Alfredo Luís da Costa
Alfredo Luís da Costa foi um publicista, editor, jornalista, empregado do comércio e caixeiro viajante, membro da Carbonária e franco-mação, mais conhecido por, conjuntamente com Manuel Buíça e outros carbonários, participar no regicídio do rei D. Carlos I no dia 1 de Fevereiro de 1908 em Lisboa.
Nasceu em Casével, filho de Manuel Luís da Costa e Maria João da Costa. Quem com ele se dava descrevia-o como duma fisionomia séria, quase triste e grandes olhos castanhos, lentos a mover-se, com uma fixidez que parecia de sonâmbulo e era de atenção, um nada de barba loura no queixo, o nariz levemente amolgado sobre a esquerda. É provável que uma tuberculose descurada, traiçoeiramente seguindo caminho, lhe achatasse o tórax, aguçasse os ombros e lhe imprimisse às costas uma quebratura já perceptível. Veio cedo da sua aldeia de Casével do Alentejo, tendo aprendido as primeiras letras na sua aldeia natal começa a trabalhar como empregado do comércio num estabelecimento que um tio seu, abastado lojista, tinha instalado em Lisboa, onde presidiu à Associação dos Empregados do Comércio de Lisboa. Tornou-se mais tarde caixeiro-viajante por conta própria, depois de ter cortado relações com o tio, percorrendo o país.
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Na noite de 28 de Janeiro de 1908, data fixada para o movimento que abortou desastradamente no elevador da Biblioteca, liderava um grupo conjuntamente com Manuel Buiça de vinte homens, este grupo deveria primeiramente assaltar o Palácio Real mas depois, por uma modificação da estratégia, o Quartel dos Lóios, o grupo, ainda se envolveu em confrontos com a Guarda Municipal, nas imediações da Rua de Santa Bárbara, quando aguardava que um morteiro desse o sinal da revolução. A Janeirada foi planeada em conjunto entre o Partido Republicano e a Dissidência Progressista, fornecendo o primeiro os homens e o segundo o dinheiro e as armas. Além de António José de Almeida tinha como organizador na sombra Luz de Almeida. O golpe tinha como objectivo proclamar a república e como meio, a revolta armada e o assassínio do odiado ditador, João Franco. Quando é que se tomou a decisão de abater também o rei não está claro, mas fazia parte das instruções do comando do qual faziam parte Alfredo da Costa e Manuel Buíça, como parte do golpe.
Na madrugada do dia 1 de fevereiro de 1908, Alfredo Costa reúne-se com Manuel Buíça e outros carbonários na Quinta do Xexé, aos Olivais, onde planeiam o atentado. No mesmo dia pelas duas horas da tarde, almoça com Manuel Buíça e mais três desconhecidos, numa mesa a um canto do Café Gelo, que fica perto da porta para a cozinha, saem estes para dar lugar a um outro que se senta à mesma mesa, com quem os regicidas conversam baixo, Alfredo Costa engolirá um almoço apressado, findo o diálogo, Buíça é o primeiro a se levantar e diz aos outros dois que vai buscar o varino. Pelas quatro horas da tarde, do mesmo dia, Alfredo Costa, Fabrício de Lemos e Ximenes, assumem posições debaixo da arcada do Ministério do Reino no Terreiro do Paço Manuel Buíça com Domingos Ribeiro e José Maria Nunes, posiciona-se no Terreiro do Paço, perto da estátua de D. José, ficando o primeiro perto duma árvore, frente ao mesmo ministério, junto a um quiosque.
Alfredo Costa, com vinte e quatro anos, foi a enterrar no dia 11 de fevereiro de 1908.
Autópsia
Autopsiado no início da madrugada do mesmo dia, do exame resultaram estes achados. De um total de 11 ferimentos, 3, na cabeça, 2 nas costas e um, no peito, eram de golpes de sabre, não mortais. Um sétimo correspondia a uma equimose no lado esquerdo da face. Os quatro restantes eram ferimentos por balas: um no fundo das costas, um na axila com perfuração de um lado ao outro, um no terço inferior do braço esquerdo com fractura do úmero (estes dois últimos são provavelmente do revólver de D. Luís Filipe) e um no lado superior do peito, que lhe trespassou o lobo superior do pulmão e atravessou o tórax, fracturando e alojando-se numa costela junto às costas. Esta foi a ferida mortal.
Homenagens fúnebres
Na véspera, um grupo de três homens, membros da Associação do Registo Civil, manifestou ao director da morgue, a vontade de proporcionar a Alfredo Costa, enquanto associado da mesma agremiação cívica, um funeral civil. Mais tarde, e dada a permissividade do Governo de Acalmação de Ferreira do Amaral que permitia que se fizessem comícios republicanos, em que se fazia a apologia do atentado e se considerava os assassinos como beneméritos da Pátria, teve lugar uma romagem de cerca de vinte e duas mil pessoas às sepulturas dos regicidas. O evento fora organizado pela Associação do Registo Civil. Após a Implantação da República, a mesma Associação do Registo Civil e Livre-Pensamento adquire terreno no Cemitério para aí erigir um monumento aos "heróicos libertadores da Pátria" (palavras constantes no requerimento apresentado à C.M.L.).
Surgiram rumores, depois dos funerais, que o regicídio teria sido organizado pela Carbonária a que Alfredo Costa estava ligado, até que a Maçonaria estaria implicada no caso, porém, nada pôde ser esclarecido, dado que os governos da monarquia subsequentes não se esforçaram por dar seguimento ao caso, com medo das implicações politicas do que se viesse a descobrir. Mesmo assim, o processo ficou pronto e estava pronto para seguir para juízo, com data marcada para 25 de Outubro de 1910, mas todo o fruto das investigações, desapareceu, dado que logo a seguir à Proclamação da República a 5 desse mês, o Juiz Almeida e Azevedo entregou o referido processo ao Dr. José Barbosa, membro do Governo provisório que o levou a Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório (6 de Outubro), e depois disso perdeu-se o rasto ao documento. Ainda assim, as investigações mais recentes, se não chegando a precisar quando e quem decidiu a morte do rei, nem quem matou os regicidas, deitam definitivamente por terra a teoria do "acto isolado", prendendo a acção a toda a mecânica do Golpe do Elevador.


