Festival de Woodstock
Woodstock Music & Art Fair foi um festival de música realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969 na fazenda de gado leiteiro de 600 acres de Max Yasgur, próximo à região de White Lake, na cidade de Bethel, no estado de Nova York, nos Estados Unidos. O local se localizava a setenta quilômetros a sudoeste da cidade de Woodstock. Anunciado como "Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música", o festival deveria ocorrer originalmente na pequena cidade de Wallkill, mas os moradores locais não aceitaram, o que levou o evento para a pequena Bethel, a uma hora e meia de distância.
O Festival de Woodstock surgiu dos esforços de Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld. Roberts e Rosenman, que entrariam com as finanças, colocaram um anúncio sob o nome de Challenge International, Ltd., no New York Times e no Wall Street Journal ("Jovens com capital ilimitado buscam oportunidades de investimento legítimas e interessantes e propostas de negócios"). Lang e Kornfeld responderam o anúncio, e os quatro reuniram-se inicialmente para discutir a criação de um estúdio de gravação em Woodstock, mas a ideia evoluiu para um festival de música e artes ao ar livre. Mesmo considerado um investimento arriscado, o projeto foi montado tendo em vista retorno financeiro. Os ingressos passaram a ser vendidos em lojas de disco e na área metropolitana de Nova York, ou via correio através de uma caixa postal. Custavam 18 dólares (aproximadamente 75 dólares em valores atuais), ou 24 dólares se adquiridos no dia. Aproximadamente 186 000 ingressos foram vendidos antecipadamente, e os organizadores estimaram um público de aproximadamente 200 000 pessoas. Não foi isso que aconteceu, no entanto. Mais de meio milhão de pessoas compareceram, derrubando cercas e tornando o festival um evento gratuito.
Trinta e duas apresentações foram realizadas ao longo dos quatro dias de evento:
O cachê dos artistas foi revelado em 2013:
Max Yasgur se recusou a alugar sua fazenda para uma reedição do festival em 1970, dizendo: "até onde sei, vou voltar a gerir uma fazenda de gado leiteiro". Max morreu em 1973. Os eleitores de Bethel substituíram seu governante em uma eleição em novembro de 1969 por ele ter ajudado a trazer o festival para a cidade. O estado de Nova Iorque e a cidade de Bethel aprovaram leis proibindo a realização de novos festivais. Em 1984, no local onde ocorrera o festival, os proprietários Louis Nicky e June Gelish ergueram um monumento confeccionado pelo escultor Wayne C. Saward (1957–2009), natural da vizinha cidade de Bloomingburg. Foram feitas tentativas para impedir que as pessoas visitassem o local. Os proprietários espalharam estrume de galinha e, em um aniversário, tratores e carros da polícia estadual bloquearam a estrada. 20 000 pessoas se reuniram no local em 1989 em uma improvisada celebração do vigésimo aniversário do festival. Em 1997, um grupo pôs uma placa de boas-vindas no local. Ao contrário de Bethel, a cidade de Woodstock fez numerosas tentativas de ganhar dinheiro com a notoriedade do festival. A postura de Bethel mudou recentemente, e agora a cidade saúda o festival. Têm sido feitas tentativas de fortalecer a ligação entre Bethel e o festival.
Em 1984, foi colocada uma placa comemorativa no local do festival. O local preserva seu aspecto rural e continua a ser visitado por pessoas de todas as gerações. Em 1996, o local do concerto e os 5,7 quilômetros quadrados ao redor foram comprados pelo pioneiro da televisão a cabo Alan Gerry com o propósito de criar o Bethel Woods Center for the Arts. O centro abriu em 1 de julho de 2006, com uma apresentação da orquestra filarmônica de Nova Iorque. Em 13 de agosto de 2006, Crosby, Stills, Nash & Young tocaram para 16 000 pessoas no centro, 37 anos após seu histórico concerto no festival. O Museu de Bethel Woods abriu em 2 de junho de 2008. O museu possui filmes e exposições interativas, textos e artefatos que exploram a experiência do festival, seu significado como evento culminante de uma década de radical mudança cultural, e o legado da década de 1960 e do festival nos dias de hoje. As cinzas de Richie Havens foram espalhadas pelo local do festival no dia 18 de agosto de 2013.
Outras edições
Para comemorar os 25 anos do superevento, 250 000 pessoas se reuniram no Woodstock '94, em Saugerties, a 135 km de Nova York. Pagaram 135 dólares para ouvir 40 bandas, entre eles o Nine Inch Nails, Aerosmith, Metallica, Green Day, Red Hot Chili Peppers e músicos como Peter Gabriel, Carlos Santana e Joe Cocker. No trigésimo aniversário em 1999, o Woodstock '99 foi realizado em uma antiga base da Força Aérea dos Estados Unidos em Rome, com mais de 220,000 espectadores. A edição foi marcada negativamente pelo calor, preços excessivos, sujeira, e muita violência supostamente incentivada por bandas como Limp Bizkit, Insane Clown Posse e Kid Rock. Durante as últimas apresentações, com Red Hot Chili Peppers em um palco e Megadeth no outro, velas que visavam uma vigília foram usadas pelo público insatisfeito para atear fogo em barracas e barreiras de segurança, iniciando um tumulto tão forte que só se dissipou quando centenas de guardas da New York State Police chegaram para uma operação de controle de motim.
Imitações brasileiras
O Brasil também tentou emular a aura hippie. Em 1971, na cidade de Guarapari, foi realizado o "Festival de Verão de Guarapari", que, devido à falta de verbas dos organizadores, foi um fracasso retumbante. Em novembro de 1972, aconteceu a Feira Experimental de Música, no teatro de Nova Jerusalém, em Brejo da Madre de Deus, no interior de Pernambuco. O festival tinha o objetivo de mostrar o trabalho de vários conjuntos musicais fora do âmbito comercial que despontavam em Recife e outras cidades da Região Nordeste do Brasil. Contou com a presença de músicos (Zé Ramalho, Lula Côrtes, Lailson) e bandas (Ave Sangria, Flaviola & o Bando do Sol) que se apresentaram em dois dias no melhor estilo paz e amor. Foi uma espécie de Woodstock nordestino.
Como um dos maiores festivais de rock da história e um marco do final da década de 1960, Woodstock foi citado de várias formas na cultura popular. A expressão "geração de Woodstock" passou a fazer parte do léxico popular. Homenagens e paródias do festival surgiram assim que foram tocados os seus últimos acordes. O cartunista Charles Schulz nomeou seu personagem pássaro do Peanuts — que surgira em 1966 mas ainda não tinha nome — como Woodstock em homenagem ao festival. Em abril de 1970, a revista Mad publicou um poema de Frank Jacobs ilustrado por Sergio Aragonés intitulado "Eu lembro, eu lembro do assombroso festival de música de Woodstock" que parodia os congestionamentos de trânsito e o desafio de conseguir chegar perto o suficiente do palco para realmente conseguir ouvir a música. O livro infantil Henry Reed's Big Show (1970), de Keith Robertson, traz o personagem título tentando imitar o sucesso do festival ao montar um concerto na fazenda do tio.


