Altamont Free Concert
O Altamont Speedway Free Festival foi um concerto de rock da contracultura que se realizou no sábado, dia 6 de dezembro de 1969, no autódromo de Altamont, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos. Aproximadamente 300 000 pessoas assistiram ao evento, e alguns anteciparam que ele seria um "Woodstock do oeste". O festival de Woodstock havia se realizado em Bethel, em meados de agosto, menos de quatro meses antes do festival de Altamont. O evento de Altamont ficou famoso principalmente pelo alto grau de violência, incluindo o assassinato por esfaqueamento de Meredith Hunter e três mortes acidentaisː duas causadas por acidente automobilístico e uma causada por afogamento num canal de irrigação devido ao uso de LSD. Painéis foram danificados, muitos veículos foram roubados e abandonados, e houve muitos danos a propriedades.
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De acordo com Spencer Dryden, do Jefferson Airplane, a ideia para "uma espécie de Woodstock do oeste" surgiu quando ele e seu colega de banda Jorma Kaukonen discutiram a realização de um concerto gratuito com o Grateful Dead e os Rolling Stones no Golden Gate Park. Referindo-se aos Stones, Dryden disseː "ao lado dos Beatles, eles eram a maior banda de roque do mundo, e queríamos que eles experimentassem aquilo que estávamos vivenciando em São Francisco". Conforme os planos estavam sendo finalizados, o Jefferson Airplane estava excursionando e, no início de dezembro, estava na Flórida, acreditando que os planos para o concerto no Golden Gate estavam em vigor. Mas, em 4 de dezembro, os planos foram cancelados, de acordo com os registros de Paul Kantner, porque os governos municipais e as polícias não colaboraramː o conflito inato entre os hippies de Haight-Ashbury e a polícia se manifestou sob a forma de obstruções. Foi sugerido o autódromo de Sonoma, mas seus proprietários queriam 100 000 dólares estadunidenses como garantia dos Rolling Stones. No último momento, Dick Carter ofereceu seu autódromo de Altamont, no condado de Alameda, para o festival. O Jefferson Airplane decolou de Miami no dia 5. Kantner disse que a locação foi escolhida em espírito de desesperoː "não havia meio de controlar, nenhuma supervisão ou ordem". De acordo com Grace Slick, "as vibrações eram ruins. Algo era muito peculiar, não particularmente mau, apenas realmente peculiar. Era aquele tipo de dia inseguro, abrasivo e enevoado. Eu esperara as vibrações amorosas de Woodstock mas isso não estava chegando até mim. Era uma coisa completamente diferente."
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Durante a turnê estadunidense dos Rolling Stones em 1969, muitos (incluindo jornalistas) acharam que os ingressos eram muito caros. Em resposta a estas críticas, os Rolling Stones decidiram finalizar a excursão com um concerto gratuito em São Francisco. O concerto estava, originalmente, programado para acontecer no campo da Universidade Estadual de San Jose, pois havia acontecido, recentemente, um espetáculo gratuito de três dias no local com 52 bandas e 80 000 espectadores. A Dirt Cheap Produtions foi chamada novamente para garantir a segurança durante um concerto gratuito dos Rolling Stones e Grateful Dead no local. Os Rolling Stones e o Grateful Dead foram, então, informados de que a prefeitura de San Jose não estava disposta a realizar outro espetáculo. O Golden Gate Park em São Francisco era o seguinte na lista. Entretanto, um anteriormente programado jogo entre o Chicago Bears e o San Francisco 49ers no estádio Kezar, no Golden Gate Park, tornou impossível o evento. O espetáculo então foi transferido para o Sears Point Raceway. Entretanto, o proprietário do Sears Point (a Filmways) exigiu um depósito de 300 000 dólares estadunidenses dos Rolling Stones e direitos de distribuição do filme, então o festival foi transferido novamente. O autódromo de Altamont foi escolhido por sugestão do seu então proprietário, o empresário local Dick Carter. O concerto foi programado para sábado, 6 de dezembroː a locação foi alterada na noite de quinta-feira, 4 de dezembro.
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De acordo com alguns registros, os Hells Angels foram contratados como seguranças pelos empresários dos Rolling Stones, baseados nas recomendações do Jefferson Airplane e Grateful Dead (ambos os grupos haviam usado previamente os serviços dos Hells Angels como seguranças em concertos, sem que tivesse ocorrido qualquer distúrbio), ao preço de quinhentos dólares estadunidenses em cerveja. Esta história foi negada por algumas partes que não estavam diretamente envolvidas. De acordo com o empresário da turnê de 1969 dos Rolling Stones Sam Cutler, "o único acordo que existiu foi... que os Angels garantiriam que ninguém mexesse com os geradores, só isso. Não houve de jeito nenhum essa história de que eles seriam a polícia do festival. Isso é tolice". O acordo foi firmado num encontro que reuniu Cutler, o empresário do Grateful Dead Rock Scully, e Pete Knell, um membro do capítulo de Los Angeles do Hells Angels. De acordo com Cutler, o arranjo foi que todas as bandas dividiriam o custo do pagamento de quinhentos dólares estadunidenses em cerveja, "[mas] a pessoa que pagou fui eu, e eu nunca fui reembolsado até hoje". O membro do Hells Angels Bill Fritsch se lembra de um acordo com Cutler num encontro antes do concertoː
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A primeira apresentação, Santana, transcorreu num clima tranquilo. Entretanto, ao longo do dia, o humor tanto do público quanto dos Hells Angels se tornou progressivamente agitado e violento. Os Angels estiveram bebendo sua cerveja gratuita ao longo de todo o dia em frente ao palco, e a maioria deles estava bem bêbada. A audiência também se tornou hostil e imprevisível, atacando uns aos outros, os Angels e os artistas. Um biógrafo de Mick Jagger, Anthony Scaduto, no livro Mick Jagger: Everybody's Lucifer, escreveu que o único momento em que a plateia se acalmou foi durante a apresentação do The Flying Burrito Brothers. Quando os Stones subiram ao palco, no início da noite, o clima se tornou francamente hostil, com numerosas brigas do público entre si e do público contra os Hells Angels. Denise Jewkes, vocalista líder do grupo local de São Francisco The Ace of Cups, grávida de seis meses, foi atingida na cabeça por uma garrafa vazia de cerveja jogada da multidão e sofreu uma fratura de crânio. Posteriormente, os Stones pagaram a ambulância e os serviços médicos de Jewkes. Os Angels se armaram com tacos de bilhar serrados e correntes de motocicletas para manter a multidão afastada do palco.
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O cantor líder dos Rolling Stones, Mick Jagger, que já havia sido golpeado na cabeça por um espectador poucos segundos após sair do helicóptero, estava visivelmente intimidado pela situação caótica e pediu a todosː "apenas se acalmem aí em frente, e não empurrem". Durante a terceira canção, Sympathy for the Devil, começou uma briga em frente ao palco, obrigando os Stones a interromper a apresentação para que os Angels resolvessem a situação. Depois de uma grande pausa e mais um pedido de calma, a banda recomeçou a canção e continuou a apresentação sem incidentes até o início da canção Under My Thumb. Alguns Angels começaram a brigar com Meredith Hunter, de dezoito anos de idade, quando ele tentou subir no palco junto com outros espectadores. Um Angel segurou a cabeça de Meredith, deu-lhe um soco e jogou-o de volta para a multidão. Depois de um minuto de pausa, Meredith voltou ao palco onde, de acordo com o produtor de Gimme Shelter Porter Bibb, a namorada de Meredith, Patty Bredehoft, pediu-lhe chorando que se acalmasse e retornasse à plateia com ela. Mas ele estava nervoso, irracional e "tão alto que mal podia caminhar". Rock Scully, que podia ver a plateia claramente do topo do caminhão no palco, disse, a respeito de Hunterː "eu vi para onde ele estava olhando, que ele estava louco, que ele estava drogado, e que ele tinha intentos assassinos. Não havia dúvida na minha mente que ele pretendia causar um ferimento sério em Mick, em alguém dos Stones, ou em alguém mais no palco."
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O concerto de Altamont é, sempre, contrastado com o festival de Woodstock, que havia acontecido menos de quatro meses antes. Enquanto Woodstock representou "paz e amor", Altamont passou a ser visto como o fim da era hippie e a conclusão de facto da cultura jovem estadunidense do final da década de 1960. "Altamont se tornou, justa ou injustamente, símbolo da morte da nação de Woodstock". O crítico de roque Robert Christgau escreveu, em 1972, que "escritores focam em Altamont não porque ele finalizou uma era mas porque ele forneceu uma complexa metáfora sobre a maneira através da qual uma era terminou". Escrevendo para a revista The New Yorker em 2015, Richard Brody argumentou que o que Altamont finalizou foi "a ideia de que, deixados às suas próprias inclinações e despidos das armadilhas de uma ordem social mais ampla, os jovens da nova geração irão, espontaneamente, de alguma forma, criar uma ordem mais elevada, gentil e amorosa. O que morreu em Altamont foi o sonho rousseauniano".


