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República de Veneza

A Sereníssima República de Veneza foi um Estado no nordeste da península Itálica, com capital na cidade de Veneza. Existiu do século VII ao século XVIII (1797). É muitas vezes referida apenas como a Sereníssima.A data de fim, ao contrário, é 1797, ano em que a República foi invadida por Napoleão Bonaparte, com o Tratado de Campoformio sendo firmado, e cedendo ao Império Austríaco.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/08/2026
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História

Pré-história e Antiguidade

A região do Vêneto é habitada desde a pré-história. A história dessa região faz parte da história da vasta região do Nordeste da Itália, situada entre os confins do mar Adriático e a cadeia dos Alpes Orientais, que compreende Trentino-Alto Ádige, Vêneto e Friul-Veneza Júlia. Em época histórica a partir do século I a.C. fez parte do Império Romano como Regio X Venetia et Histria.

Idade Média

Depois da queda do Império Romano, a região foi invadida por diversos povos bárbaros (godos, hérulos, hunos e lombardos). Esta última invasão é descrita por Paulo, o Diácono na sua Historia de meduza. Entre o século VI e o século VIII, ocorreu uma divisão sempre mais nítida entre o Vêneto interno, sob o domínio lombardo e a Veneza marítima dependente do Império Bizantino e do exarcado de Ravena. Grande parte da população e as autoridades religiosas se transferiram das cidades do interior aos centros lagunares (Grado, Torcello, Caorle, Malamocco e Civitas Nova ou Eraclea). Com a conquista lombarda de Ravena, em 751, o território lagunar adquire uma crescente independência do Império Bizantino, do qual permanece formalmente dependente. Com a transferência da sede do dux (duque) bizantino, que se tornou o doge, de Civitas Nova, sobre a terra firme, a Malamocco, nas ilhas lagunares, e depois, no início do século VIII, a "Rivoalto" (atual Rialto), originou-se a cidade de Veneza.

Idade Moderna e decadência

Com a queda de Constantinopla para os turcos, em 1453, e o início das navegações portuguesas e espanholas, o comércio da Europa com o Oriente através do mar Mediterrâneo entrou em decadência. Ao fim do século XVIII, a Sereníssima República, em declínio, foi invadida por Napoleão Bonaparte. A invasão pelas tropas napoleônicas em 1797 e sua cessão à Áustria, em troca da Bélgica, pôs fim à história de muitos séculos da Sereníssima República de Veneza. Os territórios antes dominados pela república foram divididos em partes que se tornaram províncias do Império Austríaco.

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Governo

Nos primeiros anos da república, o sistema político pode ser classificado como uma autocracia, com o Doge como o governante absoluto. Em 1223, as famílias aristocráticas de Rialto drasticamente diminuíram os poderes do Doge, estabelecendo um conselho consultivo que seria depois chamado Quarantia (quarenta) e um supremo tribunal que seria depois chamado Signoria. Eles também criaram dois corpos chamados sapientes que seriam depois seis corpos. A combinação dos sapientes e outros grupos seria chamado de collegio, uma espécie de ministério encarregado das questões de governo. Um senado, chamado de Consiglio dei Pregadi foi organizado em 1229 com sessenta membros eleitos pelo Maggior Consiglio (Conselho Maior). Durante este período o Doge tinha pouco poder real, e a autoridade era na verdade exercida pelo Grande Conselho de Veneza, um corpo parlamentar extremamente limitado onde podiam participar apenas membros das grandes famílias aristocráticas da república. Veneza proclamava que seu governo era uma clássica república, porque era uma fusão das três formas presentes num governo misto: com o poder supremo no Doge, o aristocrático no senado, e o democrático no Grande Conselho.

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Mulheres e cultura letrada

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

No capítulo Mulheres, gênero e cultura letrada, as historiadoras Anadir dos Reis Miranda, Beatriz Polidori Zechlinski e Cristiane Tedesco dedicam-se ao estudo das mulheres em suas relações com a sociedade e a cultura na Europa durante a Idade Moderna. Nesse sentido, elas buscam compreender como as mulheres inseriram-se em um cenário de valorização do letramento e dos saberes, de consolidação dos espaços de sociabilidade e de reconhecimento de artistas, escritores e escritoras. As historiadoras lembram que, a partir dos séculos XV e XVI, a difusão dos impressos e a ampliação dos índices de alfabetização significaram verdadeiras transformações sociais, que, por sua vez, não ficaram restritas ao universo masculino. No caso da República de Veneza, as estudiosas observam que em razão de uma certa tensão nas relações diplomáticas com Roma, o que vai levar, inclusive, ao alinhamento da política veneziana com grupos anticatólicos durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), muitas mulheres alcançaram notoriedade no campo da cultura. Isso foi explicado pelo fato de que a República de Veneza estava menos sujeita às ordenações romanas, e, por consequência, aos seus mecanismos de censura. Entretanto, faz-se necessário destacar que, mesmo nesse ambiente de maiores liberdades, muitos homens não tinham acesso à vida política por não preencherem os critérios de sangue e status. Quanto às mulheres, independentemente da posição social, a participação no poder era veementemente proibida.

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Fontes consultadas

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