Artemisia Gentileschi
Artemisia Gentileschi foi uma pintora barroca italiana, considerada hoje uma das mais bem-sucedidas pintoras de sua época. Sendo incentivada desde sua infância na pintura, por seu pai Orazio Gentileschi, que era um famoso pintor natural da cidade de Pisa, ela se tornou a primeira mulher a ser membro da academia de pintura de Florença. Muitos de seus temas são de personagens femininas que aparecem em diversas passagens da Bíblia, porém sua fama como pintora se iniciou com a pintura de retratos. Quando seu pai foi convidado para pintar na corte do rei Carlos I da Inglaterra, Artemisia o acompanhou, e nesta época ela foi convidada para pintar vários retratos de nobres da corte inglesa. Entre seus quadros mais conhecidos estão Judite Decapitando Holofernes e Susana e os anciãos. Sua arte já foi ofuscada pelo rapto e estupro que sofreu, mas o que resplandece ao mundo na atualidade é seu enorme talento.
Vida pessoal e começo
Nascida Artemisia Gentileschi-Lomi, em 8 de julho de 1593, em Roma, seu certificado de batismo no Archivio di Stato indicada que ela teria nascido em 1590, filha mais velha do pintor toscano Orazio Gentileschi e de Prudentia Montone. Artemisia foi introduzida à pintura no estúdio de seu pai, mostrando ter muito mais talento que seus irmãos, que trabalhavam junto dela. Ela logo aprendeu a desenhar, a misturar as cores e em seguida a pintar, inspirada pelo estilo do pai, bastante centrado no de Caravaggio. No entanto, a forma como Artemisia trabalhava os temas era diferente de seu pai. Seus quadros eram extremamente naturais, enquanto seu pai idealizava o que retratava. Ao mesmo tempo, Artemisia resistia se submeter, tanto em atitude quanto psicologicamente ao estilo idealizador da pintura. Foi assim que seus trabalhos passaram a ganhar admiradores e reconhecimento.
Período florentino (1614–20)
Artemisia experimentou um momento de grande sucesso enquanto morava em Florença. Foi a primeira mulher aceita na Academia de Belas Artes de Florença. Tinha bom relacionamento com os grandes artistas da época, como Cristofano Allori, ganhando o respeito e favores de muita gente influente da sociedade, como Cosme II de Médici, grão-duque da Toscana e a grã-duquesa Cristina de Lorena. Artemisia também tinha contato com Galileo Galilei, como sugere uma carta para o cientista em 1635. Era também muito admirada pelo sobrinho de Michelangelo, pois ele a convidou para contribuir com a pintura do teto da Casa Buonarroti, cujo trabalho era grande e extenso.
Período napolitano e inglês (1630–1654)
Em 1630, Artemisia se mudou para Nápoles, cidade conhecida pelos admiradores da arte por suas oficinas, na tentativa de encontrar oportunidades de trabalho mais lucrativas. Vários artistas como Caravaggio, Annibale Carracci e Simon Vouet viveram na cidade por algum momento. Na época, Jusepe de Ribera, Massimo Stanzione e Domenichino trabalhavam em Nápoles, e depois Giovanni Lanfranco e muitos outros começaram a chegar. A estreia de Artemisia na comunidade napolitana de arte se deu com seu quadro Anunciação. Ela permaneceu em Nápoles até o fim da carreira, com exceção de algumas viagens à Inglaterra, Artemisia, porém, não apenas pintava em Nápoles, lá ela montou e dirigiu sua própria oficina com êxito, algo inédito para uma artista mulher na Itália da época. Sua filha trabalhava como sua assistente.
Artemisia é considerada uma artista barroca com fortes influências do Caravagismo. Em suas obras, é possível identificar características do estilo de Caravaggio como o realismo e o uso dramático do chiaroscuro, uma técnica de pintura caracterizada pelo jogo de contrastes estabelecidos pela utilização de cores claras e escuras. Ela também é reconhecida por, durante o renascimento, realizar um autorretrato em que representava ela mesma como a alegoria da Pintura, algo que os pintores homens não poderiam fazer, já que esta figura sempre foi representada por uma mulher. Em Autorretrato como Alegoria da Pintura, Artemisia representa a si própria ao lado de tintas e portando um pincel, enquanto efetivamente emprega o ato de pintar.
Acreditava-se que Artemisia teria morrido entre 1652 e 1653, mas evidências recentes mostram que ela ainda aceitava encomendas em 1654, porém muito dependente da ajuda de seu assistente, Onofrio Palumbo. Especula-se que ela tenha morrido na devastadora praga que varreu Nápoles em 1656 e que por consequência aniquilou toda uma geração de grandes artistas.
O interesse feminista em Artemisia Gentileschi foi desencadeado na década de 1970, quando a historiadora de arte feminista Linda Nochlin publicou um artigo intitulado "Why Have There Been No Great Women Artists?" (Por que não houve grandes artistas mulheres?) em que essa questão foi dissecada e analisada. O artigo explorou a definição de "grandes artistas" e postulou que instituições opressivas, e não a falta de talento, impediram as mulheres de atingir o mesmo nível de reconhecimento que os homens receberam na arte e em outros campos. Nochlin disse que os estudos sobre Artemisia e outras artistas femininas "valeram o esforço" em "adicionar ao nosso conhecimento da conquista das mulheres e da história da arte em geral". De acordo com o prefácio de Douglas Druick em Violence & Virtue: Artemisia's Judith Slaying Holofernes, de Eve Straussman-Pflanzer, o artigo de Nochlin levou os estudiosos a fazer mais de uma tentativa de "integrar mulheres artistas à história da arte e da cultura".
Em 2016, o perfil de Artemisia Gentileschi foi incluído na primeira edição do livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes: Cem fábulas sobre mulheres extraordinárias, como uma das cem mulheres mais influentes.


