. Doses mais baixas resultam em problemas hepáticos e renais, além de alterações na pigmentação da pele.


