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Aquilino Ribeiro

Aquilino Gomes Ribeiro ComL foi um destacado escritor português, e ativista político antimonárquico e anti ditadura portuguesa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Biografia

Nascimento e infância

Aquilino Ribeiro nasce em 13 de setembro de 1885, em Carregal, concelho de Sernancelhe, filho natural (o último de quatro) do padre Joaquim Francisco Ribeiro, natural de Soutosa (Moimenta da Beira), e da camponesa Mariana do Rosário Gomes, tendo uma irmã mais velha (Maria do Rosário) e dois irmãos mais velhos (Melchior e Joaquim). Foi batizado na Igreja Matriz dos Alhais, no concelho de Vila Nova de Paiva, em 7 de novembro de 1885, como filho natural de Mariana do Rosário, natural e moradora na freguesia de Peva, Moimenta da Beira. Aquilino Ribeiro foi perfilhado pelo padre Joaquim Francisco Ribeiro apenas após a sua morte, a 1 de março de 1965.

Ativista antimonárquico

Começava a sua conspiração contra a monarquia liberal desvirtuada por governos autoritários. Em 1906 começa a colaborar no jornal republicano A Vanguarda. Em 1907, em parceria com José Ferreira da Silva, escreve A Filha do Jardineiro, obra de ficção de propaganda republicana e de crítica às figuras do regime. Entra a seguir para a Loja Montanha do Grande Oriente Lusitano, em Lisboa, a convite de Luz de Almeida. É também em 1907 que Aquilino é preso, acusado de ser anarquista, na sequência de uma explosão no seu quarto na Rua do Carrião, em 28 de novembro, em Lisboa, na qual morreu inclusive um carbonário. No ano seguinte, em 1908, Aquilino evade-se da prisão, em 12 de janeiro, e durante a clandestinidade em Lisboa mantém contacto com os regicidas e tem conhecimento dos seus planos. Ribeiro refugiou-se numa casa de Meira e Sousa, na Rua Nova do Almada, em frente ao Tribunal da Boa Hora.

Exílio, estudo, família e escrita

Em 1910, estuda na Faculdade de Letras da Sorbonne. Vem a Portugal após o 5 de outubro e regressa a Paris, onde conhecera a alemã Grete Tiedemann. Após uma estada na Alemanha, virá a casar com Grete. O casal regressa a Paris e, em 1914, nasce-lhes o primeiro filho, Aníbal Aquilino Fritz Tiedemann Ribeiro. Nesse mesmo ano ainda publicará um novo livro, Jardim das Tormentas. Em 1915 a família é obrigada a regressar a Portugal na sequência dos conflitos da Primeira Grande Guerra. Aquilino, mesmo sem ter conseguido terminar a sua licenciatura, é admitido a lecionar no ensino secundário, sendo colocado como professor no Liceu Camões, onde ficará durante três anos.

Ativista anti-ditadura nacional

Em 1927 entra na revolta de 7 de fevereiro, em Lisboa. Exila-se em Paris. No fim do ano regressa a Portugal, clandestinamente, após falecer a primeira mulher. Em 1928 toma parte do frustrado movimento do regimento de Pinhel contra o governo e é preso em Contenças, juntamente com o Dr. António Gomes Mota, seguindo ambos para o presídio do Fontelo, em Viseu, donde se evadem a 15 de agosto de 1928, em circunstâncias rocambolescas. Percorrendo caminhos escusos, chegaram a Mundão, aldeia situada a 7 km de Viseu, refugiando-se na "Casa da Fonte" do amigo Augusto Ferreira Gomes, que era então vereador da Câmara de Viseu. Embora os guardas o procurassem revistando toda a casa, não os encontraram graças a um esconderijo secreto. Protegidos pelos criados da casa, são acompanhados até Brufe e mais tarde volta a Paris.

Nova vida no estrangeiro

A 27 de junho de 1929, casa em Paris com Jerónima Machado Guimarães (nascida em Coimbra, Sé Nova, a 13 de abril de 1897), filha do antigo Presidente da República, Bernardino Machado, e de Elzira Dantas Machado. Do casal virá a nascer em 1930 o segundo filho, Aquilino Ribeiro Machado, que viria a ser o 60.º Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1977-1979). Em 1931 vai viver para a Galiza. Em 1932 volta a Portugal clandestinamente. Em 1935 é eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Em 1946 publica Aldeia, Terra, Gente e Bichos. Em 1951 publica Geografia Sentimental. Em 1956 é fundador e presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.

Morte e memórias

Morre no dia 27 de maio de 1963, aos 77 anos, vítima de hipertrofia da próstata e infecção urinária, no Hospital da CUF, freguesia dos Prazeres, em Lisboa. É sepultado no Cemitério dos Prazeres. Em 1974 é publicado o livro de memórias Um Escritor Confessa-se. Como escreve José Gomes Ferreira no prefácio Aquilino sabe mentir a verdade.

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Prémios e distinções

Em 1933 recebe o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, pelo seu livro As Três Mulheres de Sansão. Em 1952 faz uma viagem ao Brasil onde é homenageado por escritores e artistas, na Academia Brasileira de Letras. Em 1960 é proposto para o Prémio Nobel da Literatura por Francisco Vieira de Almeida, proposta subscrita por José Cardoso Pires, David Mourão-Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, José Gomes Ferreira, Maria Judite de Carvalho, Mário Soares, Vitorino Nemésio, Abel Manta, Alves Redol, Luísa Dacosta, Vergílio Ferreira, entre muitos outros. Em 1963 é homenageado em várias cidades do país por ocasião dos cinquenta anos de vida literária. Aquando da sua morte, a Censura comunicava aos jornais não ser mais permitido falar das homenagens que lhe estavam a ser prestadas. Em 1982, a 14 de Abril, é agraciado a título póstumo com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade.

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Obras literárias

Análise

A linguagem de Aquilino Ribeiro caracteriza-se fundamentalmente por uma excepcional riqueza lexicológica e pelo uso de construções frásicas de raiz popular, cheias de regionalismos. Aquilino foi sobretudo um estilista e, por isso, a sua linguagem vernácula é arejada, frequentemente condimentada nos diálogos com expressões entre grotescas e satíricas. Apesar de ter optado por uma literatura de tradição, Aquilino procurou ao longo da sua vida uma renovação contínua de temas e processos, tornando-se assim muito difícil sistematizar a temática da sua vastíssima obra. Reclamava como seus mestres António Vieira, Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz.

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Fundação Aquilino Ribeiro

Imagem: J.P. Esperança · BY · Openverse

Em 1988 foi instituída a Fundação Aquilino Ribeiro – Casa Museu – Biblioteca, com sede na localidade de Soutosa (Moimenta da Beira), na casa outrora utilizada pelo escritor admiravelmente por ele descrita. Na sua fundação teve como presidente Aníbal Aquilino Ribeiro, filho mais velho do escritor.

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Fontes consultadas

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