Trióxido de arsênio
O trióxido de arsênio, também conhecido simplesmente como arsênico, é o principal composto comercial do arsênio e a matéria-prima fundamental para a química deste elemento. É um subproduto tóxico gerado em processos de mineração, como a extração de ouro.
Pontos-chave
- O trióxido de arsênio é um óxido anfótero com forte caráter ácido.
- Possui aplicações médicas históricas e modernas, incluindo o tratamento de leucemia.
- É facilmente absorvido pelo corpo e apresenta toxicidade significativa.
- Sua eliminação do corpo envolve metilação e excreção, com parte sendo incorporada a tecidos ricos em queratina.
- Sua estrutura molecular é tetraédrica, As4O6, nos estados sólido, líquido e gasoso.
O trióxido de arsênio exibe propriedades anfóteras, com predominância ácida. Dissolve-se em soluções alcalinas, formando arsenitos, e em ácido clorídrico, gerando tricloreto de arsênio. Reage com oxidantes como ozônio, peróxido de hidrogênio (reação potencialmente explosiva) e ácido nítrico, formando pentóxido de arsênio. Também pode ser reduzido a arsênio e arsina.
A estrutura molecular do trióxido de arsênio é caracterizada por unidades tetraédricas de As4O6, observada nos estados sólido, líquido e gasoso.
Historicamente, compostos de arsênio foram usados no tratamento de sífilis, como o Salvarsan. Atualmente, o trióxido de arsênio, sob o nome comercial Trisenox, é um quimioterápico para leucemia refratária. Acredita-se que induza apoptose em células cancerígenas e tem como alvo a enzima tioredoxina redutase, apesar dos riscos associados à sua toxicidade.
O trióxido de arsênio é facilmente absorvido pelo sistema digestivo, por inalação de poeira/fumaça e por contato com a pele. A eliminação inicial é rápida (meia-vida de 1-2 dias) via metilação e excreção urinária, mas 30-40% pode ser incorporado a tecidos como ossos, músculos e pele, sendo eliminado em semanas ou meses. Sintomas de intoxicação aguda incluem problemas digestivos, convulsões, problemas cardiovasculares, danos ao fígado e rins, e alterações na coagulação. Manifestações tardias incluem linhas brancas nas unhas (listras de Mees) e queda de cabelo. Exposição crônica a doses baixas pode causar problemas hepáticos, renais e alterações na pigmentação da pele.


